<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648</id><updated>2011-09-28T10:45:17.694-03:00</updated><category term='joão-antônio realidade'/><title type='text'>Grupo Trema</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>70</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-6969652949483750635</id><published>2007-10-25T11:10:00.000-03:00</published><updated>2007-10-25T12:03:14.191-03:00</updated><title type='text'>Baixa gastronomia no Ilustrada...</title><content type='html'>A caderno de cultura do maior jornal do Brasil é um saco. Isso eu penso a um tempo, lendo vez por outra as capas do Ilustrada, da Folha de SP, que cheiram muito pouco a rua. Arte, arte e arte. De fazer careta. Não por acaso, o melhor do caderno definitivamente é a coluna social - isso mesmo! - da Mônica Bergamo. Entre um casamento e um jantar da &lt;em&gt;high society&lt;/em&gt;, lê-se sempre alguma coisa interessante, como da vez em que a coluna toda foi uma reportagem em pequenos parágrafos (formato de reportagem curioso) sobre os trabalhadores das futuras linhas de metrô de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma. Hoje, li algo que, se não empolga pela profundida ou pelo texto, vale registro pela pauta e por onde saiu. No meio de um monte de referências musicais do vindouro Tim Festival, a "baixa gastronomia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fome de bola&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Roteiro da baixa gastronomia em estádios destaca tropeiro do Mineirão e sanduíche de pernil de SP&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUCAS NEVES&lt;br /&gt;MARCO AURÉLIO CANÔNICO&lt;br /&gt;DA REPORTAGEM LOCAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que o futebol, dentro das quatro linhas, é dado a metáforas culinárias, do frango engolido pelo arqueiro desavisado ao chocolate aplicado no adversário. Mas se, na arquibancada, bate a fome no torcedor, o que os estádios têm a oferecer? Na reta final do Campeonato Brasileiro, a Folha foi às arenas dos líderes apurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas barracas que margeiam o Mineirão (dividido pelo terceiro colocado, Cruzeiro, e pelo Atlético-MG), o protocolar churrasquinho não é páreo para a "pièce de résistance" do "cardápio", o tropeiro -que leva feijão com farinha de mandioca, arroz, bacon, lingüiça, pernil, torresmo, couve, ovo, salsa e cebolinha. Da Barraca da Jaq, saem de 80 a 100 porções por jogo. "Os atleticanos é que gastam. Cruzeirense é chorão!", atiça Jaqueline Ferraz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dentro do estádio, a clientela fiel é a azul, segundo a cozinheira Neusa Madeira, que chega a cozinhar 40 kg de feijão por partida. "Cruzeirense compra mais. O atleticano nem olha para trás se o time perde."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tropeiro faz sucesso também entre os visitantes. "Os corintianos comem muito. E os paranaenses falam que, se fosse para lá, ganharia muito dinheiro", diz Ivanir Ferreira, da barraca em frente ao portão 13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem bate ponto ali é o vigilante Sérgio Fernandes, 28, que alfineta a concorrência. "Comi o lá de dentro [do Mineirão] uma vez e estava "envenenado"." O advogado Marcelo Coura, 29, discorda: "Hoje, não almocei para vir comer o tropeirão. O de dentro é sagrado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pernil paulistano&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em volta do Morumbi (casa do líder, São Paulo), num "centro gastronômico" de 18 barracas, só se vê uma imagem: a da chapa em que repousa um enorme pernil de porco, base do sanduíche que é o hit dos estádios paulistanos. "O povo não muda: sanduíche de pernil é a comida do estádio. Temos de calabresa também, mas não gostam tanto", diz dona Maria, da Barraca do Orlando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um cliente pede um sanduíche, o pernil é fatiado e a seus pedaços são acrescidos tomate, repolho e cebola picados, além de um molho de limão com alho e, por fim, shoyu.A mistura é saboreada por gente como o gráfico Luiz Carlos Souza, 38, abordado quando dizia a um amigo ir ao estádio mais pela comida do que pelo jogo em si. "O sabor da chapa usada não tem igual", explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da arena, o Habib's (patrocinador do time) é a única lanchonete licenciada e oferece quibe, esfihas e torta de queijo e goiabada. Há também picolés Kibon e amendoins de todo tipo (japonês, doce, descascado), que vendedores gaiatos anunciam como "Viagra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malícia pouco vista nos arredores do Palestra Itália (do vice-líder Palmeiras), onde espetinhos e sanduíches de pernil e calabresa disputam a preferência com a oferta mais "substancial" dos botecos (macarrão, pizza e carnes à parmegiana), degustada e aprovada pelo estudante André Bambino, 18. "Dá para almoçar em casa e fazer o segundo tempo aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior do estádio, o grupo Dias detém o monopólio da comercialização de alimentos (hambúrgueres, cachorros-quentes, pipoca, salgadinhos e churros). Com negócios também no Morumbi e no Pacaembu, o sócio-proprietário, Renato Dias, não se compromete: "Torço para qualquer time".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Codorna no Maracanã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Embora nenhum time carioca esteja no topo da tabela, a reportagem abriu uma exceção e visitou o Maracanã em nome da tradição do estádio. Pois foi uma decepção: o local deixa a desejar no quesito "junk food".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao redor do estádio, vans vendem cachorro-quente com batata palha e ovo de codorna -mas sem o purê que acompanha o lanche em SP. Barraquinhas com amendoim e coquinho (pedaços de coco) doces também pipocam aqui e ali, além dos churrasquinhos -a calabresa dá lugar ao salsichão.Dentro do estádio, biscoitos de polvilho e o mate gelado são a pedida -que, cá para nós, está longe de encher barrigas cariocas ou visitantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-6969652949483750635?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/6969652949483750635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=6969652949483750635&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/6969652949483750635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/6969652949483750635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/10/culinria-baixa-no-ilustrada.html' title='Baixa gastronomia no Ilustrada...'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-1446255846152409881</id><published>2007-09-26T19:33:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T08:43:43.455-03:00</updated><title type='text'>Notícia de fim de semana...</title><content type='html'>Domingão de sol, dia de praia! Praia nada.. dia de correr no parque. Parque do Cocó. Eu não, claro. Mas tinha gente da família que se inscreveu naquele negócio lá do Iguatemi. Até a Daniela Cicarelli ia pra lá também. Vou levar a câmera, é sempre bom "exercitar" a fotografia. Ainda mais em um evento promovido pelo Iguatemi. Ainda mais numa corrida dentro do Cocó. Ainda mais com um nome desses: "Corrida Iguatemi - entre em ação com a natureza" Enfim... Cheguei meio com vergonha, né? Câmera guardadinha e tal. Só tirei mesmo antes da concentração pra umas fotos bobas de família mesmo. Bem, já que tô com a câmera na mão, vou esperar agora a largada. Pode ser que eu consiga uma foto da Cicarelli. "Faltam 2 minutos pra começar a corrida!" O locutor deu o sinal e... ação:&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriB4K7zmI/AAAAAAAAAAM/z1fOQ1UHhtU/s1600-h/IMG_2365blog.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvrmM4K7zrI/AAAAAAAAAA0/mHIdT7OaWIg/s1600-h/IMG_2365blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114653435743686322" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvrmM4K7zrI/AAAAAAAAAA0/mHIdT7OaWIg/s320/IMG_2365blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;cinco jovens pelados entraram no meio da pista e gritando palavras de ordem em prol do verde. Até que começou a juntar gente no começo, não tirando a roupa, mas gritando também junto a eles.&lt;br /&gt;Fiquei extasiada. Massa, saí na maior despretensão do mundo e me acontece uma manifestação bem na minha frente e quando eu to com a câmera na mão.&lt;br /&gt;É agora!!! No meio da muvuca eu nem pensava. Só o branco na cabeça. É engraçado, eu não sei se acontece com todo mundo, mas nas situações em que eu mais preciso ficar calma eu esqueço até &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriB4K7zmI/AAAAAAAAAAM/z1fOQ1UHhtU/s1600-h/IMG_2365blog.jpg"&gt;&lt;/a&gt;quanto é 2+2.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriCIK7znI/AAAAAAAAAAU/mJw9YOsqrBs/s1600-h/IMG_2376blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114648853013581426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriCIK7znI/AAAAAAAAAAU/mJw9YOsqrBs/s320/IMG_2376blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A segurança chegou em 3 segundos. Aí eu já até pensava um pouco: "vão bater, vão bater..." Pensado e feito. Foi aí que minha mão não queria mais me obedecer. O coração há tempos já tinha vida própria. Foi gente pra todo lado. Um encontro lógico: de um lado gente que esperava apanhar, de outro gente doida pra bater.&lt;br /&gt;Não teve nenhum.. "olha, eu te conheço minha senhora.... tu tá encrencada..vamo acabar com isso aê, hein? Tenho nada a ver com isso..cumpro ordens só..." Nada! No mais teve um "Isso é uma manifestação. Deixa! Isso é uma manifestação. Deixa!"&lt;br /&gt;Na hora do cacete mesmo, teve gente que se assustou. Ainda deu pra ouvir um "gente, tão batendo, tão batendo, gente!!" Pra vê se o povo aderia...pelo menos pra socorrer! O cearense é tão hospitaleiro... deu pra ouvir as respostas também "ô coisa ridícula...""isso é um absurdo.. !" "ai, que horrível..tinha que ser preso!" &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriCYK7zoI/AAAAAAAAAAc/XzgyUyhzCJU/s1600-h/IMG_2382blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114648857308548738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriCYK7zoI/AAAAAAAAAAc/XzgyUyhzCJU/s320/IMG_2382blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra finalizar o domingão de sol, estavam presentes na corrida os principais jornais impressos de Fortaleza, Tv Jangadeiro, Tv Diário e Tv Verdes Mares. Não vi nem nota no Diário. Não sei se por incompetência minha de não ter achado, ou eles não publicaram nada mesmo. E no &lt;a href="http://www.opovo.com.br/opovo/esportes/731494.html"&gt;O Povo, além de um relez parágrafo que mal dizia nada sobre a manifestação&lt;/a&gt;, o repórter responsável pela notícia fez o favor de nem ao menos dar a informação certa. Colocou o Nome do S.O.S. Cocó no meio. E o pessoal nem tinha nada a ver com a história. O pessoal responsável pelo ato era do Crítica Radical, Bloco Verde, Frente Popular Ecológica e indivíduos independentes. Enfim... a segurança do shopping calou a boca dos manifestantes, na porrada, pra alegria das senhoras e senhores de família abismados com a ação.&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriC4K7zpI/AAAAAAAAAAk/4Az2jKYkcm0/s1600-h/IMG_2443blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114648865898483346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 321px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" height="229" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvriC4K7zpI/AAAAAAAAAAk/4Az2jKYkcm0/s320/IMG_2443blog.jpg" width="328" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Essas pessoas que se indignaram com o acontecimento talvez estejam esperando ficar pronto aquele espigão que estão terminando de construir dentro do mangue, para que enfim eles possam desfrutar do verde! Mas antes, vamos ver a Daniela Cicarelli correr. "Faltam 2 minutos pra começar a corrida!" E dessa vez começou. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Outras fotos:&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/mariliacamelo"&gt;www.flickr.com/photos/mariliacamelo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-1446255846152409881?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://www.flickr.com/photos/mariliacamelo' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/1446255846152409881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=1446255846152409881&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1446255846152409881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1446255846152409881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/09/notcia-de-fim-de-semana.html' title='Notícia de fim de semana...'/><author><name>Marília Camelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17762986663742151452</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_l3fdBeQ4Qlg/RvrmM4K7zrI/AAAAAAAAAA0/mHIdT7OaWIg/s72-c/IMG_2365blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-3917946071590416188</id><published>2007-09-04T14:55:00.001-03:00</published><updated>2007-09-04T15:22:21.184-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/Rt2cWvx_ZCI/AAAAAAAAAAk/sPtc28TWq04/s1600-h/pia3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/Rt2cWvx_ZCI/AAAAAAAAAAk/sPtc28TWq04/s400/pia3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106409467105207330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;Janelas e portas ficam abertas, deixando passar o forte cheiro&lt;/span&gt; empurrado pelos ventiladores à rua. Wellington e Helson afastam-se, com medo do formol respingar-lhes, ao mergulho do corpo número 4. Antes, conjuntamente, deitaram número 4 em uma maca branca de metal, já velha, correram-na pelo vasto piso branco do anfiteatro Saraiva Leão no Departamento de Morfologia da UFC, até chegarem ao tanque de formol disposto na extremidade do anfiteatro. Existem outros três tanques, um ao lado, outros dois na parede &lt;st1:personname productid="em frente. Os" st="on"&gt;em frente. Os&lt;/st1:personname&gt; dois procederam assim com mais cinco corpos: número 1, número 2, número 3, número 5 e número 6. Todos corpos inteiros. Homens, velhos, magros – apenas um forte – com seus internos expostos. Serviram para aula de dissecação do professor Erivan.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), nove gavetas das quatro geladeiras esperam corpos abaixo de 20º negativos, por suas famílias. Suas características foram anunciadas em jornais e outros meios. O cadáver espera por 30 dias. Será dono do seu destino o parente de primeiro grau que reclamar o morto neste período. É ele quem irá autorizar ou não a necropsia do corpo. Sem pista da morte, a necropsia começará pelo cérebro, parte mais perecível do corpo, depois descerá todos os seus órgãos até encontrar a patologia. Sendo definida ou indefinida a causa do falecimento, o cadáver receberá seu primeiro e último documento póstumo: atestado de óbito. Agora, para o Estado, além de morto de fato, ele é um morto civil. Para o defunto, indiferente. Entretanto, o óbito à família será importante para algumas regalias: seguro de vida ou funerário. Com a documentação da morte do corpo, a família terá que optar pelo destino do cadáver: enterrá-lo ou doá-lo a alguma instituição de ensino. A maioria prefere enterrá-lo. Sendo quase 90% das famílias sobreviventes por mês com menos de um salário mínimo, o morto será enterrado em vala comum. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Se ninguém, em 30 dias, der conta da falta do morto, ele será da União. É uma espécie de “usucapião” de corpos. Esses cadáveres aleatoriamente terão a partir de então dois encaminhamentos: o sepultamento em vala comum ou qualquer instituição de ensino para servirem de material de estudo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Wellington tem 43 anos&lt;/span&gt;. Fez curso no Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) de Radiologia, depois estudou para a área de Enfermagem. Não agüentou a carreira. “Era muito duro conviver com a parte de pediatria do hospital.”. Estagiou nos finais de semana no IML para tentar concurso que acabou não conseguindo por chegar atrasado na prova. Acha melhor onde está agora, como técnico de anatomia e necropsia no Departamento de Morfologia da UFC. Com ressalva que no departamento não se faz necropsia. Em três meses de trabalho já tratou de seis corpos do SVO que receberam a segunda opção.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O companheiro de trabalho de Wellington, Helson, é formado em Veterinária. “A anatomia do ser humano é basicamente igual a dos animais.” Há dois anos e meio no trabalho do departamento, Helson nunca cuidou de uma mulher. “As mulheres têm mais vinculo familiar, por isto é difícil que não reclamem seu corpo no SVO”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O corpo do SVO vem vestido e congelado. Alguns com blocos de gelo entre os membros. Em temperatura natural os técnicos esperam o descongelamento. Depois despem o cadáver e dão-lhe banho apenas com água. Em seguida cortam seus pêlos com navalha e, para os cabelos grandes, tesoura. Não existe rigor nisto, os corpos em sua maioria permanecem com parte dos cabelos e da barba. Não cortam as unhas. Para formolizar o corpo, injeta-se de três a seis litros de água com 10% de formol pelas veias carótida ou femoral. Uma bomba de pressão encube a volta da circulação no cadáver. Depois, no tanque, o corpo fica submergido por 30 dias. Cabem em média cinco corpos em um tanque. Por vezes é preciso colocar um peso sob o corpo para ele não subir. Neste tanque está a imagem mais constrangedora e áspera da sala de depósito do departamento. “É porque nesses corpos você vê seu semelhante, por estarem inteiros.”, explica Helson.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Os corpos inteiros vão sendo descaracterizados&lt;/span&gt; com o decorrer das aulas de dissecação. O cadáver número 1, perdeu a tatuagem do peito: “Mafis ou Mefis”, não lembra direito Helson. Peles, nervos, membros e órgãos vão sendo tirados. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Por fim se tornam partes do corpo humano. Neste processo estão três “troncos”. Um homem velho magro de cavanhaque branco e ralo com pênis intacto é um deles.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A seleção das partes acontece como qualquer outra: o que é melhor fica. Para as não selecionadas, como o pulmão danificado pelo fumo, preto com buracos, resta um contêiner preto ao lado dos garrafões de formol. Dentro, pedaços indefinidos do corpo humano. Semestralmente, já com &lt;st1:metricconverter productid="200 a" st="on"&gt;200 a&lt;/st1:metricconverter&gt; 300 quilos, o que está no contêiner é enterrado em vala comum junto aos cadáveres do SVO e do IML. Pedaços de corpos com formol são muito resistentes, mas mesmo assim existem bactérias para os putrefazerem.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;As partes boas para estudo são serradas dos corpos. Ficam dividas pela sala de depósito. Os órgãos ficam em tambores coloridos e nomeados. Os rins ficam no tambor amarelo, os pulmões em tambor azul, os corações no vermelho. Membros ficam num tanque de formol igual aos do anfiteatro. Para maior didática dos alunos, Helson explica que veias, artérias ou nervos são pintados com corantes ou tintas. Exatamente como João Bruno, estudante de medicina, fez com as veias de uma perna. 50 horas de trabalho, entre pintar e tirar gorduras ou partes não importantes para o estudo. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bruno respeita muito os corpos&lt;/span&gt;, quer implantar um minuto de silêncio no começo das aulas no departamento. Helson, evangélico, e Wellington, católico, ex-participante do grupo de jovens, não rezam pelos corpos. Helson por que acredita que devemos rezar por eles enquanto vivos. Assume a mesma conduta com sua família. Wellington porque nunca atinou sobre a idéia. “Taí nunca pensei nisto. Rezo pelos meus familiares, mas por eles nunca pensei.”&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Existem treze corpos inteiros, dois sem dissecação, três “troncos” e dois bebês inteiros no Departamento de Morfologia para 450 alunos. Quantidade insuficiente para o professor Alan Marcos. Ele não doaria seu corpo para estudos. O professor Saraiva Leão, médico e escritor, que dá nome ao anfiteatro também não doou seu corpo. “Em 20 anos de carreira nunca ouvi dos colegas algo sobre isto”, o professor Allan prefere doar para transplantes. A última doação foi em 1986. Um homem de Santa Catarina. Ele pôs no testamento a doação do corpo, como morreu em Fortaleza, seu corpo foi doado para o departamento. Helson e Wellington não doariam seus corpos. O último porque segue a mesma filosofia do professor. Helson porque acha “drástico” o que fazem com o corpo. “Se fosse para optar, eles não aceitariam (...) É imposto”.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Nos 13 meses de SVO, 2.183 corpos passaram. Muitos deles morreram na própria casa, sozinhos ou perto da família. A maioria com mais de 60 anos. Órgãos sexagenários não servem mais para transplantes. Desses corpos apenas 8 foram para o Departamento de Morfologia. O professor Allan Marcos solicitará no SVO para o próximo ano mais 6 corpos não reclamados pela família que servirão para a próxima turma de dissecação do professor Erivan. &lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bruno Xavier&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-3917946071590416188?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/3917946071590416188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=3917946071590416188&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3917946071590416188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3917946071590416188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/09/janelas-e-portas-ficam-abertas-deixando.html' title=''/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/Rt2cWvx_ZCI/AAAAAAAAAAk/sPtc28TWq04/s72-c/pia3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-194084709928464037</id><published>2007-08-19T21:32:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T16:42:50.703-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='joão-antônio realidade'/><title type='text'>Quem é o dedo duro?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.freewebs.com/grupotrema/Dedoduro/dedoduro.html"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/RsrwUPx_ZAI/AAAAAAAAAAU/g8tKNVhNTm0/s400/banner2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101153758574765058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em julho de 1968 gloriosa revolução de 1964 se consolidava rumo a efetivação dos direitos inalienáveis de seus generais. Faltava pouco para Costa e Silva baixar o pau de vez e instaurar o AI-5. Nas bancas, chegava a edição número 28 da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revista Realidade&lt;/span&gt;,  ao custo de NCr$ 1,50 (cruzados novos), estampando uma foto de Luís Travassos na capa, presidente da União Nacional dos Estudantes e pivô de uma disputa política ferrenha dentro da entidade contra outro militante estudantil, José Dirceu. Trazia ainda, entre outras reportagens, o relato do repórter  José Hamilton Ribeiro, convalescendo em uma maca de hospital no Vietnam, depois de ter uma de suas pernas arrancada por uma mina enquanto acompanhava um esquadrão estadounidense durante a cobertura da guerra internacional que movimentava aqueles anos. A Revista Realidade chegava ao ápice de seu jornalismo que no próximo ano começaria a declinar, perdendo espaço dentro da Editora Abril para a, na época recém-criada, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revista Veja&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma edição, sob o tema "Polícia", o escritor João Antônio publicava seu segundo texto na revista, depois de passagem, em dois anos de carreira, pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jornal do Brasil&lt;/span&gt;, pela revista feminina &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cláudia&lt;/span&gt; e pelo jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Última Hora&lt;/span&gt;. João Antônio não negava querer viver só da literatura, mas na falta, seguia desenvolvendo um jornalismo intimamente ligado a sua ficção, apesar da forte motivação de subsistência. Na reportagem "Quem é o dedo duro?",  seguia um dos temas caros a ele, a margilinalidade, sempre com um faro para os "tipos" brasileiros e seu linguajar, costurando tudo com descrições sucintas e uma narrativa precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem, além de sua temática impressionante (o trabalho informal de um delator trabalhando para a polícia carioca no meio da malandragem), inquieta pela forma onisciente de narrar de João Antônio que não apresenta nem as circuntância em que encontrou o personagem principal, Zé Peteleco. As fotos também esquentam as orelhas. Cheiram a um ensaio ilustrativo, mas aquele dedo do fotógrafo na última imagem só se justificaria em um publicação como Realidade pela pressa ou coisa do tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo TR.E.M.A. disponibiliza fotos e texto desta reportagem na íntegra. Uma faceta intrigante do mundo anônimo que se esgueira diante de nossos olhos narrada por um discreto cagüeta jornalístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://www.freewebs.com/grupotrema/Dedoduro/dedoduro.html"&gt;Quem é o dedo duro?&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-194084709928464037?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/194084709928464037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=194084709928464037&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/194084709928464037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/194084709928464037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/08/quem-o-dedo-duro.html' title='Quem é o dedo duro?'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/RsrwUPx_ZAI/AAAAAAAAAAU/g8tKNVhNTm0/s72-c/banner2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-7644154361161480018</id><published>2007-07-23T12:19:00.000-03:00</published><updated>2007-07-25T09:13:27.896-03:00</updated><title type='text'>Prestação de contas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A gente anda sumido, longe de “casa”, dos leitores e leitoras, do carinho, do assédio, das páginas dos cadernos de cultura. São os projetos. Tem documentário e revistas sobre os terminais de ônibus – esse coletivo. Tem os individuais, sobre os quais não cabe falar. Apenas que eles, os tais projetos, coletivos e individuais, nos consomem quase todo o tempo, restando-nos apenas algumas poucas horas livres. Nas quais a gente prefere a&lt;em&gt; first life&lt;/em&gt; e pretere a &lt;em&gt;second&lt;/em&gt;. A vida em carne, osso e sêmen, que, além das coisas mais banais do cotidiano, inclui viagens, avaliações, reuniões de formatura, de pauta, de família e até mesmo funerais. E, como não poderiam faltar, encontros em mesas de bar. Na melhor tradição “esquerda festiva”, a gente faz, sim, reuniões nas casas mais tradicionais e também nos inferninhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero dizer com isso que o tempo anda escasso, que nos falta um tantinho de organização e que, logo mais, a qualquer momento, a coisa vai engrenar por aqui. Que os textos, prometidos para daqui a pouco, voltarão à cena, que o caldo vai engrossar e a chapa, esquentar. Do contrário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do contrário prometo escrever novamente declinando novas desculpas para as nossas graves e imperdoáveis faltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, o que acham de ver – no caso de alguns, rever – filmes antigos? A gente tem uma prateleira cheia deles de pé num cômodo que, de tão freqüentado, passou a ser como que uma segunda casa. &lt;a href="http://overmundo.com.br/"&gt;Lá&lt;/a&gt; publicamos nossos últimos trabalhos, muitos dos quais totalmente inéditos em nosso próprio espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Seguem – para deleite do (a) leitor (a) e enquanto a gente permanece sumido, escondido atrás das cortinas da sala-de-estar, algumas coisinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/pedro-rocha-grupo-trema"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Pedro Rocha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/o-segredo-de-nossa-senhora-de-fatima"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O segredo de Nossa Senhora de Fátima&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/a-praca-da-se-nao-dorme"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A Praça da Sé não dorme&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/filho-nao-se-acoite-maishttp://www.overmundo.com.br/overblog/filho-nao-se-acoite-mais"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Filho, não se açoite mais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/angelica-feitosa-grupo-trema"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Angélica Feitosa&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/literatura-cor-de-rosa"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Literatura cor-de-rosa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/colaboracoes_publicadas.php?autor=1526"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Raquel Gonçalves&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/um-natal-na-labuta"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Um Natal na labuta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/henrique-araujo-grupo-trema"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/a-terra-e-redonda"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A terra é Redonda&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/prece-sob-o-juazeiro"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Prece sob o juazeiro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/a-doce-embriaguez-da-lembranca"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A doce embriaguez da lembrança&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/perfis/tiago-coutinho-grupo-trema"&gt;&lt;strong&gt;Tiago Coutinho&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/a-entrada-de-paulo-na-historia"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A entrada de Paulo na história&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-7644154361161480018?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/7644154361161480018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=7644154361161480018&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7644154361161480018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7644154361161480018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/prestao-de-contas.html' title='Prestação de contas'/><author><name>Henrique Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_H8d0EWIlCHk/SRyoJ-ntoBI/AAAAAAAAAcI/lsUCLCPTj-Q/S220/4143655_pollock13001.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2348884582490547122</id><published>2007-07-08T19:54:00.001-03:00</published><updated>2007-07-08T20:08:54.162-03:00</updated><title type='text'>Três instantâneos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Terça-feira, 14h00&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Felipão e Forró Moral&lt;/em&gt; enche as ruas da aldeia, em Caucaia. O som vem de uma casa próxima, de alvenaria, telhado vermelho e cercada com arame farpado. Roupas colorem o varal, que cruza o quintal da casa como cordões de bandeirolas, muito comuns durante os festejos que marcam o mês de junho em todo o nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostadas umas às outras, cinco ou seis bicicletas. Segue, à sombra da mangueira, a roda de conversa, encontro semanal que reúne representantes das doze comunidades espalhadas no município. Discute-se muito, os índios têm, de modo geral, uma agenda política apertada. Dificilmente consegue-se espaço nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distraída, a índia costura. De quando em quando, levanta a cabeça das linhas com que vai dando forma a uma manta para, no instante seguinte, voltar a enovelar-se nos próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cachorro, branco e magro, revira-se na areia. Parece gostar do sol. Duas crianças aproximam-se. São irmãos, foram batizados com nomes “bíblicos”: Ismael e outro. Estão nus, a barriga inchada à mostra. Têm muitas feridas nos pés e nos braços. Divertem-se sozinhos com varetas e uma tira de câmara de ar. Empunham arco e flecha de brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem ser fotografados. Imagina que sim, que devem, como o cachorro magro e branco, gostar de ser fotografados. Eles sorriem, posam para fotos. Na segunda, ele pede para que empunhem, sorridentes, os arcos. Eles gostam, não o deixam ir embora. Ele vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sábado, 12h00&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois pedaços de madeira lado a lado, uma carcaça de geladeira, muitos fios, buzina. Na proa do carro, duas caixas de som presas com barbante. Cuidadoso, ele manobra o carro. Veste camisa de botão encardida, bermuda rasgada, boné do Ceará. Calça chinelo de dedo. Há pouco, despejara alguns quilos de ferro, plástico e papelão sobre o prato enferrujado da balança. Enfiou os trocados no bolso, deu marcha à ré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, parado entre o homem e o lixo da cidade, o menino. Sem camisa, usando calção azul, pede: “Acende o farol!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio-dia, a luz amarela das lâmpadas fraqueja. “Toca a buzina.” O som estridente parece animá-lo. O menino cede passagem. O homem encara-o, sem cumprimentá-lo, e vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Qualquer dia da semana, manhã, tarde ou noite&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra, estende uma nota de dois reais, recebe o troco. Cambaleia até a poltrona, desaba. Silêncio, o veículo quase vazio. Enquanto segue viagem, as faixas intermitentes da avenida aos poucos grudadas umas às outras, numa única e dormente faixa branca, pode concentrar-se em nada, em ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sobe, vem do escuro. É noite, quase nove horas, devia estar em casa, a mãe talvez desesperada, o pai quem sabe aflito. Muito criança. Doze anos, se tanto. Usa o cabelo solto, que se avoluma no alto da cabeça. Veste uma camiseta apertada, dois números abaixo do seu. Calça chinelinha de dedo. Nas canelas, uma e outra cicatriz. Carrega uma caixa colorida. Não sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caixa, bombons, pirulitos, chiclete. Muita coisa doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria estragar os dentes. Ignorou-a. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-2348884582490547122?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2348884582490547122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=2348884582490547122&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2348884582490547122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2348884582490547122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/trs-instantneos.html' title='Três instantâneos'/><author><name>Henrique Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_H8d0EWIlCHk/SRyoJ-ntoBI/AAAAAAAAAcI/lsUCLCPTj-Q/S220/4143655_pollock13001.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2470582096204218115</id><published>2007-07-04T11:10:00.001-03:00</published><updated>2007-07-05T12:53:06.703-03:00</updated><title type='text'>Saia do anonimato!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/RouqltVug7I/AAAAAAAAAAM/UX1HznlvRmE/s1600-h/saidoanonimato.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/RouqltVug7I/AAAAAAAAAAM/UX1HznlvRmE/s400/saidoanonimato.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083344169220342706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você já teve sua história contada pelo TR.E.M.A. ou mesmo já foi um dos cidadãos do O Povo e ainda continua nesse cinzento anonimato, perdido entre essa multidão disforme, trepidando em movimentos peristálticos até ser expelido em um fim de tarde grosso intestinal? Você é dos que já tentaram de tudo para sair desse marasmo midiático e o mais que conseguem é entregar panfletos na Santos Dumont com Barão de Studart sob uma árvore de espoja com quase meio metro que lhe enfeita a cabeça feito um chifre tomado por trepadeiras? Ou mesmo o mais longe que você chegou foi carregar um daqueles bonecos carnavalescos gigantes e ficar pinotando em frente a Ortobom da Antônio Sales com a Virgílio Távora vendo sua vida derreter em pleno pico das três da tarde, enquanto os carros passam ar-condicionados e você mal pode coçar o ovo? Não desanime! Com o Curso de Recepção de Eventos e Interpretação Publicitária você dominará as técnicas mais sofisticadas em matéria de sorrisos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;delivery&lt;/span&gt;. E mais! aprenderá os diversos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;templates&lt;/span&gt; faciais para os mais famosos conceitos publicitários, incluindo o clássico "atitude". E mais! Se você for um dos 100 primeiros a ligar, você ainda leva como brinde o nosso exclusivo e elegante &lt;span style="font-style: italic;"&gt;template&lt;/span&gt; facial "quero te chupar"*.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;SAIA DO ANONIMATO! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mude sua história! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;3246.0498&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* vide foto 4: modelo de pele branca e batom vermelho.&lt;br /&gt;** clique em cima da foto para ampliá-la.&lt;br /&gt;*** panfleto recebido  em uma tarde ensolarada na esquina entre a Rui Barbosa com Heráclito Graça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-2470582096204218115?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2470582096204218115/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=2470582096204218115&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2470582096204218115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2470582096204218115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/07/voc-j-teve-sua-histria-contada-pelo-tr.html' title='Saia do anonimato!'/><author><name>Pedro Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01231140355236584352</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjXJIgSFzLk/RouqltVug7I/AAAAAAAAAAM/UX1HznlvRmE/s72-c/saidoanonimato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-2597095707141509196</id><published>2007-05-08T20:24:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T21:24:09.173-03:00</updated><title type='text'>Piratas internéticos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RkEH9G3MCOI/AAAAAAAAAAc/fX7sF9WtxvI/s1600-h/corsarioTxt.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5062336202536650978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RkEH9G3MCOI/AAAAAAAAAAc/fX7sF9WtxvI/s320/corsarioTxt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“... No entanto, devo lhes advertir que somos corsários rebelados a receber ordem de ninguém. Nem a nós mesmo somos muito fiéis. Não temos rota, carta geográfica ou destino. E só o horizonte, apenas o horizonte, nos força a seguir adiante. "&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Ayla Andrade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Havia um tesouro guardado sob as barbas do rei, que dormia o azedo sono dos impunes, aqui e ali arrotando e soltando puns travestidos da mais alta cultura. Ele, o rei, guardava-os apenas para si. Fosse por egoísmo ou apenas ignorância mesmo, sequer dava-se ao trabalho de afixar um quadro, folhear um livro ou ouvir uma canção. O reino em questão, cujas dimensões nenhum de seus súditos jamais fora capaz de adivinhar, encerrava-se numa enseada. De frente para o mar, o rei acordava todos os dias, ainda de cara inchada e remelento, e agradecia a si mesmo por ser tão poderoso e bom. E, de quebra, belo. Claro que nem todos compartilhavam da sua opinião. Aliás, mesmo entre aqueles que compunham o séquito que o servia diuturnamente, havia os que o consideravam um grande bundão. E também um sacana filho-da-puta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas histórias sempre têm um “até que”. Com esta não seria diferente. Um dia qualquer, se domingo, segunda ou quarta-feira ninguém sabe, um navio cujas velas eram temidas por todos os sete mares ancorou em águas de Sua Realeza. A ação foi rápida. Em menos de dois dias, pilhadas as riquezas do reino guardadas à sete chaves em muitos vãos do castelo, os tripulantes – certamente piratas – rumaram novamente em direção ao navio. Embarcaram às pressas as muitas caixas com as jóias reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetiram a ação por seis ou mais reinos, atacando sempre em datas ocasionais; eventualmente, festivas. No final, o volume de ouro e bens culturais acumulado assustou os próprios piratas, que trataram de distribuir tudo entre os mesmos povos antes miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, passaram-se muitos anos até que novos assaltos corressem o mundo. Nesse intervalo, lendas e contos narrados oralmente começaram a se espalhar através de distintos povoados. Eles, os corsários, haviam sido enviados por deuses do sol e da lua em resposta aos clamores há muito entoados. Afinal, principalmente hoje, sabe-se o quanto foi enxovalhado o poviléu naqueles idos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, à calmaria se seguiram ondas de dez ou vinte ou trinta metros. Sim, novas e cada vez mais fortes tempestades sacudiram a rotina dos reinos. Ao longe, porém, navio algum se via: agora tripulavam-se os “bites”, categoria ainda desconhecida da maioria. Navegavam-se outros mares, que, a essa altura, não se resumiam a sete, mas a alguns milhares deles, interligados através de um negócio muito bacana chamado internet. Decididos a dar continuidade à pilhagem dos tesouros reais (ainda hoje muito cultivados e sempre bastante concentrados em mãos de tão poucos), eles, os piratas corsários, criaram um site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessem: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.corsario.art.br/"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;www.corsario.art.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-2597095707141509196?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/2597095707141509196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=2597095707141509196&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2597095707141509196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/2597095707141509196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/05/piratas-internticos.html' title='Piratas internéticos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RkEH9G3MCOI/AAAAAAAAAAc/fX7sF9WtxvI/s72-c/corsarioTxt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-7100107104434087485</id><published>2007-04-18T12:15:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T12:23:50.381-03:00</updated><title type='text'>Impressões do Antônio Bezerra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Por Raquel Gonçalves&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira percepção: ainda está bem movimentado. Isso não dura mais que 20 minutos e as plataformas começam as esvaziar. Uma exposição tirada do arquivo do Nirez me chama atenção. Quem diria? 87 anos depois a praça do Leões está completamente diferente. Óbvio. Mas mudou para melhor, pelo menos na foto. A copa de um grande arvoredo sombreou toda a praça em 2007. As pichações não são visíveis na fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só consegui contar três ratos correndo sobre o calçamento do terminal. Já o zigue-zague das baratas não me deixava relaxar. Não sei quem tinha mais medo: elas de serem pisadas ou eu de pisá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao tomar meu café com um sanduíche de queijo percebo alguém vorazmente tentando saciar uma fome que mais me pareia insana. Um caldo de carne gorduroso e com bastante osso. Ele chupava o sabor do osso deixando escorrer no canto da boca o desejo de devorar aquele prato. O movimento de suas duas mãos lambuzadas dentro do prato e a incontinência de seus olhos deixaram sutis sinais da química que percorria no seu sangue. “Dá pra sair um copo d’água?” A moça do balcão entregou e ele bebeu de um gole só. Sua piração não deixou que esperasse o outro caldo que havia pedido e penso que já nem mais lembrava. Andou firme, em direção ao primeiro banco que viu e deitou com o braço sobre os olhos, mesmo com o tic nervoso da “perna que não parava de balançar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na fila do Jardim Guanabara-Nova Assunção se concentra o maior número de pessoas. A maioria homens. Consegui contar somente duas mulheres usuárias dentro do terminal em determinado momento. Confesso que me senti um pouco ameaçada pelos olhares masculinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma moça branca, de cabelos lisos, bem vestida, de sacola na mão me parece nervosa e agoniada com a demora do Conjunto Ceará–Antonio Bezerra. Contei mais de uma hora ela sentada na mesma posição esperando o ônibus. Não vejo o seu destino final quando ela, impaciente, levanta-se, anda em nossa direção, cruza nosso banco e desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um carro da polícia, alguns bêbados, três ratos, poucas mulheres, milhares de baratas, trabalhadores, um cheirador de pó, garçons, um louco, um casal homossexual, um cana de botas que mais parece um morto dentro do banco sentado numa cadeira escondida atrás do caixa eletrônico....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi a madrugada do dia 11 de abril no terminal do Antonio Bezerra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-7100107104434087485?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/7100107104434087485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=7100107104434087485&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7100107104434087485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/7100107104434087485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/04/impresses-do-antnio-bezerra.html' title='Impressões do Antônio Bezerra'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-1720654718887257062</id><published>2007-03-28T11:30:00.000-03:00</published><updated>2007-03-28T11:43:16.709-03:00</updated><title type='text'>[série epistolar]</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/Rgp9KqAnFvI/AAAAAAAAAAU/1M8QggQ7exw/s1600-h/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046983954451076850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/Rgp9KqAnFvI/AAAAAAAAAAU/1M8QggQ7exw/s320/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Aí vai minha resposta que não é bem resposta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Caro Henrique,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;você já parou pra se perguntar para que servem as faixas de pedestres? Eis que estive cismado com isso hoje, após um carro ter parado para eu passar com osinal verde. Foi estranho. Pensei ter acontecido algo quando vi o automóvel parado. Continuamos parados, eu e ele. Apenas o sinal em movimento para fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns segundos atravessei a rua, e ele se foi. Nunca havia percebido utilidade nas faixas da cidade. Elas ficam ali estancadas debaixo dos sinais e os transeuntes só a usam quando o vermelho obriga. Por muito, pensei serem apenas faixas de enfeites para dar um pouco de brilho nas noites iluminadas pelas casas dos mosquitos. Quando chove à noite, também, as faixas ficam bonitas, molhadas pelo caldo frio do asfalto, dá vontade de pedir pra nunca mais parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponho que o motorista seja estrangeiro. Não consegui ver a placa. Mas quem não é estrangeiro nessa Fortaleza de calor, de contrastes e de fascínios. Eu mesmo me sinto descolado em vários cantos dessa cidade, ao mesmo tempo em que gosto de pertencer a ela. É algo interessante. A imagem parada de uma galinha esfolada em público me choca. As cores populares ganham um ar &lt;em&gt;cult &lt;/em&gt;porque foi fotografado pelo Celso de Oliveira. E que olhar colorido, parece até de mentira. É interessante. Gosto de imagens grandes e cheias espalhadas pelas paredes de um centro cultural. Não precisa de cerca para torná-las inalcançáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;E fico pensando o quanto nós conseguimos dialogar em nossa cidade com a sabedoria popular e o ar arrogante dos intelectuais pensantes. E passeando por uma cidade mais antiga, percebo o quanto nós vivemos disso. Toda a nossa Fortaleza, o nosso Ceará se sustenta em cima de um olhar épico-romântico sobre a sabedoria popular, seja contemporâneo ou não. É bonito. São tantas crenças, tantos chavões, tantos mitos, tantos emigrantes e imigrantes. Fortaleza é um cenário de passagem eterna, nem que seja apenas no desejo. As pessoas que aqui ficam sonham em ir para longe. As pessoas de fora, imaginam que a beleza de um reflexo solar no suor pingado da orelha é inodora. Os que se vão – e não são poucos – sentem saudade, mas não voltam, ficam a proferir saudades compartilhadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Tão confusa essa minha cidade. Ela me expulsa a todo instante. Sinto sempre uma vontade enorme de voltar, mesmo sem nunca ter partido. Mas admiro essa cidade, mesmo tendo que esperar os sinais fecharem para eu atravessar a rua. Para só depois esperar pelo ônibus que nunca chega, muito menos vazio. Esperar pelo progresso. Esperar pela civilização. Esperar pelo reconhecimento. Esperar é nosso verbo. É sem dúvida um lugar incrível, no sentido literal da palavra. Fortaleza é uma farsa construída apenas nas bocas de seus moradores. Ela não existe. Ela já nasceu como uma metáfora que aos poucos se transformou numa hipérbole e pela sua repetição dita saudável já se tornou uma grande ironia. Ela reúne todas as figuras, principalmente a anáfora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Já não agüento mais. Para não ficar cafona, me disperso. Semana que vem estarei no Benfica, e de lá mando notícias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Abraço grande,Tiago&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-1720654718887257062?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/1720654718887257062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=1720654718887257062&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1720654718887257062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/1720654718887257062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/03/srie-epistolar_28.html' title='[série epistolar]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/Rgp9KqAnFvI/AAAAAAAAAAU/1M8QggQ7exw/s72-c/Jackson-Pollock-Yellow--Gray--Black-1948-br--Silkscreen-print--133796.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-3650165154417875841</id><published>2007-03-24T11:22:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T09:18:31.246-03:00</updated><title type='text'>[série epistolar]</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RgU3l_uUE_I/AAAAAAAAAAM/C-NsD-h3-vs/s1600-h/pollock.stenographic"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5045500083438883826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RgU3l_uUE_I/AAAAAAAAAAM/C-NsD-h3-vs/s320/pollock.stenographic" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Aos amigos e amigas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou notícias. Hoje é segunda-feira, 19, dia de São José. Fez sol na cidade, sim, muito calor. Na rua, lama. Ela esquenta e evapora rapidamente. À tarde, apenas algumas poças. Os meninos já podem jogar bola novamente. Ao menos até a próxima chuva, quando tudo volta a se encher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou morando entre cães e gatos e vizinhas histéricas. Em frente, uma oficina de materiais recicláveis. Estão padronizando os carros da oficina. Antes, eram todos diferentes, cores e formatos. Menos os homens e mulheres que empurram das cinco da manhã às cinco da tarde. Esses, continuam os mesmos. Hoje, à exceção de um mais sofisticado (carrega som e se serve de um toldo para fazer sombra), todos foram pintados de marrom e numerados. Batem ponto, inclusive. Para as crianças da rua Mansidão, os carrinhos e os cacarecos que trazem na barriga são a grande atração. Muito ferro retorcido pode se converter num fantástico brinquedo nas mãos de um garoto. Da vela de um carro, fazem um míssil. Que pode atingir as casas e apartamentos mais distantes, sossegados do outro lado da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grande barato para a criançada: uma velha louca que corre e grita, as mãos carregadas de sacolas, e cai no chão. Ela é pequena e muito enrugada; quando cai, encaracola-se ainda mais. Nessas ocasiões, chega a ficar horas sentada com a cabeça enfiada entre as pernas, chorando e babando. Todos passam por ela; ninguém liga. Curiosamente, eu tenho medo, e fico apenas olhando de longe. É um medo de criança, duro de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus caros, tantas coisas a dizer... e não apenas da geografia urbana, da passagem do tempo ou dos últimos programas de televisão; ou, ainda, daquilo que ontem foi notícia nos jornais daqui. Como escrevo depois de muito tempo, e para pessoas que me cativaram, a vontade era de dizer outras coisas. Na verdade, queria falar do sub, e acabo esbarrando no raso que sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio disso tudo, me permito um desabafo. Sabem as pessoas, essas que nos cercam? De uns tempos pra cá, têm me enchido. O suficiente para pretender deixar tudo, estudos e trabalho, e voar para o interior, criar galinhas, cuidar dos patos, lavrar a terra. Mas não sou lavrador. Escrevo. E escrever não ganha a vida. Por isso vou ficando e ficando, vendo os meninos forjarem traves com os tijolos e garrafas de plástico, esfolarem parte dos dedos num chute que, em vez da bola murcha, acerta a pedra que se ergue traiçoeira do calçamento. Esses meninos... Também esfolei muitos dedos na infância. Mas ganhei outras coisas nessas mesmas ruas de lama e pedras. Tanto tempo depois, vejo o saldo. Que não se mesura, apenas suspeita-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo rapidamente da saúde, mental e física. Estive muito mal, em falso no mundo. Como uma mesa sem duas de suas quatro pernas. Também dores de barriga, digo, no estômago, e mais um bocado de outras tantas coisas que nem sei se vale realmente a pena. Mas eu digo. Acho que vão entender, ou não, por isso digo. Meus amigos, fiquemos em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que estejam todos muito bem. Espero. Porque esperar é, às vezes, a única coisa que podemos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-3650165154417875841?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/3650165154417875841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=3650165154417875841&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3650165154417875841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/3650165154417875841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/03/srie-epistolar.html' title='[série epistolar]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_qd3nzR8bhN0/RgU3l_uUE_I/AAAAAAAAAAM/C-NsD-h3-vs/s72-c/pollock.stenographic' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-117146978389183898</id><published>2007-02-14T13:04:00.000-03:00</published><updated>2007-02-15T08:56:40.719-03:00</updated><title type='text'>A grande sacada dos Salles</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/766072/dossie_destaque.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/652614/dossie_destaque.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outubro de 2006. Nas bancas, descomunal, uma nova revista. Espanto, mal cabia na bolsa ou na mochila. De antemão, incômoda, mesmo se carregada, à moda das bíblias, debaixo do braço. Religiosamente. Do título, exceção feita às informações de natureza geográfica, pouco ou nada se sabia. Nem mesmo os seus criadores, Walter e João Moreira Salles. “Porque sim” era a resposta que davam quando indagados acerca dos motivos do nome: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://revistapiaui.com.br"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Piauí&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. Regionalismo, polissemia, iconoclastia – nada disso. Apenas o desejo de fazer troça. Com tudo e todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capa da edição inaugural de 26,5 centímetros de largura por 35 de altura, o gracejo que logo se converteria em digital: um pingüim de geladeira. Sobre a cabeça do pequeno animal, uma boina verde-oliva encimada por uma estrela. Vermelha. No rastro da brincadeira, pequenos e cotidianos surtos de uma “esquerda” que se esqueceu de dobrar a esquina e acabou dando com a cara no muro. Que caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decorridos trinta dias da aparição do pingüim de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://revistapiaui.com.br" target="window"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Piauí&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; – lançada durante a última Festa Literária Internacional de Parati, a Flip –, nova heresia. Habitando a capa da edição de novembro, Bart Simpson – cujo rosto estampava-se numa camiseta vestida por um nada simpático Che. Nos meses seguintes, outros temas e cores mais ou menos polêmicos ganhariam suas páginas, por cujo espaço também desfilaria um grupo de aparentes desocupados, muitos dos quais com amplo histórico de atividade jornalística. Sempre confundem jornalismo com falta do que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natação, línguas indígenas na iminência do desaparecimento, homens e mulheres anônimos, famosos e muito famosos. Maratonas de samba, partos que se transformaram em aventura, além das famosas seções dedicadas a questões de natureza diversa, abarcando de tudo um pouco. Esquinas literárias. Horóscopo às avessas. E diários. Em retalhos, fiapos de vidas que se apresentam entre o riso e a cólera: a escritora radicada em NY, o médico plantonista, o ascensorista. Uma miríade de assuntos pouco recorrentes em sites de pesquisa na Internet. À exceção de Lili Marinho, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;/span&gt;&lt;a href="http://revistapiaui.com.br" target="window"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;site&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; da revista, novas novidades a cada mês. Além de todo o conteúdo disponível para acesso, figura uma singela edição. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/anteriores.htm" target="window"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O número Zero de Piauí&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, em formato PDF, traz oito textos que, por uma razão ou outra, deixaram de entrar no primeiro número da revista. Um dado que, por si só, desperta a curiosidade do já arrebatado e abestado leitor. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-117146978389183898?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/117146978389183898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=117146978389183898&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117146978389183898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117146978389183898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/02/grande-sacada-dos-salles.html' title='A grande sacada dos Salles'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-117011642132617559</id><published>2007-01-29T21:17:00.000-03:00</published><updated>2007-01-30T13:21:14.876-03:00</updated><title type='text'>Perfis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Por Henrique Araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O nome dele é Francisco, tem 30 anos, três filhos e uma carteira de índio. “Tapeba”, diz o documento emitido pela Funai e exibido com orgulho. Palmilha, a cada dois dias, a distâcia que separa a aldeia Ponte da casa de um amigo que mora no Icaraí, em Caucauia, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Sem tomar café nem comer nada, me larguei na estrada às cinco da manhã”, conta, gabola. Claro, modo de dizer. O que ele tem mesmo é orgulho, não apenas de ser índio e, dentre os poucos que ainda restam, tapeba. O consolo vem mesmo é da capacidade de ir seguindo, à revelia da sorte e da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estradinha asfaltada, Francisco aguardava à sombra do extenso muro. Do lado de dentro, um grande jardim e uma área de lazer excepcionalmente arborizada. Um pé suspenso, outro servindo de apoio ao corpo extenuado, Chico, em meio a tanta poeira, viu o Santana verde aproximar-se devagar. Meia dúzia de palavras depois, e ele retornava para a aldeia onde o aguardavam a esposa e três crias – uma de três meses, uma de 6 anos e outra de 9. “Hoje tá difícil de conseguir alguma coisa”, comenta ao acaso. O motorista do Santana aproveita a deixa de Chico – foi assim que ele se dirigiu ao homem de pele escura – e costura a sua própria cantilena. Os três conversam, escutam e lamentam. Mais lamentam, cada qual a seu modo, do que conversam ou escutam. A miséria de Chico, entretanto, é magnética como os olhos azuis de Maria Sharapova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de Chico, ainda no Icaraí, em frente a um condomínio a poucos metros da praia, o Santana verde encosta na calçada. São 12h30, e o homem de aparência exótica estica o pescoço para fora da janela e pergunta, cansado, o preço da passagem cobrada nos ônibus que seguiam para Fortaleza. Minutos depois, os dois conversam no veículo já em movimento. “Comprei esse carro apenas pra fazer lotação”, confessa o motorista, que mora no Tabapuá, bairro de Caucaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos sob o viaduto que corta a avenida Mister Hull, ao lado do terminal do Antônio Bezerra, disputando passageiros “à tapa”, cobrindo viagens ao seco interior do Estado e retornando com alguns gatos-pingados. Um pouco antes, mototaxista. Chegou a comprar duas vagas, mas desistiu do negócio. “Não sou morredouro, saio logo antes do fim”, explica-se o homem de bigode ralo e barba de três dias. Agora, empreendia viagens, ganhava o suficiente para viver e adquirir, a prazo, um computador novo. “R$ 2,4 mil, faz tudo. Comprei mesmo com uma única intenção”. Da porta do Santana, o motorista retira um feixe de CDs de bandas e cantores famosos. Os discos, cerca de trinta, eram envoltos por capas impressas em preto e branco. “Tenho agora de comprar uma multifuncional e uma moto. Depois, é sair pelo mundo vendendo CDs”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largar antes do fim, ser imorredouro, ir adiante. Às cinco, sem café-da-manhã. “É assim que tem sido, mas a gente tem que ir em frente. Quando escuto histórias como essa do índio, dou graças a Deus por ter este carro velho mesmo, de ganhar, todo dia, meus vinte ou trinta reais”, consola-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico descera há bem pouco, sem pagar, deixando para trás um rastro de não sei que sentimento. Era uma vida injusta com todos. Ainda no carro, o membro da aldeia Ponte, filho do cacique e homem de pernas muito bem aprumadas havia apontado até onde, há muitos anos, se estendiam as terras indígenas em Caucaia. Dos dois lados da BR-222, largas faixas de uma terra parda, hoje ocupadas por construções diversas e muitos postos de gasolina. “Aquele ali não foi pra frente, foi impedido. Mas tem o vizinho, que conseguiu autorização. Não entendo é como um consegue e o outro, não, já que é tudo terra do índio”, questiona-se Chico, que hoje vive do artesanato tapeba. Naquela manhã, porém, os cordões feitos com sementes não haviam garantido nada para o almoço, e o peixe que, na sacola, exalava um odor apurado, lhe tinha sido dado por um homem qualquer. “Quando ganhei dele, ainda de manhã, estava bem fresco, duro. Agora, parece que amoleceu”. Chico, porém, insiste em permanecer duro. Pedra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-117011642132617559?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/117011642132617559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=117011642132617559&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117011642132617559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/117011642132617559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/01/perfis.html' title='Perfis'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116968426642425961</id><published>2007-01-24T21:11:00.000-03:00</published><updated>2007-01-25T13:35:42.286-03:00</updated><title type='text'>Os vagamundos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/727089/ilustres.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/106951/ilustres.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Então era sair pelas ruas, as ruas do centro da cidade, e conversar; andar e conversar. Circular. E ouvir as histórias que, ao fingido acaso, lhe brotassem enquanto caminhavam todos através do rebuliço citadino de Fortaleza, varando sombras e estacando em praças. Então era bulinar as memórias do menino, saber-lhe a vida em pormenores e tantos outros porquês que a gente acaba esquecendo para lembrar depois, e, a partir do mosaico, reconstruir-lhe a vida – eis a proposta. Mais o gancho jornalístico: lançamento de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Crônica Reporteira de João do Rio&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, ocorrido na última sexta-feira, 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que segue, pois, é matéria de memória afixada em papel jornal, sim; memória pessoal e coletiva, afetiva e profissional. Ronaldo, não o famoso, mas o nosso de cada dia – o mesmo que, anos antes, aboletou-se sobre a vida de um carioca de espírito e obra imorredouros –, caminha e, no caminhar, forma um arco sobre si mesmo. No entorno do homem, jornalismo, literatura e, liga a embaralhar tudo isso, João do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista, alinhavada por Pedro Rocha em parceria com a jornalista Ana Mary C. Cavalcante, mais um punhado de textos da lavra do primeiro deram o ar da graça num caderno especial do jornal &lt;a href="http://opovo.com.br" target="window"&gt;O Povo&lt;/a&gt;, há dois domingos. Os links seguem, logo ao fim do texto, e nos trazem as impressões de Ronaldo Salgado, jornalista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), acerca da vida e obra de João do Rio, famigerado jornalista carioca sobre cujas costas pesam os louros da criação de um fazer jornalístico moderno, arejado ainda que enfiado num alvo e engomado terno branco. O trajeto escolhido para a conversa ao pé-do-ouvido não poderia ter sido outro: como ponto de partida e de chegada, a praça do Ferreira. Entre o fim e o começo, a General Tibúrcio ou praça dos Leões, o Mercado Central e o Passeio Público. Costurando tudo isso, as impressões de um hedonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ótima leitura!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661970.html" target="window"&gt;O cronista da Belle Époque&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661968.html" target="window"&gt;Ronaldo, seu vagabundo!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661978.html" target="window"&gt;Os morros e os salões do Rio de Janeiro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://opovo.com.br/opovo/vidaearte/661971.html" target="window"&gt;Paulo Barreto na barriga de João do Rio&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116968426642425961?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116968426642425961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116968426642425961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116968426642425961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116968426642425961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2007/01/os-vagamundos.html' title='Os vagamundos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116569164042120609</id><published>2006-12-09T15:35:00.000-03:00</published><updated>2006-12-11T10:20:59.206-03:00</updated><title type='text'>Covas e Tilápias</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/770219/l??pide.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/688219/l%3F%3Fpide.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; por henrique araújo&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/22888/Img_0066.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/322845/Img_0066.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De bicicleta, chegam, juntamente com o cheiro-verde e o pimentão, as tilápias. Vinham embrulhadas em sacolas pardas e custaram, segundo o ajudante-de-coveiro, R$ 6 cada uma. Encostado a uma lápide, sob a qual dormem "um enforcado e um envenenado", José Ferreira dos Santos, 73 anos, protesta: antes tivesse depositado o dinheiro no banco, para render. O ajudante, àquela hora esfomeado, ofende-se e rasga a desrespeitar José Ferreira, chamando-o de “velho doido”. “A gente morre, e o dinheiro fica pra quem, velho?”, perguntava exasperado enquanto descia da bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/373743/Img_0059.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/601818/Img_0059.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Adriana tem 35 anos e é natural de Fortaleza. Diariamente, pouco antes das dez horas da manhã, sai de casa, no bairro Vila Velha, e apanha o ônibus que a deixa a poucos metros de onde o marido, Francisco Cunha dos Santos, trabalha. “Venho fazer o almoço e acabo tendo de esperar até ele terminar. Quando tem muito trabalho, a gente dorme aqui mesmo”, diz. Ao lado da saleta onde Paulo César de Sousa, o administrador, atualiza o cadastro dos proprietários de lotes, Adriana e o marido aninham-se após cada jornada diária. O cômodo é estreito, e as baratas, segundo Paulo, são ali os grandes inimigos a serem batidos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Naquela manhã, Adriana recebe os dois carás das mãos do ajudante-de-coveiro. O procedimento é conhecido de todos: primeiro, retiram-se as guelras e as vísceras da “mistura”; em seguida, após descamá-los, Adriana os deposita numa bacia com água pela metade, na qual ficam durante alguns minutos antes de receberem duas boas mãos de sal. Dali, o próximo destino é, certamente, a panela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/476199/peixe.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/43517/peixe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto a água da torneira escorre na bacia, tornando cada vez mais branca a carne do peixe, Adriana conversa. Não tem filhos, mas os espera para breve. Da profissão do marido, coveiro há 23 anos, apenas uma reclamação: não tem folgas. Cunha abre covas de sol a sol e, quando novembro está próximo, o expediente estende-se madrugada adentro, sem hora para terminar, tantos são, além dos próprios enterros, os pedidos para reparos na capela do cemitério e nas lápides. O dia-a-dia do casal é, portanto, intramuros – não os de seu domicílio, mas os do cemitério. Não tem lazer, horas de folga e os momentos de total intimidade são como agulhas encontradas no palheiro. A solução para parte dos problemas que enfrentam, segundo Adriana, seria muito simples. Um carro resolveria tudo, suspira a morena. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Distante, Francisco Cunha dos Santos, 41 anos, prepara a argamassa com que irá alisar um dos mais de mil e oitocentos jazigos que, desordenadamente, povoam o espaço do cemitério Santo Antônio, na periferia de Fortaleza. Além de sepultar, Cunha, como é que conhecido dos vivos e mortos, também é pedreiro e faz, na maior parte do dia, pequenos reparos nos túmulos pertencentes às famílias que podem pagar pelo serviço. O que ganha, para variar, não cobre as despesas, e, do carro que corta veloz os sonhos de Adriana, Cunha admite: não pode comprar sequer o pneu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Se a gente economizasse, Cunha, dava até pra comprar”, insiste Adriana, ao pé do fogareiro arranjado entre duas lápides que fazem as vezes de mesa. “Nem o pneu a gente pode comprar”, silencia o marido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Cavando as memórias&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/58227/corredor.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/517327/corredor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ainda sobre a lápide dos dois homens mortos de forma trágica, seu Ferreira talvez estranhe: embora tenha a barriga cortada por duas hérnias, o “caboclinho”, apelido de infância de Cunha, surpreende pelo vigor e coragem. Uma imagem bastante diferente daquela de trinta anos atrás. Vindo de Itapipoca, município do interior cearense, tangido pela seca de 1958, seu Ferreira foi trabalhar na construção civil. Conheceu a mulher pouco tempo depois e logo se casou. Do matrimônio, quatro filhos, dois dos quais calharam de ser coveiros: Cunha no Santo Antônio e o irmão, no cemitério do Mucuripe. Hoje, o pai de Cunha é aposentado, mas ainda faz “biscates” no cemitério, vigiando túmulos de famílias mais abastadas. “Não posso mais trabalhar, já passei por seis operações, todas mal-sucedidas”, brinca seu Ferreira, o “velho doido”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quanto ao filho, não esconde a admiração. E, para confirmar, conta uma história da época em que moravam no Pirambu: “Ele era muito magro, vivia doente. Nasceu de sete meses, gastei muito dinheiro com ele. Chegava o povo e dizia: esse aí não se cria, não”, relembra seu Ferreira, pai de Cunha e pedreiro por profissão. O que se segue, ele conta às gargalhadas. “Até que um dia eu ganhei um peba de um amigo, coveiro no São João Batista. Levei pra casa, engordei o animal. Quando fui abater, tive que sangrar; quando vi, o menino tinha enchido um copo com o sangue do bicho e bebido todo. Pensei que fosse morrer, mas começou foi a engordar”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/320/489008/fogareiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Segundo o pai, caboclinho aprendeu a profissão ainda criança, quando tinha dez anos. Desde então, não saiu mais do cemitério. O primeiro morto a ser sepultado pelo filho foi como o último: apenas um corpo de homem ou mulher a ser coberto de terra. Perguntado, Cunha relembra: “O primeiro está duas lápides adiante”, diz apontando com a mão esquerda o exato local. Vexame, apenas quando lhe pediram para enterrar um homem ao lado de outro que fora levado para lá havia pouco tempo. Ao abrir a lápide, o coveiro percebeu, da pior maneira possível, que o defunto ainda estava “fresco”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“E o médico da prefeitura ainda tem coragem de dizer que esse trabalho não é insalubre. Da próxima vez que ele vier aqui, vou jogar um pedaço do morto em cima dele”, desafia Cunha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Antes do meio-dia, macarrão escorrido, arroz cheirando na panela, o peixe fica pronto. Apesar da falta de espaço, Adriana esmera-se na cozinha, caprichando sempre. Cunha interrompe a conversa e o trabalho na lápide para provar mais uma vez do tempero da esposa. De um jazigo próximo, improvisa-se a mesa para o almoço; Cunha faz da bacia onde Adriana lavara os peixes o seu prato. Olha com prazer as tilápias estiradas na bacia. Sequer lembra daquilo que o p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ai &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;tinha recomendado ao ajudante: que depositasse o dinheiro no banco, para render.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116569164042120609?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116569164042120609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116569164042120609&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116569164042120609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116569164042120609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/12/covas-e-tilpias_09.html' title='Covas e Tilápias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116540941599271178</id><published>2006-12-06T09:39:00.000-03:00</published><updated>2006-12-07T20:27:20.960-03:00</updated><title type='text'>Cadeira com rodas chega à Parangaba</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/1600/268097/Parangaba_web.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4403/1978/400/786680/Parangaba_web.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Texto: Tiago Coutinho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Foto: Tiago Régis&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Lorena dorme na casa da mãe. Na mesma noite, a rádio Cidade toca uma música que agrada Paulo. Ele não pode ficar muito distraído. Se bobear, a galera entra pelo portão sem pagar. Aí, ele se fode. É chamado atenção. O terminal da Parangaba não possui muros. De dentro, dá até pra vê os anúncios do show de forró que acontecerá em breve. Lá o vento sopra mais forte e carrega consigo, às vezes, pessoas com a intenção de burlar a segurança. Paulo precisa pregar os olhos nos dois portões principais. Um para cada olho. O suficiente. Nos finais de semana, principalmente, alguns bebos chatos perturbam para entrar. Ele precisa dizer não. Está no emprego há pouco mais de dois meses. Precisa garantir os 464 reais, os vale-transportes e os vale-refeições. E manter a casa, onde mora com Lorena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorena dorme, ou não. Talvez, perto dos trilhos, a noite esteja mais animada do que os ritmos dos fones de ouvido de Paulo. Nos trilhos. Nas trilhas. Os esquemas, as paradas. Já faz um ano que aquela história aconteceu. Há uns três meses, esteve no Fórum Clovis Beviláqua e viu que sua ficha tava limpa. Ficou orgulhoso. A história parece estar resolvida. Foi tão rápido. E tanta coisa aconteceu no pequeno tempo de um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Leandro. 18 anos. Negro. Casado com Lorena. Cursa o segundo ano do segundo grau no colégio Eduardo Campos, no bairro morro do ouro, perto da sua casa. Nas terças e nas quintas-feiras, bate um racha com os amigos na escola. A aula termina mais cedo. Vigia o terminal de ônibus da Parangaba. Trabalha um dia sim e outro não das 23h às 5h. Mora no Beco da Rapousa, perto do Jacarecanga, perto do Hiper Mercantil, onde tem uns trilhos; perto do Liceu do Ceará, onde vai fazer cursinho pro vestibular. Quer cursar Administração. Deseja ter um bom emprego. Ouviu dizer que na Fanor pode estudar de graça por causa do Prouni. Vai se informar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar ao emprego, ele anda até a Francisco Sá. Pega o clube dos regatas e segue direto. Rumo ao terminal. No caminho, os fones não saem do ouvido. Gosta de reggae, pop rock e hip hop. Curte Racionais e MV Bill. Nas noites em que está fora de casa, Lorena, sua esposa, com medo de dormir sozinha, vai pra casa da mãe. Espera Paulo chegar de manhã. Tomam café da manhã juntos. Eles se amam.O olhar dele ao falar dela não nega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão juntos há quase quatro anos. Ela tem 15. Ele, 18. Sempre moraram pertos. As famílias se conhecem. Quando quiseram dormir juntos, as mães não deixaram. Paulo não podia dormir na casa de Lorena. Lorena não podia passar a noite na casa de Paulo. Saíram de casa. Arrumaram uma casinha ali mesmo, pelas bandas do Beco da Rapousa. As mães ajudam nas contas. E eles podem dormir juntos, tranqüilos. Mas não todas as noites. Noite sim, noite não. Paulo trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias desses, Paulo terminou de ler um livro alugado na biblioteca do seu colégio. Gostou. Chamava-se "O Pensamento". Era a história de um cara que contava sua própria vida. Desde o comecinho, quando era moleque e freqüentava à escola. Depois procurava um emprego, uma mulher. Era isso. A vida do cara.- E, você, Paulo, não quer escrever sua história também? Escreve aí, cara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Só tem coisa que não presta. – E enrolava nos dedos os fios que seguram oseu rádio. Olhos atentos para o chão – Eu fazia coisas erradas.&lt;br /&gt;- Que coisas?&lt;br /&gt;- Coisas erradas. Drogas...&lt;br /&gt;- Você consumia?&lt;br /&gt;- Consumia e vendia. E roubava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais, enrolava nos dedos os fios de um lado para o outro. Girava de um lado para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contato era a galera de depois da passarela, ali perto dos trilhos do Hiper Mercantil da Bezerra de Menezes. Lá tem umas paradas certas. Os caras encomendam uns modelos de celular. É só ir atrás e trazer que a grana ta garantida. Primeiro só no grito. Um canivete talvez. Depois veio o toca fita, um 38, seqüestro a mão armada, até atirar nas pernas de alguém que tentou reagir e quis correr. A mãe ameaçou colocá-lo para fora de casa por causa do silêncio. Ele não dizia de onde conseguia o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha maconha, tinha pó. Tinha umas vendas pelos lados da Praça da Lagoa. A Lorena não gostava. Ele negava. Mas ela sabia que o acontecia. Todo mundo sabia. Até que veio o vacilo pra confirmar. A Febem pegou duas vezes e soltou. Na terceira, ficou 48 dias. Apanhou sem motivo. Ficou na tranca esperando sem camisa uma vaga em uma das celas. Depois saiu. Viu que o esquema era sério. Já faz um ano. Se arrepende. Tem vergonha de escrever, mas talvez goste de contar com o motivo de superação e orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo conta a história. Edvaldo, do lado de fora, tenta entrar de graça no terminal. Não pode! Deixar eu entrar, aí, mah... Edvaldo desiste. Senta na calçada. Escuta a história de Paulo. A tensão arma o cenário. E o radinho balança ainda mais forte entre os dedos de Paulo. É Febem, né? – interrompe Edvaldo. É! Eu, graças a Deus, nunca fui pegue. Já tou com 17 anos. Edvaldo pergunta se Paulo conhece uns amigos dele. Parece que sim. A cuspida constante marca cada fala. Edvaldo tem uma mulher e uma filha. Para sustento, vende bombom. Quer entrar naquela noite de graça no terminal. Mas o terminal só tem vendedor de bombom cadastrado. São 48. Quando abriram as vagas pro da Parangaba, ele perdeu a chance. Mas parece que morreu um cara há pouco, e ele vai entrar nesse esquema. Edvaldo senta na calçada. Eles conversam. Paulo no banco, dentro do terminal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116540941599271178?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116540941599271178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116540941599271178&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116540941599271178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116540941599271178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/12/cadeira-com-rodas-chega-parangaba.html' title='Cadeira com rodas chega à Parangaba'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116165093281419332</id><published>2006-10-23T21:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T22:07:26.640-03:00</updated><title type='text'>Sob o teto de benjamins</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/sem%20t??tulo.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/sem%20t%3F%3Ftulo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;Texto: Henrique Araújo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O homem, ou mulher, cochilava&lt;/span&gt; debaixo dos benjamins pendurado ao pescoço de Raquel, a escritora, enquanto, num banco próximo, seu Galdino, elegantemente vestido para um início de manhã, mergulhado nas próprias lembranças, respondia as perguntas de um estudante. Noutra quina da praça, o Valdeci, senhor apequenado e tímido que cuida da General Tibúrcio juntamente com outros três idosos participantes do projeto Encanto das Praças – e que, por isso, recebe a bagatela de R$ 150 da prefeitura de Fortaleza –, acendia um cigarro na brasa do outro. A poucos metros, o amigo falante de seu Valdeci dava informações a um grupo de estudantes de jornalismo. Ele, no seu cantinho, apenas observava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Seu Valdeci, o que foi aquele prédio torto ali?”, perguntava apontando a construção inclinada para a esquerda e cuja pintura descascava em muitos pontos. “Pergunte ao outro, o Francisco, que ele sabe. Eu não sei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ali, meu filho, funcionou o comitê do PMDB, eu trabalhei por lá durante muito tempo, hoje só tem um vigia que vive colocando a molecada pra correr do prédio”, explicava um Francisco solícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Enquanto os vendedores vendiam&lt;/span&gt;, os engraxates engraxavam, os devotos rezavam e os vagabundos vagabundeavam, o estudante ouvia atento seu Galdino. Haviam chegado à praça quase juntos, ele, atrasado para a aula de campo; Francisco Galdino Neto, na hora exata. À distância, o professor-orientador apenas farejava – esperava que, posteriormente, um dos alunos escrevesse sobre o episódio da estátua. Ou sobre qualquer outra coisa, desde que escrevesse. Afinal, diria dali a dois dias, já em sala de aula, não é possível que alguém chegue numa praça e, depois de três horas sentado num banco, simplesmente afirme não haver histórias para relatar. Ali, por exemplo, estava uma: a da estátua de Raquel de Queiroz confortando um provável coração em frangalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Praça General Tibúrcio ou Dos Leões, sobressai-se a imagem pré-estabelecida: prostituição e insegurança. Naquela terça ou quarta-feira, porém, não se viam as meninas – ou, pelo menos, nenhuma que correspondesse ao perfil que se espera de uma “mulher da vida” – e, das quatro esquinas da praça, pelo menos uma estava ostensivamente ocupada por viaturas da Guarda Municipal de Fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje tem até um policiamento por aqui. Acho que já é o projeto do governador eleito, o tal da ronda do quarteirão. Deve ser isso”, estranha seu Galdino. E, num movimento de memória cuja razão espanta, relembra também o nome dos guardas que por ali se abancavam nos idos de 1940. “Eram dois, um chamado Cordeiro Neto e outros dois, Cosme e Damião. Aliás, tinha só dois não. Eram uns quatro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Era, sem sombra de dúvida, terça-feira&lt;/span&gt;. O mês, outubro. Fazia sol, o tempo abafado nesta época do ano. Em seguida, uma chuvinha fina. Na praça, a passarinhada dava o seu show particular. Em bandos, papagaios, ou louros, azucrinavam o juízo de uns; para outros, amainavam o ruído do trânsito ainda lerdo na avenida Sena Madureira, umas das quatro que demarcam um dos quadriláteros mais prenhes de memórias, individuais e coletivas, no Centro. Em verdade, se aquele miolo de cidade fosse uma penteadeira, certamente a Praça dos Leões ocuparia, ao lado da Praça do Ferreira, lugar de destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito de uma pergunta que lhe fizera o menino-repórter, seu Galdino, sem pressa, enfia a mão no bolso traseiro da calça rigorosamente engomada. Entre os documentos, salta à mão o registro da habilitação, exibido com orgulho. “Preciso de lente pra nada, sei dirigir muito bem. O médico é que não recomenda”, confessa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes disso, já havia dito da peleja que fora a vida, as idas e vindas entre Cascavel e Fortaleza, o casamento, à beira de completar sessenta anos, com Maria Margarida M. Galdino e o tal do pega-pinto do Mundico, a dois quarteirões de onde estavam agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nos finais de semana, a diversão era vir até aqui, engraxar os sapatos com o Jacques – à época, o único engraxate nas redondezas – e depois apanhar o bonde ali na esquina. Sim, ali mesmo ao lado do prédio da assembléia. É. Por ali passava uma linha de bonde. Dali seguíamos até a Praia de Iracema. Chegando lá, era tomar banho e voltar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;“E o pega-pinto?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, era uma mistura que o Mundico, dono de uma lanchonete aqui perto, fazia e dava pra gente”. Ajudava, de acordo com seu Galdino, a fazer descer garganta adentro “meio-pão sem manteiga”. Depois, era ir embora. Eis o barato de outrora: praia de Iracema e pega-pinto do Mundico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Aos 82 anos&lt;/span&gt; e morando no bairro Edson Queiroz, seu Galdino enfrenta a distância e, de ônibus, desembarca na Praça dos Leões diariamente. Procura, sem pestanejar, um banco. Dali a pouco chegarão os amigos de dominó, cerca de quatro ou cinco rapazes, contemporâneos seus, que varrem a manhã encurvados sobre uma tábua gasta pelo arrastado das pedras. Valdeci, agora decidido a falar, atesta: “Eles jogam todo dia aqui, a manhã inteira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E jogam mesmo. Ao erguer a cabeça do bloco – o maldito bloco de notas –, encontra seu Galdino, já de pé, lhe estendendo a mão. Cumprimentam-se: viesse mais vezes, que estavam ali quase todos os dias, dizia o senhor. O “quase”, claro, é um baita eufemismo – a verdade é que, dia sim, dia sim, os meninos levantam vôo de seus lares, largando os seus e, dentes na fresca, reúnem-se em torno do tabuleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Convite aceito, o de seu Galdino&lt;/span&gt;. O menino-repórter, triste por lhe faltarem tantos capítulos da história interrompida sabe-se lá em que ponto, fazia cálculos para os próximos dias. Acaso lhe sobrasse algum tempo,voltaria à praça. Não pela estátua da Raquel, de resto deslocada entre feras – o Gal e os felinos. Mas, à cata dos capítulos que Galdino ainda lhe devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já distantes, a trupe de jogadores inveterados de dominó se prepara. Armam o ringue. Começam a partida. Logo caem respingos de uma chuvinha que deixa qualquer um esbaforido com o mormaço subindo e, sem pedir licença, invadindo as narinas de quem ali estava. Era o jeito mudar, banco era o que não faltava. Foram arranjar-se ao lado de umas plantinhas espinhosas. Escorregasse a perna do banco e, de costas, seria o adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A postos, começa, finalmente, o game. Em pouco, seu Galdino dispara com três vitórias consecutivas, mas logo é alcançado. No encalço, o páreo mais duro, senhor empertigado e metido a galanteador. A sorte, pelo visto, lhe vira as costas, e permanece cinco ou mais partidas sem vencer. Àquela altura, todos, à exceção do mais novo entre eles, emparelham-se com mais de seis pontos cada um quando, as pernas estalando de dor, o menino-repórter desiste de assistir e vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Antes, tivera o cuidado&lt;/span&gt; de anotar expressões, pensamentos e lances da vida mirabolante de seu Galdino, que prefere não contar. Ou, por outra, achou por bem aguardar. Afinal, são, como gosta de dizer o amigo, mais de 60 anos “pastorando vento” na praça dos Leões ou General Tibúrcio. Quando de posse do retrato inteiro, e não apenas dos pedaços, diz como foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, esbarra nos colegas de sala. Fulano enfiara-se na igreja: o pároco tinha permitido a visitação extemporânea. De modo que, encimados na torre, tinham visto a praça coberta de benjamins e, ao lado, após terem procedido às mesmas explicações – a saber, de que eram estudantes e outras coisas –, conseguiram permissão para subir ao último andar do velho Hotel Brasil. De lá, descortinaram boa parte do centro de Fortaleza e o mar e o céu azul que doía na vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Em baixo, o menino-repórter&lt;/span&gt;. Ele, sim, tinha voado pra longe nas memórias de um velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;span style="font-size:180%;color:#666666;"&gt;the end&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116165093281419332?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116165093281419332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116165093281419332&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116165093281419332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116165093281419332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/sob-o-teto-de-benjamins.html' title='Sob o teto de benjamins'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116163308390664959</id><published>2006-10-23T16:40:00.000-03:00</published><updated>2006-10-23T16:51:23.923-03:00</updated><title type='text'>Duas boas notícias</title><content type='html'>Doze dias sem um post... O que diriam desse blog os teóricos, ou não, da comunicação online e sua dinâmica? Melhor não saber. O certo é que depois de um longo planejamento com direito a viagem e tudo, o TR.E.M.A. começa a juntar as coisas. Notícia boa que pode daqui há alguns dias começar a dar fim a essa intermitência crônica da qual padece esse blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa! O grupo conseguiu ter dois projetos aprovados no Edital das Artes da Funcet e em 2007 não terá que tirar dinheiro do bolso para pagar as passagens de ônibus para a série Cadeira com Rodas, seja escrevendo ou gravando.... Depois a gente apresenta melhor as coisas pra quem ainda insiste em passar aqui em frente e vê se está aberto ou se ainda fechado para balanço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abraço galera,&lt;br /&gt;pedro rocha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116163308390664959?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116163308390664959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116163308390664959&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116163308390664959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116163308390664959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/duas-boas-notcias.html' title='Duas boas notícias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116061831589789830</id><published>2006-10-11T22:52:00.000-03:00</published><updated>2006-10-20T10:59:45.970-03:00</updated><title type='text'>O avesso do farol</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/n543214102006165743.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/n543214102006165743.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#666666;"&gt;Texto: Henrique Araújo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;“Farol é fruto de uma decisão política afinada com a criação de instrumentos que possibilitem o encontro de diferentes grupos sociais e territoriais. Projeta-se sobre a cidade polifônica, lugar da humanidade plena, do cruzamento de distintos espaços e tempos, da troca de narrativas que dão sentido à vida e das inúmeras formas de reinventá-la”.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;E por aí vai...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;À guisa de lead (ou parágrafo introdutório contendo as informações mais relevantes para o leitor)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lançada pela Prefeitura Municipal de Fortaleza no começo de outubro, a revista Farol tenciona, segundo entrevistas que pipocaram, paradoxalmente, nos cadernos de cultura dos principais jornais da cidade, fazer incidir seu cone de luz sobre essa zona em penumbra que é a periferia de Fortaleza e demais grotões de miséria encravados nas chamadas “áreas nobres”. Não uma luz permeada de néon. Absolutamente. A luz a que se propõe Farol é de natureza diversa. São cinqüenta páginas de texto e imagens belíssimos. Publicação bimestral e gratuita, seus mais de 20 mil exemplares deverão alcançar, por força da mobilização das comunidades, os mais variados rincões de Fortaleza. De sua leitura, um alento. Exceto quando os textos enveredam, aqui e ali, por caminhos estilística e semanticamente cor-de-rosa, motivados pela busca desenfreada em captar a tal da “alma encantadora das ruas”. É quando percebemos o calcanhar de Aquiles do jornalismo, muitas vezes, raso de reflexões e exageradamente preocupado em humanizar, textualmente, os personagens que retrata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, ânimo para estudantes de jornalismo. Quero crer que sim, que a revisa representa a possibilidade de uma outra prática jornalística, mesmo limitada à meia-dúzia de pressupostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci de responder alguma questão seminal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Aqui tem início o texto propriamente dito&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que faz isto: pára e pensa no sentido das coisas, para que servem, como nasceram. Diante da revista, matutei: farol serve pra quê? Acertou quem respondeu orientar, dar sentido de direção, etc. A revista também cumpre esse papel, mas não apenas isso. Afinal, onde podemos encontrar o tal farol? Defronte ao mar, à faixa litorânea, mesmo que, com o passar das eras, tenha perdido importância, tornando-se anacrônico. Daí, veio a conclusão: Farol desvirtua o farol, construção cuja razão de ser é orientar a navegação no mar. A resposta é, a bem dizer, ordinária: ao invés de se voltar para a faixa litorânea – a faixa que, bem-entendido, amiúde ocupa os espaços nos meios de comunicação –, Farol projeta seu cone de luz Fortaleza adentro, iluminando-a e, dessa forma, trazendo à baila a periferia da cidade. Farol bizarro, mas necessário. É o que dizem; e eu confirmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite de lançamento no entorno do Farol do Mucuripe. Farol Velho, diga-se. Comunidade presente, participante. No palco, mistura boa: capoeira, rap e o cancioneiro popular encarnado na Caninha Verde, presente igualmente nas páginas da revista. A gente chega, aproxima-se. Ao fundo, uma massa líquida clareada pela noite de lua. Sobre nossas cabeças, o farol. Nas mãos de moleques brincantes, revistas. Algumas amarrotadas feito qualquer papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O andar no meio de tantas pessoas favorece o surgimento de alguns pensamentos. A cidade, a relação com a cidade, é a mesma que se tem com as gentes: dia a dia, azeita-se, estreita-se. Ou, pelo contrário, deteriora-se, até alcançar a ruptura. Assim tem sido. Nunca tinha ido ao farol novo – muito menos ao velho, onde estávamos agora. Surpreso, gostosamente surpreso. É bonito, imponente até. Nova iluminação, as sombras dos meninos e meninas projetada contra os muros do farol. Quem viu isso? Eleuda de Carvalho. Ao lado, escutei. A dobra no olhar, é o que Eleuda sempre busca. E acha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revista em punho, após alguns minutos, vamos embora. A vontade de ler é maior. Um pouco invejosos, confesso. Mas inveja boa, se é que há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois, no conforto de casa. Abro a revista novamente. Nas páginas, o areial do campo do América. Não apenas o campo, mas o que viceja no entorno, nas casinhas caiadas cujo sossego interior é freqüentemente invadido por... bolas. Dessas de couro com parte dos interstícios emergindo entre as costuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no campo, uma foto destaca-se – ou eu a destaco entre as demais: dois meninos assistem à partida entre o Azul e o Vermelho, final de campeonato. Os times arranjados ali mesmo na comunidade. No centro do campinho, dão início à peleja com um toque na bola. Ao fundo, encostado a uma das traves, um vira-latas ergue a perna traseira direita e, sem-cerimônia, espirra o seu jato de urina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina, ao fim da revista, sorri encantada com algo que nos escapa. Entretida com o milho, espraia os dentes muito brancos. A boca é toda bagaço de milho verde cozido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;“Farol quer contar histórias de vida atemporais, operar com um conceito de cultura ligado à vida e não apenas às manifestações artísticas consagradas, apostar na volta da grande reportagem feita de narrativas”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Entre os dois instantes flagrados por fotógrafos de Farol, muita coisa a rolar: o Passeio Público por ele mesmo – a repórter faz as vezes de Chico Xavier e, incorporando o lugar, deixa às claras o que lá sucede. O logradouro emerge, portanto, cheio de vida das páginas. O mesmo acontece com a Comunidade das Quadras e os personagens nela implicados; idem com o bairro do Mucuripe, seus pescadores, suas histórias, suas mulheres. E tantas outras narrativas, histórias que não sabemos porque ninguém se interessou em contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;“Quem faz a revista acredita, assim como o escritor Ítalo Calvino, que as palavras têm que lutar sem descanso contra a dureza e impermeabilidade da paisagem urbana e que cabe a elas retirar peso do mundo, construindo imagens de leveza”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Farol busca, grosso modo, “desafinar o coro dos contentes”. Ou, por outra, afinar o dos descontentes, enfeixando-os e contribuindo para o bom-funcionamento da engrenagem dos movimentos sociais. (Mais outras tantas coisas que não falo por preguiça). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116061831589789830?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116061831589789830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116061831589789830&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116061831589789830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116061831589789830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/o-avesso-do-farol.html' title='O avesso do farol'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-116018276378137250</id><published>2006-10-06T21:45:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T16:39:18.093-03:00</updated><title type='text'>Num quintal indígena</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC09029.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC09029.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC09010.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Texto e fotos: Raquel Gonçalves&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Capítulo 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma sábado se segue e o sacrifício da labuta às 8 da manhã se mistura com o tesão de estar ali, simplesmente ouvindo. A casa cheia de meninos parece me convidar para entrar até o quintal, onde Do Carmo e Neide, sua mãe, lavavam roupas. “Bom Dia!”. “Hoje Do Carmo não pode sair não, porque tem que me ajudar aqui”. “Fique tranqüila, hoje eu vim só pra conversar com vocês mesmo, não foi para pescar no mangue não”. “Ah, finalmente concertamos o barco, só de ‘picha’ foi 60 reais, ainda teve 20 do serviço do homi, semana que vem a gente vai pescar de barco.” Picha é o material que eles usam para remendar as fendas nos barcos de madeira, segundo Neide, é tipo o mesmo material que se usa pra fazer asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele quintal me remetia a um cenário recorrente. Um fogãozinho artesanal a lenha com uma panela de feijão em cima; um tanque/caixa-d’água, de onde se enchia as duas únicas bacias para lavar a roupa; uma tábua de madeira se fazia de banco, onde sentei e ninei o pequeno Ivo. A banheira de plástico de Ivo agora era bacia de lavar roupa também. E assim se seguiu o bate papo naquela manhã nublada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Objetivo? Simplesmente ouvir e tentar sentir um pouquinho do ser humano naquelas pessoas. “Ontem a Liduína, que é uma moça que sempre ajuda a gente, deu um fogão para Neguinha e uma cama de casal pra mim. Ela mora longe, lá no Araturi, perto do Metrópole, mas a gente foi buscar. Foi eu, Neguinha, Ivo e meu cunhado pra ajudar a trazer a carroça com as coisas. Saímos 11 horas da manhã e só chegamos de noite” Do Carmo estava entusiasmada com sua cama nova. “Aí eu dei minha cama de solteira para Neguinha. Minha cama nova é grande, quase não cabe no quarto.” Espírito de luta. Do Carmo contou do dia anterior longo e cansativo. Em suas palavras o que predominava não era o cansaço, mas sim a alegria de seus novos pertences. Mesmo quando falamos de carroça humana. Lavava roupa, intercalava com os cuidados do filho Ivo, olhava o feijão.Tudo ao mesmo tempo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Do Carmo passa aí a escova na minha chinela nova que a mulher me deu”. Gritou Neide lá de dentro. As árvores do quintal sombreava o lugar onde conversávamos, já que o sol esquentava e despontava lentamente entre as nuvens. Neide foi lá dentro fazer alguma coisa e ficamos só. Do Carmo e eu. “Eu tou querendo comprar um terreninho pra morar eu e Ivo, mas mamãe na quer não. Quando eu disse que ia ela começou a chorar, pedindo para eu ficar. Ela é muito apegada ao meu menino” “Tu não gosta daqui não, de morar com tua mãe?” “Gosto, a gente se dá bem, mas mamãe não deixa eu sair de casa as vezes. Ela não deixa eu ir pro Icaraí, por exemplo, tem medo que eu vá, diz que é perigoso. Eu nunca conheci a praia, queria ir. Nunca fui lá. Às vezes quero ir na casa das minhas irmãs também.” “Quanto é um terreninho?” “Eu vou receber um dinheiro aí por causa do Ivo, aí dá pra comprar uma casinha já pronta lá perto do Centro Cultural. Sempre que nasce uma criança, vovó assina uns papéis lá, aí gente ganha um dinheirinho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias e mais histórias iam se seguindo entre roupas, crianças e feijão. Ivo fez xixi em cima de mim. Peguei a caneca, afundei no tanque e me lavei. “Sua calça é desse tecido aí, seca rápido” disse a irmã de Do Carmo, Guga, 10 anos. “Você não sabe o que aconteceu ontem. Veio um velho aqui em casa querendo comprar um sapo que ele tinha visto aqui no quintal. Sapo grande, enorme. Queria pagar cinco reais no sapo. Aí eu peguei e fui procurar o sapo, mas ele tinha ido embora, sumiu. Mamãe acha que é pra fazer macumba. Eles colocam o nome de alguém dentro da boca do sapo e costuram” “Credo, vocês não ficaram com medo não?” “Não, eu queria era vender o sapo.” &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC09021.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Lá vem Neide com linha, agulha e umas roupas na mão para costurar no quintal, batendo papo com a gente. “Como é que foi a pesca essa semana, Neide?” “Pesquei de segunda a quinta, agora que meu filho saiu do hospital. Aquele lá que eu te contei semana passada, da diabetes. Peguei quarenta cordas de caranguejo. Fui vender no sábado e no domingo lá no Conjunto Ceará. Cada corda a dois reais. Deu um dinheirinho, mas a gente cansa muito. Antes era de monte. A gente entrava no rio, aqui mesmo na beira, pegava facinho de 5 a 6 kg de camarão, os caranguejo eram grande, agora, a gente passa o dia e a noite pescando para pegar 2kg de camarão.” Do Carmo entrou na conversa falando do calote do homem do Mercado Central. “Ah mãe, o Rogério, o homem lá dos colares não pagou tudo não. Ele só pagou a metade, 30 reais pelos colares da gente.” A venda de colar é a atividade que atualmente compete com a pesca. Catar semente para realizar o trabalho artesanal da construção dos colares ficou mais rentável do que afundar o pé na lama, mas nessas condições de desonestidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrinho Igor veio correndo lá de dentro com um chapéu de palha cheio de santinhos políticos. “Nossa quantos santinhos... você vai votar em quem Do Carmo?” sem pestanejar, “eu vou votar no Lula, porque se não a gente perde o bolsa escola. Pra deputado nas eleições passada a gente daqui de casa votou no Dourado, índio Tapeba daqui mesmo, mas ele não ganhou. Esse ano a gente vai votar no Cláudio, que é também índio, vamos ver se ele ganha”. No quintal, Igor e Guga oras brincavam com a pilha de santinhos de vários candidatos, oras brigavam. Coisas de criança. “Eu já tirei todos os meus documentos. Eu que escrevi em tudinho: CPF, título, RG. Neguinha não tem nenhum, só o registro de nascimento.” A educação é meio precária na escola da região. “Na escola a professora passa de 3 a 4 dias sem vir dá aula.” Do Carmo está na 5º série, mas não parece muito empolgada com os estudos não. Sua mãe mesmo disse “Do Carmo não vai pra aula porque não quer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo que parece Deus ter esquecido aquele lugar, há uma serenidade incrível na vida cotidiana daquelas pessoas que só pode existir pela presença dele mesmo. Apesar das dificuldades, a simplicidade transmite muitas alegrias nas pequenas coisas. “Você acredita em Deus, Do Carmo?” “Acredito, eu rezo todo dia quando vou dormir. Eu peço um bocado de coisas. Aqui na comunidade de 15 em 15 dias vem um padre celebrar uma missa pra batizar as crianças e pra rezar. Geralmente é dia de sábado. Passa uma mulher aqui nas casas chamando pra gente ir lá.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No curto caminho da casa de Do Carmo até a casa da mulher onde tem a missa, o bar está sempre cheio de gente jogando sinuca, bebendo cachaça e escutando forró. Em frente ao orelhão da vila, lá está. Algumas cadeiras de plástico, um altar improvisado e umas 20 pessoas, talvez esperando a bênção de Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-116018276378137250?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/116018276378137250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=116018276378137250&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116018276378137250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/116018276378137250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/num-quintal-indgena.html' title='Num quintal indígena'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115984347224855117</id><published>2006-10-02T23:19:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T10:28:41.196-03:00</updated><title type='text'>A todos que 'mariscam' sonhos</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/abre.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/abre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: rightfont-family:georgia;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com a ansiedade de um filho que está para nascer....&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um produto maturado pelo grupo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e produzido pela sede do corpo feminino Tr.e.m.a.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;lvez funcione&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;o teaser publicitário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Na cautela de seus passos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Seguimos rumo ao desconhecido,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Passamos por lamas e lixo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Chegamos nós ao ventre da fatídica imutável realidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O mangue vive dentro desse seio indígena&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;" &gt;Por Raquel Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em uma de nossas tentativas de planejamento, devaneios, surtos burocrático e anseios o grupo Tr.e.m.a. pensou em explorar, inicialmente, a macro temática do mangue e a relação de sua biodiversidade com os seres humanos e com urbano. Daí surgiu a idéia da vivência com as marisqueiras da comunidade indígena Tapeba, na Caucaia. O trabalho com a temática acabou se perdendo imerso em tantos projetos que o grupo tentou abarcar, porém a idéia da vivência com essas mulheres não saiu da nossa cabeça desde o dia em que nos decidimos por abraçar esta causa. As marisqueiras viraram pauta. E ai fomos nós, Angélica e eu, com um pretexto de fazer uma grande reportagem, em busca de um novo mundo que nos era desconhecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O resultado no papel não consegue transmitir os momentos reais em que estivemos em contato com essas mulheres, mas tentam remontar as suas vidas fazendo-as falar por si só de seus desejos, problemas, sonhos, anseios e medos mostrando muito além da função que desempenham. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A nossa preocupação com a naturalidade, com o não-direcionamento dos encontros, dos diálogos nos acompanharam em todas as visitas. A identificação de “jornalistas/pesquisadoras” ainda demonstra uma barreira a ser superada em muitas e muitas entrevistas e contatos que ainda virão pela frente... Mas acredito que seja possível adquirir essa naturalidade da relação que surge com esses novos contatos, mesmo com essa identificação inicialmente assombrosa. A comunicação ‘forçada e forjada’ nos entristece, principalmente quando percebemos que existe tanto isso dentro do jornalismo. Vamos tentando burlar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Das impressões primeiras... estranhamento e curiosidade. Constatações: miséria e perrengue. Mulheres que antes tinham a sustentabilidade do mangue e viviam somente da mariscagem, hoje se mostram desapontada com o rendimento da atividade. Elas buscam alternativas e encontram várias formas de ir tocando o barco. Da Maria Castoré, que abandonou a atividade por problemas no joelho, à “Maicon”, filho de quatro meses da adolescente/mulher Neguinha, 16 anos, o mangue vive em todos que por ele passam, partilhando sonhos e dores nesse espaço ambíguo de (des)harmonia.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Capítulo 1: &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Entre lama, mariscos e conversas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p style="FONT-STYLE: italic; FONT-FAMILY: verdana"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-family:verdana;" &gt;Por Angélica Feitosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ao longo do caminho, na estrada, o feminino prevalece. Cada uma com suas cordas cheias com o crustáceo vivo, cinzento, se mexendo. Numa mão. Na outra, pelo menos um menino se agarra. A cada carro que passa, elas estendem a mão. Não gritam, não falam, simplesmente oferecem. Poucos param. Seguindo a estrada, logo se avista a placa imponentemente erguida com o nome da tribo, os Tapeba, e a inscrição do Governo do Estado. Mais a frente, surge o Centro Cultural, todo de palha e madeira, imitando uma oca. Tudo muito bonito e organizado. “São artigos produzidos pelos próprios índios”, alguém avisa. Os artigos são diversos: colares, cocás, saias de palha. Ao lado da grande oca, uma pequena cerca guarda as plantas medicinais, também cultivadas pelos índios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A vista do Centro Cultural causa uma ilusão. Quando se avista a oca, acredita-se o que vai se encontrar são os estereótipos indígenas: pessoas nuas ou pouco vestidas, de cocá, arco e flecha em suas casas de palha onde vivem várias famílias, vivendo em comunidade, onde tudo é de todos. O de todos para os índios, em Caucaia, município da Região Metropolitana de Fortaleza, é, na verdade, muito pouco. O extrativismo permanece, mas o arco e a flecha, que talvez nunca tenha existido nessa região, dão lugar ao fojo e a rede. As casas de tijolo cru, doadas pelo antigo prefeito, o Domingão, logo frustram quem esperava encontrar atrações exóticas. São iguais as de muitas famílias “brancas”. Não têm saneamento e os “gatos” levam luz. “A gente já chamou a Coelce, ninguém vem, o jeito que a gente encontrou foi esse”, explica Raimunda Teixeira, índia de 62 anos, oito filhos, 30 netos e 20 bisnetos. A simpática senhora hoje é funcionária pública no Posto de Saúde Vítor Tapeba, que atende a comunidade indígena às quartas-feiras. Mas até bem pouco tempo Raimunda era Marisqueira. Gosta tanto da antiga profissão que de fez em quando ainda vai ao mangue colher seus mariscos.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;“Mas vocês procuram uma que ainda cata o caranguejo, né? Está aí a minha neta, Maria do Carmo”.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Do%20carmo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 10pt 10pt 10px 10px; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Do%20carmo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A timidez não permite que Maria do Carmo, 17 anos, olhe nos olhos. No diálogo inicial, a menina é monossilábica. Frases completas saem apenas quando vai brincar com o filho Ivo, de quatro meses.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;“O pai não é Tapeba não”, avisa. Também não namora mais ele. “Mas ele ajuda”, ameniza. Ivo não mama, por isso quando Do Carmo vai pescar, o menino fica com a mãe, ou com as irmãs. Quando não pesca, a garota confecciona colares, para vender em Fortaleza, principalmente no Mercado Central, na Jurema, bairro de Caucaia, na rua (Centro) também. Menos no Centro Cultural Tapeba.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;Aliás, a fonte de renda da maioria do povo da comunidade é a pesca e a confecção de colares. Todo mundo faz e se aprende de pequeno. “A gente pode ir pescar com você? Mas não é só para tomar banho de rio não. A gente quer pescar mesmo”, nos oferecemos. “Podemos marcar qualquer dia?”. “Uhum. Vocês ligam antes, não é?”. A conversa é interrompida pela irmã da Maria do Carmo. “Você ganhou no bingo”. Bingo? É, todas as tardes é o bingo que movimenta a aldeia. “Você aposta 25 centavos e pode ganhar até cinco reais”, explica a vencedora. “Meu lazer é jogar bingo aqui mesmo, é como eu me divirto por aqui.”&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;No dia que chega, Maria do Carmo nos recebe em sua casa. O shortinho curto, a blusa nadador e o balde com as armadilhas para pesca. Os fojos são umas armadilhas feitas com uma lata de óleo e um pedacinho de pau, amarrados com um cordão de borracha. Como isca, uma folhinha de qualquer árvore do mangue. Tanta folha fora, porque o caranguejo entra na lata?. “Ele é curioso”, explica Neguinha. Cada fojo pega um caranguejo. Maria do Carmo leva uns 50 toda vida que vai pescar, o que dá para cinco cordas, vendidas cada uma a R$ 2,00. Tem também o gereré que é específico para pegar siri. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/neguinha%20e%20maiccon.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 10pt 10px 10px 10pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/neguinha%20e%20maiccon.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Acompanham-nos até o mangue Neguinha, Francisca de Batismo, de 17 anos, índia de pele morena marcada pelos os traços Tapeba, olhos cor de mel e cabelos assanhados. Nos braços, o filho Michael (lê-se Maicon) um mês mais jovem que o Ivo. Irmã e sobrinho de Do Carmo “Eu queria que o nome dele fosse um nome indígena, mas a minha sogra jogou uma praga. Disse que se o nome dele não fosse Maicon, ele ia morrer. Maicon quer dizer Michael”, conta a mãe orgulhosa. Sempre que pesca, Neguinha carrega o Michael. Não o deixa com outros em casa de jeito nenhum! Nem com a mãe, nem com a sogra. Às vezes com o marido. Para onde vai leva o menino gordinho e corado, tudo pelo leite materno. Mas não é por ciúmes do filho que Neguinha não o larga.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;Ela, na verdade, teme que a Caipora leve o menino. Isso mesmo, o ser folclórico fumante e de assobio alto e fino. Neguinha jura que, quando a mãe estava grávida dela, a caipora deu-lhe uma carreira e só escapou porque entrou em casa. “Ela quer levar embora menino dentro e fora da barriga”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A conversa se desenrola na uma hora de caminhada até o outro lado da margem do rio, onde Do Carmo considera o melhor para a pesca. No caminho, o cheiro forte do mangue vai se intensificando à medida que se adentra. &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;A lama cobre toda a canela, se entranha nas unhas. Maria do Carmo, à frente, mostra toda a intimidade com o lugar. Sigo devagar, com receio do cheiro forte, os pedaços de pau que ferem o pé, dos respingos do barro gerado sobre as cochas e os braços. Uma infinidade de mariscos cruza o caminho. São siris, caranguejos e o curioso mão-no-olho, que parece com o caranguejo, embora menor, e tem uma enorme pata que cobre metade do que seria o rosto. Tivemos uma verdadeira aula de a céu aberto. “Tá vendo esse bicho aí? É a Maria Farofa, se você comer você fica bebinha”, explica Do Carmo. A matéria prima para a feitoria do artesanato estava ali, por toda parte: sementes, folhas, palha. “É com essa planta aqui que a gente faz o cocar e a saia do índio, ela chama ‘Ôi de Paia’, continua Neguinha.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Atoleiro na lama do mangue, água na metade da canela, espaços vazios, sem vegetação pela antiga salina, escombros de velhas casas Tapeba. “Ta vendo esse descampado aqui? Às vezes a nossa tribo vem dançar o Toré aqui, bem próximo da natureza. Eu adoro”, conta Do Carmo. Finalmente o rio. De longe, a vegetação do mangue, com suas plantas tortas, raízes à mostra. De perto, a imundície. Uma grande quantidade de lixo se amontoa na margem. Uma espécie de cemitério de chinelos, claro, sem os pares. Sacos plásticos, garrafas, roupas velhas e tudo mais que se possa imaginar. Para nossa surpresa, um copo do Mac Donald’s. Reflexo da ação de vários anos, da própria comunidade. O lixo, às vezes os índios queimam, às vezes jogam no rio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na chegada, Maria do Carmo arruma cuidadosamente as armadilhas. Um pouco distante de nós. Os caranguejos se assustam com os homens. O próximo passo é catar as pixuletas. Hein? Mariscos compridos, acinzentados, com duas conchas que protegem o animal dentro. Com a ajuda de uma canoa se chega à croa, banco de areia, seco pelo esvaziar do rio. As pixuletas são rápidas. Maria do Carmo tem agilidade, com uma pá corta a terra até ver os buraquinhos feitas pelo caminho dos mariscos. Enfia a mão e puxa o bicho gosmento, que rapidamente entra na sua proteção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;As duas aprenderam a pescar com a mãe, Neide, filha da índia Raimunda. “Minha mãe trazia a gente pequenininha pra ensinar a catar o caranguejo”, conta Do Carmo. O pai? Morreu de cirrose. A rotina dela inclui, além da pesca e da feitura dos colares, as aulas do supletivo do primeiro grau, na escola da comunidade. “Eu gosto de ser tapeba. Mesmo que pudesse, não sairia daqui não”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A intimidade delas com o lugar nos dá inveja. Elas permanecem no trabalho e continuam cuidadosamente, a zelar pelo que já foi pescado. Alguns Aratus já passeiam no fundo do balde perdidos entre nossas peças de roupas que ocupavam o mesmo espaço dos crustáceos ainda vivos. Como num desabafar Do Carmo diz “Por mim eu morava aqui, no meio dos matos. Sozinha eu não tinha coragem não, mas assim... Se viessem umas três casinhas eu tinha. Lá onde moro (Vila da Ponte) é muita zoada, fica perto da pista e as vezes tem muita briga por lá”. Uma faculdade? “Pode ser, a que estudasse a pesca”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Enquanto pesca no rio, Do Carmo sonha com o mar. “Nunca fui à praia, já vi o mar de dentro do rio das Barra, quando vou pescar de barco, mas a praia mesmo, não sei nem como é”. Um estalo. “Eita, o fojo bateu!”, avisa Do Carmo. A zoada do pau batendo na lata confirma que algum ser caiu na arapulca. E pode ser qualquer coisa, não é só caranguejo não. Até rato Maria do Carmo já pegou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Neguinha me espera no caminho de volta. O lameiro, o cheiro forte. A conversa se desenrola ao som do rinchado de catarro de Michael e dos galhos quebrados pelos pés que insistem em passar por ali. Neguinha confessa que sua condição indígena não traz tanto orgulho assim. “As pessoas ficam fazendo hora, chamando nós de índio, perguntando pelo arco e flecha ou então gritam assim: cuidado com as fechas. Eu não gosto. Quando me perguntam se eu sou Tapeba, eu minto, digo que não sou”. “Ela já furou o marido com uma faca”, cochicha Do Carmo. O motivo? Ele não quer que Neguinha saia de casa, quando ela sai, a briga está feita. “Ele quis me bater e eu meti faca nele”, confirma corajosamente. Quando o assunto é namorados, a agora falante Do Carmo desconversa. Volta a ser monossilábica. Quem sabe na próxima visita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/fecha.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/fecha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115984347224855117?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115984347224855117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115984347224855117&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115984347224855117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115984347224855117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/10/todos-que-mariscam-sonhos.html' title='A todos que &apos;mariscam&apos; sonhos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115858662892941673</id><published>2006-09-18T10:23:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T10:37:09.026-03:00</updated><title type='text'>livros artesanais</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/hex0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/hex0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Oficina de livros artesanais elaborados com material recolhido por catadores das ruas de Fortaleza. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;De 21 de setembro a 01 de outubro, no Ateliê de Artes do &lt;a href="http://www.dragaodomar.org.br/"&gt;Dragão do Mar&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Informações e inscrições: 34887601/ &lt;/span&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="mailto:literatura@dragaodomar.org.br" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;literatura@dragaodomar.org.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem vai fazer é essa galera aqui:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.eloisacartonera.com.ar/eloisa/home.html"&gt;&lt;em&gt;Editora Eloisa Cartonera&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; é um projeto artístico-social-comunitário, sem fins lucrativos, que produz livros artesanais utilizando papelão recolhido nas ruas de Buenos Aires. Jovens artistas trabalham conjuntamente com catadores de papel capacitando-os e estimulando suas próprias potencialidades através da literatura e das artes plásticas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Fortaleza, Eloísa Cartonera se instala no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura através da coordenação do poeta argentino Cristian De Nápoli e do poeta mato-grossense Douglas Diegues, trabalhando a partir de material reciclável recolhido nas ruas da cidade. Ambos já publicaram pelo projeto, e se propuseram a organizar, como primeiro número de Eloisa Cartonera neste lado do país, uma antologia de jovens poetas cearenses trans-traduzidos para o portuñol.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode crê. Isso é Território de Expressão no e do Mundo Anônimo.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115858662892941673?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115858662892941673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115858662892941673&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115858662892941673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115858662892941673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/livros-artesanais.html' title='livros artesanais'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115832728385014484</id><published>2006-09-15T10:16:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T11:47:42.406-03:00</updated><title type='text'>Tiozinho do pijama</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pijama.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/pijama.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bem... Foi sempre um problema para a gente conceituar esse tal&lt;em&gt; mundo anônimo&lt;/em&gt; do qual a gente se proclamou como um dos espaços de expressão dentro dele. Anônimo. Algo que flerta com a questão da &lt;em&gt;invisibilidade pública&lt;/em&gt;, tanto a partir dos meios de comunicação, quanto na sociabilidade diária. Pessoas que em níveis de hierarquias arraigados de nossa sociedade - que indicam leituras (ou não-leituras) de fenótipos em questão de segundos - são relegadas ao plano instrumental, não como sujeitos, mas como funções...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que isso tem a ver com o título: &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/seja-chique-e-gaste-pouco-por-tiozinho-do-pijama"&gt;tiozinho do pijama&lt;/a&gt;. Eu também não sei ao certo, mas contar boas histórias é sempre uma ótima forma de prestar carinho ao ser humano. O certo é que o tal tiozinho do pijama conseguiu subverter a ordem hierárquica que dita até os modos de vestir com uma saída sensacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo Anômimo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, totalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedro rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ps: quem lê esse blog, pode dá um alô ai nos comentários. É que a gente tá desconfiando que só o grupo e a Marília lê isso&lt;/em&gt; &lt;em&gt;aqui. Ah! Tem a Débora também.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115832728385014484?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115832728385014484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115832728385014484&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115832728385014484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115832728385014484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/tiozinho-do-pijama.html' title='Tiozinho do pijama'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115807563187144756</id><published>2006-09-12T09:26:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T12:48:29.036-03:00</updated><title type='text'>A Diarista</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/vap01_natalia.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/vap01_natalia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Salve, Salve Natalia Viana, jornalista da Caros Amigos, de olhar e texto sinceros. Na reportagem &lt;em&gt;O trabalho e os dias&lt;/em&gt;, que o TR.E.M.A. foi catar na seção &lt;em&gt;Vale a pena ler de novo&lt;/em&gt; &lt;a href="http://www.carosamigos.com.br"&gt;no site da revista&lt;/a&gt;, ela veste os dias de mulheres sujeitas ao subemprego em São Paulo, lugar em que homens e mulheres são copos jogados diariamente do alto de um precipício, estilhaçados, para mais na frente juntar seus cacos. Humilhação social meu caro. Um martelo de cima pra baixo a lhe achatarem numa estera rolante. Rumo ao que não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foda...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;pedro rocha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;ps: para ler a matéria é só ir na seção Vale a pena ler de novo e apertar em arquivo, la embaixo, depois da entrevista com Paulo Mendes da Rocha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;ps2: aqui nesse mesmo blog, já digitalizamos e disponibilizamos uma reportagem de Xico Sá sobre os Homens-sanduíche. &lt;/span&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/xico-s-ensanduichado.html#links"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Aqui está.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115807563187144756?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115807563187144756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115807563187144756&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115807563187144756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115807563187144756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/diarista.html' title='A Diarista'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115741507849396242</id><published>2006-09-04T21:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T21:47:57.256-03:00</updated><title type='text'>Fractais, jornalismo e outras nóias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nasceu, viveu, procriou – ou não – e morreu. Teve trinta amantes, quinze filhos reconhecidos legalmente e tantos outros bastardos. Foi molestado, daí ter feito o que fez. Cuspiram-lhe na cara, daí ter dado o troco na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ano um ao último suspiro; do primeiro gozo, da primeira puta à luta contra o vício – pelo menos é o que almejam abarcar onze entre dez projetos biográficos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Na verdade, a biografia que vende é uma biografia do tipo linear, baseada naquilo que o Pierre Bourdieu chamou de ilusão biográfica. A ilusão de conseguir apreender a história de uma vida com causa e conseqüência, com começo meio e fim.” E, todos sabemos, nem sempre as coisas acontecem assim, com data marcada e set de filmagens à guarda dos grandes acontecimentos de nossas vidas. Nossas bestas vidas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas, afinal, por que gostamos tanto de biografias? Por que nos esbaldamos lendo sobre a vida e/ou obra de gente que só ouvimos falar – às vezes muito bem, outras nem tanto. Por fim, e mais espantosamente ainda, o que têm em comum a Física Quântica e a forma do relato biográfico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta à última pergunta: muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às demais, dêem um clique &lt;a href="http://diariodonordeste.globo.com/default.asp" target="window"&gt;aqui&lt;/a&gt; e leiam a entrevista concedida a Tiago Coutinho por Felipe Pena, jornalista e professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF).&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115741507849396242?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115741507849396242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115741507849396242&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741507849396242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741507849396242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/fractais-jornalismo-e-outras-nias.html' title='Fractais, jornalismo e outras nóias'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115741256444731757</id><published>2006-09-04T20:22:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T20:29:24.466-03:00</updated><title type='text'>[Entrevista]</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/1157061799_pedro2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/1157061799_pedro2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pedro Martinelli é fotógrafo. Pouco tempo atrás, veio a Fortaleza para dar palestra sobre a sua experiência de trinta anos fotografando e vivendo com sua gente embrenhado na selva. Antes de ser fotógrafo, porém, Martinelli é cidadão. "Do mato", como disse o outro Pedro que o entrevistou. Seguem alguns trechos da entrevista. O troço todinho, porém, tá &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/do-mato" target="window"&gt;aqui.&lt;/a&gt; Confiram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;"O mato foi me civilizando, o caboclo foi me civilizando". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;"A fotografia digital é igual um telefone celular, quem mexe em um celular sabe mexer em uma câmera. Isso é muito legal porque socializou a fotografia, por outro lado banalizou também. As pessoas acham que a fotografia é cor e qualidade. Eu acho que não, a fotografia é emoção, você pode ter uma foto fora de foco que passe emoção. Pra mim tanto faz, se eu tiver de fotografar com uma câmera digital, mecânica, um pedaço de pau, tanto faz. Pra mim vale o que tá na cabeça. A câmera só serve pra decodificar o que tá na sua cabeça".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;"É exatamente o que eu te disse, como fotojornalista eu recebia ordens, tinha prazo pra fazer as coisas, tempo, dinheiro. Então você estava sempre tenso, entrando nos lugares sem pedir licença, dar bom dia, querendo fazer as fotografias. Eu gosto de fazer as coisas no tempo em que elas têm que ser feitas. Eu chego não como fotógrafo, mas como cidadão. Não adianta chegar fotografando, porque eu não sou fotógrafo de foto única, minhas fotos têm que ter enredo. Eu tenho primeiro que explicar pra comunidade o que eu faço, quais são as minhas intenções, deixar isso muito claro. Eles me acolhem. Eu começo a fazer a fotografia que as pessoas dizem que parece que não tem fotógrafo. Eu passo a conviver com eles, enfiado nos confis do mundo. Eu gosto mais de estar junto do que fotografar às vezes, então isso é um diferencial pra fotografia, você estar no tempo dos fotografados. Você vai na roça colher mandioca na hora que tem que colher mandioca, você não vai na hora que o fotógrafo tem que bater a foto. Então quando você passa a enxergar o mundo como ele é, sem interferência, acompanhando, convivendo, é outra fotografia".  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115741256444731757?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115741256444731757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115741256444731757&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741256444731757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115741256444731757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/entrevista.html' title='[Entrevista]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115729946264634638</id><published>2006-09-03T13:00:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T20:33:49.376-03:00</updated><title type='text'>Diários de ônibus 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por &lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Diógenes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tão grande que não se pode vê-la. Mas de cima, rodeado pelas luzes das casinhas sobrepostas que refletem no asfalto em sangue, podemos caminhar o olhar sobre sua devassidão sedutora. Nela mora a multidão, o tal monstro sem rosto e coração que devora semblantes e silencia gritos em sua combustão permanente de ruídos. Sua massa é conjunto de possibilidades excitantes de fornicações, mal-dizeres e esgotos de perfume barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ali num daqueles ônibus a fitar alguns consumidores saltitantes com seus sacos de sonhos embalados pelas cores berrantes de cada esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que inquietude essa tão distinta que assobia grunhidos de gozos interrompidos pelo incômodo olhar do outro a espera de carinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explosão arrebatando a multidão num frenesi contínuo castiga todo intento de comunhão. Sobra o próprio continum fragmentado de afetos entrelaçados em fotos de recordação empoeiradas pela falta de memória. E talvez seja esse o maior escândalo de nosso tempo, o de não saber se a estrada da qual saímos agora a pouco estará disponível para uma volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frente ao espetáculo gratuito de aparelhos sanitários dos “plim plins”, quero é morder a orelha de uma ninfa e martelar as paredes com suas costas, num vai e vem frenético de impulso e vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincar pela manhã de mangueira, jorrar a água sobre o corpo, seca-lo pelo sol enquanto se vigia as travessuras de insetos, anfíbios e lagartos. Passear a tarde pela imponência dA Construção, cuspir sobre seus arquitetos. Canalhas! Ainda vão se banhar da saliva e sêmen, de sangue e vômito, banhar-se-ão em lágrimas para secá-las ao vento frio da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso dia vai chegar&lt;br /&gt;Teremos nossa vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115729946264634638?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115729946264634638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115729946264634638&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115729946264634638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115729946264634638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/dirios-de-nibus-2.html' title='Diários de ônibus 2'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115712625021766508</id><published>2006-09-01T12:16:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T20:35:35.633-03:00</updated><title type='text'>Nós é nigeriano!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08934.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/DSC08934.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Nós é nigeriano", o Bruno Xavier (o da foto, falando, pouco antes da exibição na Bienal) soltou em uma das reuniões do grupo na casa do Eduardo, quando a gente marcava dia e hora para as filmagens, intensivas filmagens de 3 dias seguindos, no terminal de ônibus do Papicu, pela madrugada. Três dias com o tal do relógio biológico desorientado. Idéia que por mais represente nosso corpo sob o tempo compartimentado de nosso cotidiano hierarquizado, diz algo fundamental: "A noite, o frio da lua, foi feito pra dormir". Esta uma frase de um cozinheiro entrevistado numa dessas madrugadas, que por incoerência, não gravei o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias. Coisa pouca, pra o próprio cozinheiro ou para outros tantos com os quais falamos ou para o Paulo, trocador do terminal, que passa suas madrugadas em uma guarita, ao som da roleta, do bip do passecard, da televisão e seus filmes do Intercine, intercalo por propagandas de lançamentos da Som Livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós é nigeriano". Eu senti algo naquela vez, bem mais que o riso que me escapou, instânteneo, como são os melhores, quando ouvi o sotaque paulistano do Bruno dizer aquilo. Não sei, desde quando eu li a &lt;a href="http://www.bravonline.com.br/noticias.php?id=2000"&gt;reportagem na &lt;em&gt;BRAVO!&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; da tal indústria cinematográfica da Nigéria produtora de mais de 900 filmes por anos, bem maior, na verdade o triplo, da estadounidesnde ou mesmo dos 600 da Índia. Não sei, quando eu li aquilo, lá dizia, que o país não tinha praticamente salas de cinema, que a distribuição era feita pela venda de cópias de DVD por 3 dólares, pelos camêlos, os mesmo que aqui são perseguidos pela velha muamba. Desde quando eu li aquilo, algo que me fez novamente virar o olhar para a &lt;em&gt;BRAVO!, &lt;/em&gt;senti algo. Agora sei: "Nós é nigeriano". As palavras fazem a gente saber das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Cadeiras com Rodas&lt;/em&gt; foi filmado nos mesmos três dias, editado em mais um. Algo perto de 3 semanas, um mês, entre o rec e o play, em uma tarde ali na Bienal, de pompa, Internacional do Livro do Ceará, em uma sala em que pudemos exibir e discutir nossa produção, ainda inacabada, mas vigorosa. Falta finalizar e começar a vender o DVD. Muamba nigeriana. Tráfico transnacional de concepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abraço,&lt;br /&gt;pedro rocha&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115712625021766508?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115712625021766508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115712625021766508&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115712625021766508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115712625021766508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/09/ns-nigeriano.html' title='Nós é nigeriano!'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115696272047071729</id><published>2006-08-30T15:29:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T12:01:52.280-03:00</updated><title type='text'>Plantando e colhendo vozes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Por&lt;strong&gt; Tiago Régis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Vem, Lutemos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;punho erguido&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Nossa força nos leva a edificar&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma escola. Duas construções. Em uma, funcionam as salas de aula. Na outra, a secretaria. Assim é a Escola Nossa Senhora da Conceição, localizada no Assentamento Santa Bárbara, parte da cartografia caucaiense. Para o Movimento dos/as Trabalhadores/as Rurais Sem Terra (MST), “a luta pela Reforma Agrária é bem mais ampla, e implica a conquista de todos os direitos sociais que compõem o que se poderia chamar de cidadania plena. E a Educação é um destes direitos, pelo qual também é preciso mobilização, organização e lutas em nosso país” (ver www.mst.org.br).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mais essa peleja, a organização da estrutura educacional passa pelas escolas públicas. Segundo dados do MST, todas as escolas nos assentamentos são públicas. Em Santa Bárbara, não é diferente. Embora o assentamento esteja completando dez anos de existência, a escola faz parte da comunidade há 32 anos, desde o tempo em que esta era oficialmente denominada Fazenda Capine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forte mescla social de laços parentais compõem esse corpus institucional da escola. Bem curioso: das doze pessoas, quatro duplas apresentam algum parentesco. Um que é casado com uma, outro que é casado com outra, aquela que é irmã daquela e aquele que é irmão daquela outra. Sem contar que algumas pessoas que estudam à noite, na EJA, são pais/mães de estudantes da própria escola. Várias vezes eles/as levam seus/suas filhos/as à noite. De dia pai/mãe na labuta, de noite pai/mãe no estudo, papel geralmente desempenhado apenas pelos/as filhos/as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sociabilidade em trânsito que se mostra em Santa Bárbara. Desde o barzinho ao lado do açude, passando pela rua e chegando à escola. Contudo, esta não é ponto de chegada, mas sim, muitas vezes, como que um nó na trama dos modos de vida locais. Mesmo com enormes dificuldades, principalmente de infra-estrutura e material de suprimento, há uma força para manter vivo aquele espaço. Força essa tanto dos/as professores/as como da própria comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma escola que existe, persiste e resiste às mazelas cotidianas, sim, cotidianas da política educacional brasileira, muitas vezes pactuada aos conselhos dos ‘amigos do estrangeiro’. Assim passam os dias. Mesmo somente após seis meses do início das aulas ter chegado o conteúdo de uma disciplina – sem o material didático, sórdido detalhe –, a vida continua. Mesmo após ao dia 01 de outubro, às promessas e às falácias que antes foram e já estão sendo enunciadas, a vida continuará. Já não é mais possível calar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115696272047071729?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115696272047071729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115696272047071729&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115696272047071729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115696272047071729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/plantando-e-colhendo-vozes.html' title='Plantando e colhendo vozes'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115677411043706392</id><published>2006-08-28T11:08:00.000-03:00</published><updated>2006-09-04T20:36:48.326-03:00</updated><title type='text'>Postando outras cidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Postal_4.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/Postal_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Postal_3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/Postal_3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Postal_5.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/Postal_5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Postal_1.5.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/Postal_1.5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Postal_2.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/Postal_2.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Postais de uma nova, mesma, cidade&lt;/strong&gt;. Tentando subverter um pouco da construção de imagens que se faz de Fortaleza como cidade turística, sol, do mar, dragão do mar... o TR.E.M.A. põe no papel um projeto que é o de se apropriar da estética do cartão postal para a desconstrução e construção de outras cidades a partir de imagens e de pequenos textos. Esses são apenas os primeiros cinco &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(clique sobre para ampliar)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;, do que se pretende ser vários, dos já ditos, "novos olhares" sobre a cidade, tratando das cidades e dos que a visitam diariamente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os portais estão sendo vendidos a R$1,00 pelos integrantes do grupo e também estão disponíveis na livraria Lua Nova na Av. 13 de maio, próximo ao Shopping Benfica. Pode deixar um comentário ou mandar um &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:grupotrema@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e-mail&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; se quiser comprar algum ou mesmo sugerir novos postais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115677411043706392?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115677411043706392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115677411043706392&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115677411043706392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115677411043706392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/postando-outras-cidades.html' title='Postando outras cidades'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115643203395730157</id><published>2006-08-24T12:02:00.000-03:00</published><updated>2006-08-24T12:07:14.003-03:00</updated><title type='text'>Debaixo do rubro carpete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;       Até agora, confesso, a melhor coisa em todos os dias da feira do livro do Ceará. Melhor até que as loucas piruetas verbais de Carpinejar e os “contemas” de Pieiro. Melhor que café gratuito e palestras cheias de cadeiras sobrando para invisíveis interessados – juro por Deus, muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Já o tinha percebido antes, perambulando, feito gorgulho de feijão, entre os granfinos e granfinas.  Pareceu-me, à primeira vista, surreal, ali, metido naqueles trapos a caminhar sobre o rubro carpete. Sorvia, tresloucado, o cheiro bom de livros novos, pilhas e pilhas de Dan Brown a cegar-nos com o seu brilho de capas-duras. Sim, dúvida não havia: era ele, o mesmo da Praça do Ferreira, o mesmíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Em pouco, entretanto, sumia-se, quem sabe tragado pelo chão – que não era de brigadeiro. Para reaperecer, milagrosamente, a alguns metros dali. A mesma barba enrodilhada e grisalha, o mesmo hálito, as mesmas bambas pernas magras com que se desequilibrava no mundo. Tudo, em aparência, a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Pensei ligeiro: algum segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Isso mesmo, satisfeito ante o raciocínio objetivo: fora detectado, eficientemente apontado no painel de controle que ficava naquela saleta aos fundos do último bloco. Uma luz vermelha piscando no monitor quase fizera o chefe da segurança cuspir o café solúvel sobre as muitas dezenas de botões que atrapalhavam mais que ajudavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Era preciso agir rápido, veloz, pensou o chefe. Em dois monossílabos, e grupos de homens já se dirigiam ao bloco G – era lá, num dos corredores de maior movimento da feira de livros do Ceará que, bestamente, caminhava Mário Gomes, o poeta maldito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       No mesmo dia, para meu espanto, vi-o ainda uma vez: sentado a um canto, à entrada do auditório principal. Necessário que se diga: tal Mário Gomes, era também um invisível, ali, estaca, folheando cordéis. Ele, agachado e maltrapilho, tirava lascas das unhas pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Aproximei-me: onde a cerimônia?, perguntei ao poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Saiu-se com esta: “Comi com farinha”.&lt;/span&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;                 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;                                                                                                                                          por henrique araújo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115643203395730157?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115643203395730157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115643203395730157&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115643203395730157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115643203395730157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/debaixo-do-rubro-carpete.html' title='Debaixo do rubro carpete'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115628320353173062</id><published>2006-08-22T18:30:00.000-03:00</published><updated>2006-08-22T18:51:27.256-03:00</updated><title type='text'>Zine Corporation</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/1150956156_fertiag2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/1150956156_fertiag2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Fernanda Meireles (essa da direita) disse: "Nós somos primos". Isso no começo do debate "O olhar da cidade pelo Jornalismo Literário e os Fanzines", na Bienal Internacional do Livro do Ceará, que reunia &lt;a href="http://zinco.oktiva.net/"&gt;Zinco&lt;/a&gt; e TR.E.M.A. para discutir no fim das contas democratização das comunicações e a construção e descontrução de representações imagéticas do espaço urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela, falando em nome da Zinco, se referia ao parentesco das duas organizações. Depois do debate na Tenda dos Jovens, sem a pompa de palavras como "bienal" ou "internacional", mas com um ar intimista e informal que convém as propostas dos dois, Fernanda comentou: "Nós somos mais primos do que eu imaginava".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Para divulgar um pouco do trabalhar dessa ong se linka aqui no blog uma entrevista feita por Ricardo Sabóia para o site &lt;a href="http://www.overmundo.com.br/"&gt;Overmundo&lt;/a&gt; com Tiago Montenegro e a mesma Fernanda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/cabecas-de-papel"&gt;http://www.overmundo.com.br/overblog/cabecas-de-papel&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115628320353173062?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115628320353173062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115628320353173062&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115628320353173062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115628320353173062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/zine-corporation.html' title='Zine Corporation'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115591501953373617</id><published>2006-08-18T12:24:00.000-03:00</published><updated>2006-08-18T12:30:19.563-03:00</updated><title type='text'>Grupo TR.E.M.A. e Zinco na 7ª Bienal Internacional do Livro do Ceará</title><content type='html'>É com muito prazer que o Grupo TR.E.M.A. (Território de Expressão no Mundo Anônimo) e ONG Zinco – Centro de Estudo, Pesquisa e Produção em Mídia Alternativa convidam a todos e todas a estarem participando da Tenda Jovem na 7º Bienal do Livro, que acontece entre os dias 18 e 27 de agosto no Centro de Convenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximos em suas ações, durante os dias 20 e 21 de agosto, esses dois grupos de comunicação estarão reunidos na programação da Tenda Jovem da 7ª Bienal Internacional. Juntos, eles discutirão a relação entre o jornalismo literário, os fanzines e a cidade de Fortaleza. Haverá exibição de um vídeo sobre o Terminal do Papicu durante a madrugada, além de um debate sobre o Fanzine e a Literatura, falas sobre o centro da cidade e oficina de fanzine gratuita, com a fanzineira Fernanda Meireles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encerramento da festa acontece no dia 21 com o Zine-se, encontro mensal dos fanzineiros de Fortaleza. Se você faz zine venha trocar a sua produção e conhecer pessoas bacanas com quem se pode discutir e brincar ao mesmo tempo. Caso você nunca tenha produzido um fanzine, não perca a oportunidade de participar da oficina e trocar seu primeiro fanzine no Zine-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tenda Jovem garante um espaço de diversão, reflexão e discussão. Na ocasião, haverá vendas de produtos alternativos: vídeos, postais e camisetas. Tudo no preço agradável compatível com o bolso de universitários ou não. Você será muito bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem são Zinco e TR.E.M.A.?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;ONG Zinco&lt;/strong&gt; existe há um ano e meio. Sua maior preocupação é discutir a mídia alternativa como uma ferramenta contra-hegemônica. Assim, a comunicação se torna capaz de potencializar expressões humanas e liberá-las através de criatividade, papel e caneta. Como mote principal, a Zinco vem gerenciando suas atenções para a produção de fanzines que estão diretamente ligados à cidade de Fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/strong&gt; é um pouco mais jovem. Possui apenas nove meses de idade. Mas já produziu bastante. O grupo pode ser definido como um centro de produções em comunicação que desenvolve diversos projetos simultâneos na área da Comunicação Radical. Composto por estudantes universitários e profissionais, o grupo tema preocupação de trabalhar com diversas linguagens. Atualmente, mantém produções escritas e audiovisuais. Sua principal missão, como demonstra a sigla, é descobrir e compartilhar narrativas anônimas pela cidade.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Programação do Grupo TR.E.M.A. e ONG Zinco na 7ª Bienal do Livro do Ceará:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TENDA DOS JOVENS – SALA B3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo – dia 20 de agosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10h30min - Mesa Redonda: Narrativas de Fortaleza: O olhar da cidade pelo jornalismo literário e os fanzines. Com Fernanda Meireles (Diretora Geral da ONG Zinco) e Pedro Rocha (representante do Grupo TR.E.M.A.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13h30min - Espaço em Trânsito - Exibição do Vídeo Cadeira com Rodas – Parte I - vídeo sobre o Terminal do Papicu de Fortaleza durante a madrugada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leitura comentada da publicação Método para se olhar o deserto.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h - 3 X 4 de papel - Oficina de Fanzine com Fernanda Meireles (Parte I)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira – dia 21 de agosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h30min – Palestra: O Fanzine como gênero literário. Com Áurea Zavam, Ana Cristina Cunha e Geórgia Feitosa.&lt;br /&gt;13h30min - 3 X 4 de papel - Oficina de Fanzine com Fernanda Meireles (Parte II)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h e sem hora para acabar – Zine-se (Encontro do pessoal do Fanzine).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais informações:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://www.grupotrema.blogspot.com" target="_blank"&gt;www.grupotrema.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://zinco.oktiva.net/" target="_blank"&gt;http://zinco.oktiva.net&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://www.fotolog.com/zzzinco" target="_blank"&gt;http://www.fotolog.com/zzzinco&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago Coutinho – 8831-1411&lt;br /&gt;Reservas para a oficina de fanzine direto com Fernada Meireles – 9972-7612&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115591501953373617?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115591501953373617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115591501953373617&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115591501953373617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115591501953373617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/grupo-trema-e-zinco-na-7-bienal.html' title='Grupo TR.E.M.A. e Zinco na 7ª Bienal Internacional do Livro do Ceará'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115566874674199987</id><published>2006-08-15T15:50:00.001-03:00</published><updated>2006-08-15T16:18:00.326-03:00</updated><title type='text'>CADEIRAS COM RODAS (cap. 5 e 6)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/grande-circular-3.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/grande-circular-3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Por Raquel Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 5: E ainda no Papicu...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia noite e quinze. Chegamos os três  ao terminal do Papicu. Era minha primeira vez. Estava um pouco ansiosa por saber o que naquela noite me esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto aguardávamos as filas dos corujões do Grande Circular diminuir, fui sentar-me no batente com meu caderno e caneta. Os meninos conversavam sobre a produção do possível roteiro de um áudio-visual dentro do Grande Circular. Uma loirinha, baixinha e simpática moça me aborda e senta do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que tem nesse caderno?&lt;br /&gt;- Nesse? Ah... nada demais. Rascunho, gosto de escrever.&lt;br /&gt;- Poesia? Eu adoro poesia...&lt;br /&gt;- Sério... Como vc chama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento aquele rosto comum com dentinhos de coelho já me remetia a uma fotografia vista antes no TR.E.M.A. Era a &lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/cadeiras-com-rodas-cap-4.html#links"&gt;Mônica Cavalcanti com I&lt;/a&gt;, já estado antes com Pedro Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mônica e o seu?&lt;br /&gt;- Raquel, prazer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papo vai, papo vem... Uma e dez da manhã. Desistimos de esperar um corujão mais vazio ou os nossos outros amigos que haviam marcado de ir. Embarcamos no Grande Circular 1, rumo aos quatro terminais da cidade contemplados na rota. Mônica ficou no Papicu, depois de falar de muito amor, cobrar do Pedro uma cópia de suas fotos tiradas e seu texto produzido sobre ela. Antes de seguirmos, Bruno Xavier registrou mais imagens da doce Mônica, a pedidos dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 6: A Grande Circulada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase que num susto, subo de imediato e num pulo nas portas entreabertas do Grande Circular. Uma e vinte da manhã. Inicia mais uma viagem na madrugada sem lua de Fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos em torno de 18 pessoas, ocupando os bancos esvaziados do Corujão. Alberto Sá, bairro Dunas rumo à Praia do Futuro. Olho aqueles casarões do bairro nobre de Fortaleza e reflito sobre a condição em que me encontro naquele momento. Medo. A violência urbana fica perturbando minha mente. Eu ali, tão exposta. Há algumas semanas, eu estava entre uma dessas casas encadeada por cercas elétricas e vigias em mais uma confraternização com amigos. E agora estou passando por elas num Corujão de madrugada. É bom perceber as coisas de vários ângulos, poder permear e viver um pouquinho as duas faces. Experiências bem distintas, porém ambas complementares. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha reflexão dura o tempo suficiente de perceber a primeira parada do ônibus desde que saimos do terminal. Titanzinho. As pessoas começavam a descer. Favela meio estranha. Um menino com a blusa do Congresso de Jovens Betesda desce na parada escura e segue na madrugada. O medo não tomou conta do espaço naquele momento, parece que voou junto com meu pensamento. Continuei observando a rota, aquelas pessoas e a neblina que anunciava a possível chuva. Agora seguíamos com nove. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olho em minha volta. Sou a única mulher do ônibus. A maioria dos passageiros dormem. Somente dois homens conversam baixinho e respeitam a serenidade do ônibus. Não sei porque, mas eu me sentia segura ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Av. Beira Mar, depois do Porto. Uma zoada estridente rui do motor do busão. Uma súbita fumaça começa a subir e o cheiro forte de queimado assusta aos passageiros. Uma sensação reincidente toma conta de mim e eu meio que desesperada, peço para o motorista abrir a porta. Não seguiria mais naquele ônibus. O medo voltava a reinar e misturava-se com gostinho de aventura de saber que aquilo tudo se desenrolava numa viagem de madrugada pelo Grande Circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos em frente ao Ocean View Residence. Pronto, agora era esperar o novo ônibus que ia chegar da garagem. As correias daquele já não prestavam mais. Lindo... Duas horas da manhã e nós todos num belíssimo prego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro os resmungos coletivos. Depois, a conversa fluindo entre os passageiros. O motorista e trocador também interagiam. “As pessoas que mais pegam esse ônibus são garçons e as meretrizes da noite. Em fim de semana também tem o povo voltando da farra. Perto de amanhecer, tem os próprios motoristas e trocadores que seguem para o terminal do Antônio Bezerra para iniciar o trabalho.” A oportunidade para a aproximação foi sublime. Graças ao prego, surgiram diálogos e mais diálogos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gil Cleiton, casado, contabilista, mora em Maracanaú e é trocador. Cícero Romão (foto), divorciado, duas filhas, motorista desde 1979. A dupla nem sempre trabalha juntos. Cícero está fixo na linha do Grande Circular e no horário de madrugada desde que deixou de dirigir a linha Barroso – Messejana. “De madrugada é o melhor horário pra gente trabalhar. Não tem trânsito, não tem pessoas estressadas reclamando, o serviço fica bem mais fácil.” A escala de Gil é mais transitória. “As vezes a gente negocia com algum colega e troca as escalas, sem problemas. Eu também prefiro trabalhar de madrugada porque eu folgo de dia e posso ficar com minha família”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva engrossa. O ônibus novo chega. Os passageiros correndo da chuva para não despertar o sono, trocam de transporte. Todos muito aliviados. Seguimos viagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cícero dirige rápido, mesmo na chuva. O diálogo fica difícil com o alto barulho do motor e com a chuva que exige atenção máxima de Cícero nas ruas. Enquanto limpo o vidro embaçado do ônibus com uma flanela... “Em chuvas grossas, a gente perde 70% da visibilidade, sabia? Existe uma técnica para não deixar o vidro embaçar. Você coloca fumo e galho verde no pé do vidro que aí não embaça não.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de seguir pela Leste-Oeste, passar pela Barra do Ceará, a cidade começa a ficar estranha para mim. Não conheço mais os bairros, nem muito menos as ruas. Tudo fica diferente, até o cheiro da cidade vai mudando. Chegamos ao terminal do Antônio Bezerra. A frota de passageiros se renova. E continuamos seguindo viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu gosto mesmo é de dirigir ônibus, apesar de mais cansativo. Durante dois anos dirigi caminhão, na estrada. Era uma maravilha em relação ao sossego da estrada. Mas é muito perigoso. Já vi acidentes graves na estrada. Os acidentes dentro da cidade com os ônibus são simples, geralmente sem vítimas. Na estrada, são bem mais graves, quase sempre com vítimas fatais.” As histórias vão rolando enquanto cruzamos a cidade rumo ao terminal do Siqueira. Já desconheço totalmente o trajeto. Um de meus amigos já dorme em sono profundo. O outro, conversa com Gil, lá trás do ônibus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Com esse prego, atrasaram meus horários. Geralmente temos meia hora no terminal do Siqueira, mas hoje com essa chuva e esse prego, tomamos um café em dez minutos e seguimos” Ótimo, acompanho você. No Siqueira, pouco movimento. Não sei que horas eram. Um cheiro de pão fresquinho sugere um ótimo acompanhamento ao café. Descemos e, conversando, tomamos um café no quiosque do terminal do Siqueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na estrada não tem o trânsito, mas a gente dirige muito mais tempo também. Tinha épocas em que eu fazia viagens para Teresina de noite, passava o dia descarregando o material lá da empresa e voltava na noite seguinte. Sozinho, umas 10 horas de viagem seguidas, sem dormir, em cada trecho. E eu nunca tomei nada dessas coisas pra ficar acordado” Compro um pãozinho para o meu amigo que dorme, ainda dentro do ônibus. “Vamos lá que já está na nossa hora”. Seguimos para o terminal da Messejana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fluxo já é bem inferior que o início da viagem, apesar de quase amanhecer. Passamos pelo terminal da Messejana. Ninguém sobe, ninguém desce. “O próximo já é o do Papicu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro e cinqüenta. Chegamos no terminal do Papicu de volta. “Raquel, me dá o site de vocês porque minha filha às vezes olha. Tanto a historiadora como a engenheira gostam muito de ler”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mônica já não estava mais por lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas.html#links"&gt;Capítulos 1 e 2&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas-continua.html#links"&gt;Capítulos 3 e 4&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/cadeiras-com-rodas-cap-4.html#links"&gt;Capítulo 5&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115566874674199987?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115566874674199987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115566874674199987&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115566874674199987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115566874674199987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/cadeiras-com-rodas-cap-5-e-6_15.html' title='CADEIRAS COM RODAS (cap. 5 e 6)'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115517815531051806</id><published>2006-08-09T23:48:00.000-03:00</published><updated>2006-08-09T23:49:15.326-03:00</updated><title type='text'>O “cadeira com rodas” rodou</title><content type='html'>Aviso aos navegantes e acompanhantes do &lt;strong&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/strong&gt;. Estávamos parados no blog, mas outras atividades estavam sendo desenvolvidas pelo grupo. Primeiro, temos a grata satisfação que conseguimos fazer o nosso primeiro produto fora da linguagem escrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo.  Conseguimos finalizar um vídeo com cerca de 20 minutos sobre o terminal de ônibus do Papicu pela madrugada. Em breve, se o blog suportar, estaremos disponibilizando o arquivo digital. Quem quiser conferir o filme em uma projeção, ele será exibido no domingo (dia 20) no espaço jovem da VII Bienal Internacional do Livro, que acontecerá no Centro de Convenções. Depois faremos um debate sobre o vídeo e sobre o &lt;strong&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/strong&gt; Todos e todas estão convidados, quando estiver mais próximo reforçaremos o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, estamos perambulando outros terminais da cidade descobrindo novas histórias e universos. Até o final da semana, estaremos publicando um texto sobre o terminal da parangaba, apurado coletivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, vamos retornar ao blog com publicações a cada dois dias. Lembrando que estamos abertos para publicar produtos de quem acessa ao blog. Basta enviar o material para nós que, se estiver de acordo com a nossa linha política, publicaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a próxima,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115517815531051806?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115517815531051806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115517815531051806&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115517815531051806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115517815531051806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/o-cadeira-com-rodas-rodou.html' title='O “cadeira com rodas” rodou'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115500842650130735</id><published>2006-08-08T00:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-08T00:40:26.520-03:00</updated><title type='text'>O resto do teu corpo fora do aquário</title><content type='html'>Imagine a pizza hut da Avenida Beira Mar, no qual você fica incubado nas paredes de vidro para contemplar a paisagem ali permitida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a música permite o diálogo, pensa:&lt;br /&gt;Não. Não faço parte daquele mundo da rua. A calçada existe e é perigosa. Mas sua imagem é segura, comovente até. Fico tão sensível. Será que eles me vêem?&lt;br /&gt;- Aceita mais alguma coisa?&lt;br /&gt;- Coloca algumas batatas sorrisos para viagem e me traz a conta!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tiago Coutinho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115500842650130735?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115500842650130735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115500842650130735&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115500842650130735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115500842650130735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/08/o-resto-do-teu-corpo-fora-do-aqurio.html' title='O resto do teu corpo fora do aquário'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115374340331875175</id><published>2006-07-24T09:10:00.000-03:00</published><updated>2006-07-25T10:14:07.303-03:00</updated><title type='text'>Diários de Ônibus</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/che2.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/che2.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por Diógenes de Sousa&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais um dia de semana. Eis me eu a pegar a condução. Ritual profano do chegar. Dirijo-me especificamente ao Terminal da Parangaba, um não-lugar nosso de cada dia. A cor cinza predomina, acentuando o mal-estar ambientado pela fuligem que escapa daquele exército de caminhões berrando, vociferantes ao som da guerra de cada parada, de cada minuto precioso e sagrado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As filas crescem para trás, para os lados, paralelas se formam. Nada de novo. De vez em quando até ensaio algum protesto, “Por favor respeita a fila ae, vá lá”. Ato esporádico e voz semi-alta. Raramente cumpro com o pensamento de não deixar qualquer que seja a injustiça passar sem resistência e luta, “Não passarás”. Essa era uma das máximas de Guevara, que para além de uma marca de rebeldia industrializada, ensina por sua vida a essência revolucionária do socialismo como prática cultural. É nessas hesitações que ainda percebo o pequeno-burguês que habita por trás dessa estampa velha e desbotada, nem por isso menos hipócrita que qualquer outra que ostenta a representação do herói revolucionário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fila cresce pra trás, para os lados, paralelas se formam. Algo de novo. A habitual desordem e indiferença em relação à fila toma escala e qualidade ainda não presenciadas. Assisto com sono mal dormido pessoas que acreditaram na fila serem deixadas para trás pelos que acreditam e constroem “o mundo dos espertos”. Para além da habitual entrada oportunista e "malandra" que se efetiva próximo à porta da entrada do ônibus, o que se vê é a guerra declarada da lei do mais forte. Os agentes da “fila” paralela empurram e são empurrados, corpos comprimidos, rostos amassados, cenas de uma autofagia urbana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que pensar da reprodução e recriação de uma cultura construída sob a aceitação de que só haverá espaço para poucos? De que só alguns poderão chegar ao abate, à cisão diária do corpo compensada pelo sentar, pelo desafogar um pouco que seja do sono sufocante de uma vida mal dormida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de preenchida e lotada de carne moída, a lata de guerra vociferante se põe em movimento. A cada sinal vermelho, uma mistura de ódio e inveja vai se engarrafando nos encontros constrangedores de olhares que se cruzam entre aqueles que indo na mesma direção, encontram-se em caminhos contrários de uma vida mal resolvida. Por cima, o olhar cabisbaixo daquela gente enlatada. Por baixo, o olhar escorregadio de motoristas solitários em cadeiras confortáveis dobra-se ostentando poltronas vazias. Ainda há o não-olhar dos vidros fumês. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me ao saltar e cair na parada que dia-a-dia me aguarda: “Se Guevara estivesse entre nós, que meio de transporte utilizaria?” A resposta me parece óbvia: qualquer um que lhe levasse para longe, muito longe!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115374340331875175?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115374340331875175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115374340331875175&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115374340331875175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115374340331875175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/07/dirios-de-nibus.html' title='Diários de Ônibus'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115271351006784093</id><published>2006-07-12T10:57:00.000-03:00</published><updated>2006-07-12T11:12:00.186-03:00</updated><title type='text'>Sansão e Dalila como testemunhas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Ponte%20III.1.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Ponte%20III.1.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Foto: Sansão Júnior&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;             Texto: Henrique Araújo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os dois ali, um ao lado do outro, ferruginosas testemunhas do descaso, palavra que, pelo uso, encontra-se igualmente carcomida. Na memória dos pescadores, apenas o belo casal: Sansão e Dalila, que, embora na presença de Rasputim, Titanic e outras embarcações de nomes pomposos, não conseguia esconder a vergonha. Assumia cada um sua cota de responsabilidade pelo atual estado de degradação em que se encontra o frágil ecossistema manguezal do rio Ceará, na costa de Fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse, aliás, o primeiro impacto ao longo da travessia que começa ao desatracarmos, em dois barcos, do píer do rio Ceará. Naquela manhã de sábado, atestaríamos, através de suas águas, o quanto o estuário do Ceará encontra-se entregue à própria sorte. Mal-percorridos alguns metros, avistamos o que, à distância, parecia um cemitério de embarcações. Era lá, no estaleiro, onde repousavam Sansão e Dalila. E é aqui onde começa a parcela de responsabilidade compartilhada dos dois, ou, sendo-lhes justo, a de seus proprietários. Antes mesmo de alcançarmos a área mais densa do mangue, um técnico da Secretaria de Meio Ambiente do Município de Fortaleza explica: a tonalidade escura da água era devida ao óleo despejado pelo estaleiro. Poucos metros atrás, crianças saltavam sobre as ondas do rio no trecho mais próximo do mar, já no município de Caucaia. Punição para os responsáveis? Essa é outra história. Apesar de constituir Área de Proteção Ambiental-APA e de estar, em teoria, escoltado por duas leis, a verdade é que o rio Ceará nada, a bem dizer, sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo impacto não demorou. Um pouco mais adiante, os vestígios da antiga salina, hoje utilizada apenas por eventuais pescadores. No local, ao nos darmos conta da ausência da flora e fauna características do mangue, percebemos que a natureza ali jamais conseguiu recuperar-se do estrago causado pelo homem. Maria Tabosa – guia turística que há oito anos percorre o mesmo trecho do rio Ceará, levando e trazendo a turistada boquiaberta – recorda dos tempos em que havia grandes pirâmides de sal naquele exato local onde hoje não há mais nada, exceto pela vegetação rasteira e estranha ao mangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo na viagem, avistamos grandes extensões de terra sobre as quais famílias inteiras pescavam. Nossos guias nos apresentam àquelas ilhotas, que eram, na verdade, bancos de areia, responsáveis pelo serpentear dos barcos, desviando-se de invisíveis obstáculos, ao longo do trajeto. Temos, novamente, a explicação necessária: com a pilhagem da mata costeira do mangue, cuja madeira é utilizada no fabrico do carvão e na construção de barracos, o solo torna-se frouxo, sedimentando-se no rio. O resultado contribui para que este se torne cada vez mais raso, inviabilizando a navegação e ocasionando a escassez de peixes, crustáceos e moluscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da ausência desses animais, a degradação do rio também prejudica quem ainda vive, nos dias de hoje, da pesca. Este é o caso dos índios Tapeba, habitantes das margens do Ceará há bastante tempo. Um dos representantes da tribo confirma as dificuldades que os índios têm, hoje, em conseguir retirar do mangue o alimento necessário à sua sobrevivência. A informação vira mantra quando representantes de comunidades residentes nas proximidades do estuário reforçam as dificuldades em retirar do rio o sustento para suas famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pontas, antes emaranhadas, unem-se e, aos poucos, podemos vislumbrar as várias etapas desse ciclo vicioso gestado a partir de uma lógica de desenvolvimento econômico completamente apartada do meio ambiente. Compreendemos que, tendo como principal afluente o rio Maranguapinho, um dos rios que mais recebem dejetos domésticos e industriais ao longo de seu curso até desaguar no Ceará, o rio é vítima do processo de industrialização e da ocupação irregular, tanto às suas margens quando às margens de seus tributários. Vítimas da mesma lógica que devora o mangue, levas de famílias são levadas a ocupar a região costeira do ecossistema manguezal, desenganadas com qualquer possibilidade de melhoria de vida. Não se trata de ecologiquices ou discurso político vazio. Numa perspectiva antropocêntrica, facilmente inteligível ao ser humano – a saber, aquela que o coloca como principal afetado por seus próprios atos de destruição – o ecossistema manguezal pode ser visto como um grande filtro do mar. Este é, como todos sabemos, o maior responsável pela produção de oxigênio em nosso planeta. Acabar com o mangue significa, portanto, diminuir cada vez mais a produção de oxigênio. Prenda o ar por alguns segundos ou mesmo alguns minutos. Sensação desagradável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar para casa, levava esta certeza: o que dizem é, infelizmente, verdade. O mangue geme, grita, esperneia. Agoniza. Pede socorro, enquanto lhe viramos as costas. O lixo é parte, hoje, desse ecossistema cuja importância, numa escala macro-biológica, muitos não conseguem dimensionar. Eu incluso. Pelo menos até o último sábado. Junto a garrafas de refrigerante e embalagens plásticas de bronzeador depositadas às suas margens, deixei um pouco de minha desinformação.    &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115271351006784093?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115271351006784093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115271351006784093&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115271351006784093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115271351006784093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/07/sanso-e-dalila-como-testemunhas.html' title='Sansão e Dalila como testemunhas'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115222827409900317</id><published>2006-07-06T20:23:00.000-03:00</published><updated>2006-07-06T20:29:50.663-03:00</updated><title type='text'>Para aqueles que os ônibus não param</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por Angélica Cynara&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt; Parada de ônibus da Padre Valdivino, mais próxima da Aguanambi, sentido sertão. O sol é das 14h, quando também o solo já esquentou e ferve as cabeças dos mortais. O muro, outrora branco, reflete agora pouco a luz. Descascado. No lugar dos portões, dois buracos donde se vê a casa. Algum dia devia ter sido bonita. No quintal amontoam-se entulhos, lixo, pedaços de móveis de madeira, uma boneca. Outra vez, uma senhora que esperava o Antônio Bezerra/ Náutico disse que ali era a casa de uma mulher solitária que foi atender ao chamado da mãe doente em São Paulo. Roubaram-lhe tudo. Móveis, objetos pessoas, portas, janelas. Junto ao entulho, só o que não se aproveita – ou não deu para levar. &lt;/p&gt;&lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quantas histórias deviam ter aquela casa. Bem localizada e daqui de fora parece grande, um modelo antigo com passarela entre um possível jardim, telhas triangulares nas pontas, feito casa de praia. Vixe! Mas está podre! Um cheiro horrível. Isso de noite como deve não ser...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Moça, não fica muito perto dessa casa não, é perigoso. Aí é chei de ladrão. – Adverte um homem de bicicleta. E eu, aqui, sozinha nesta parada. Dei três passos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Posso fazer uma pergunta?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Diz um homem que sai da casa. Vestes mulambentas. Blusa esverdeada, mas de grude. Bermuda com a bainha descosturada. Japonesas. Ai, minha Virgem Maria, é um assalto. O segundo em seis meses. Que é que eu faço? Corro? Mas ele me pega...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Pode.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Que ônibus a moça vai pegar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Conjunto Ceará / Aldeota.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Eu tô aqui com minha família, faz sete mês que vim do interior e tô sem nenhum dinheiro pra pagar a passagem, a moça podia me ajudar? Eu peço ao trocador pra passar eu e minha esposa de uma vez só na catraca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Eu pago – mas por medo, aliás,  que por caridade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Surge a esposa. Seis meses de grávida. Agarrados na bermuda, um menino e uma menina, 6 e 4 anos. Descalços. A menina, com o cabelo loirinho, queimado do sol, sorridente, gordinha. O menino magro, triste, quieto, sem forças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Mas a senhorita dê o sinal, que pra mim eles num param não. Pensa  que a gente vai descer por trás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lá vem. Passo cada um de uma vez. Como é que ia dar pros dois na roleta, ela com aquele barrigão? Meu Passe Card tá pouquim, mas dá. Pronto, já fiz minha boa ação do dia, agora posso ir lá pra frente, sentar perto do motorista enquanto leio Foucalt pra monografia. Eles devem sentar lá atrás, não é possível! A prole do casal passa por baixo da roleta e correndo sentam do meu lado. Fica apertado. Na minha frente, marido e mulher.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Pra onde é que você tá indo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Pra casa. No Conjunto Ceará.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-  Vou descer no Alto do Bode.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;O casal veio de Jaguaribe, Sertão Central. Antônio Neto, Ontôin, com se apresenta, trabalhava em um bar, um dos poucos comércios que sobrevivem na maioria das cidades do interior do Ceará, até ser colocado pra fora. Se meteu em briga. As claras condições o fez cometer êxodo rural com a família. Sete meses em Fortaleza. A morada? Os albergues e abrigos do Governo (não sabia se do Estado ou da Prefeitura) . No Albergues, a garantia da noite debaixo de um teto, de janta um sopão. De dia, de volta na rua. Tem um irmão no Altran Nunes, bairro conhecido como Alto do Bode devido a uma carnificina ocorrida no local na década de 80. Agora a família está no abrigo. A conversa informal, sem cunho jornalístico, não permitiu que eu anotasse o local do abrigo. E nenhuma parte da conversa que durou o trajeto até o Alto do Bode, há 10 minutos do Conjunto Ceará. Mas era para a casa do irmão que a família se dirigia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cláudia, “Caudinha” para o esposo, soube nesse dia o sexo do bebê. Um menino, revelou o seu primeiro exame de ultra-som de um pré-natal tardio, segunda consulta. Uma para marcar, outra pra fazer o exame. Outro menino para juntar-se a Felipe e Gabriela. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;-Tem  nome ainda não senhora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  align="justify" style="font-family:georgia;"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cláudia tinha pouco mais que minha idade, 24. Embora de feições pareça ter muito mais. O rosto inchado pela gestação compõem um cenário triste com os braços e pernas finas, murchas, olhar longínquo, falar pouco e cansado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p face="georgia" align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não seria nenhuma surpresa dizer que as crianças, já em idade escola, não freqüentam escola. A menina é uma danação só. Perguntava tudo! Queria saber o que era ser estudante de jornalismo. Queria saber se ia me ver na televisão. O menino franzino escutava quieto como a mãe, ria-se um pouco da curiosidade da irmã. Ao contrário da mãe, a magreza e a pequenez fazia com que ele parecesse mais novo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chegada a parada. Já quase na esquina com a avenida Fernandes Távora, beirando o Genibaú. A família se despede, agradece minha caridade (melhor, meu medo). Prossigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115222827409900317?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115222827409900317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115222827409900317&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115222827409900317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115222827409900317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/07/para-aqueles-que-os-nibus-no-param.html' title='Para aqueles que os ônibus não param'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115202128605156273</id><published>2006-07-04T10:39:00.000-03:00</published><updated>2006-07-06T20:22:54.436-03:00</updated><title type='text'>Bom dia céu, bom dia sol, bom dia mangue!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;O grupo TR.E.M.A. começa sua pesquisa para o trabalho com a temática do Mangue que durará entre 2 e 3 meses. Vamos charfurdar um dos mais fertéis ecossistemas e que está sendo enterrado vivo pela especulação imobiliária, poluição...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ramon, Clarissa e Bruno, pra começar, foram ver qual é a dessa galera que muitas vezes mora em cima do mangue e vai charlar no domingo de manhã na trilha aberta no Parque do Cocó, tentando reviver, em meio à indeferença urbana, um clima bucólico de suposta vizinhança.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Aqui está o relato do Bruno. Leia e depois veja com seus próprios olhos e depois pegue com suas próprias mãos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Às 7h 40 cheguei à porta da trilha do Cocó&lt;/strong&gt;, alguns carros estacionados, uns 3, porém a circulação de pessoas já era grande. Talvez pessoas que moram nas proximidades do mangue, e além de aproveitarem sua vista dentro de seus apartamentos, desfrutam-no para uma caminhada matinal. Senhores e senhoras, pais ensinando filhos a andarem de bicicleta, famílias, todos esses tipos de pessoas em comum na posição social, todos de classe média para cima. Quando Ramon e Clara chegaram começamos a adentrar para explorar aquela trilha, a primeira placa explicava educativamente que não deveria ser jogado lixo no chão e ainda mostrava o tempo de decomposição de cada lixo, lembro-me apenas da bituca de cigarro, 2 anos. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ao entrarmos já comecei a perceber a invasão que estávamos cometendo aquele mangue. Vendo como os desconfiados caranguejinhos, ainda filhotes, olhavam para nós dentro de seus buracos, e a qualquer passo em falso, assustados, eles voltavam as suas “casas”. Adentrando numa trilha clandestina, nós, curiosos transeuntes, demos de cara com uma pequena aranha linda finalizando sua teia a qual nós, destruidores curiosos transeuntes, tivemos que atrapalhar e colocar o aracnídeo mais acima da árvore. Destas cenas bonitas de ver, porém constrangedoras a mim que me sentia cada vez mais destruidor e cretino, veio-me o primeiro questionamento: Quantas vidas foram destruídas para que pessoas como eu pudessem desfrutar a ecológica trilha do Cocó? &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Sem me pegar muito a isto, pois ainda faltava muita trilha a se andar, continuamos a caminhada. A vegetação fechada mostrava a nós que aquele espaço não foi feito para seres grandes como os humanos. Além disto conseguíamos perceber vegetações não pertencentes àquele mangue,como um capim tipicamente urbano, que invadia uma lagoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A caminhada continuava e a paisagem já começava a se mesclar com os prédios construídos dentro do mangue. Numa placa colocada em um lugar estratégico para os atentos como a Clara, que encontrou dizeres louvando a natureza em contrastes com aqueles imensos prédios invasores daquele habitat. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;A trilha do Cocó, na qual andávamos, pára em frente a um muro enorme de uma loja de carros e dois prédios de 20 andares, um construído e outro a ser finalizado. Na esquerda em frente ao muro, mulheres e um homem lavavam roupas e lençóis que aparentemente não pareciam deles. Isto dentro do mangue aos olhos de um P.M. que guardava o prédio já pronto que continha uma porta de acesso à trilha. Esta porta ainda estava inutilizada, pois ainda não havia segurança para ela, segundo Vicente, o porteiro do prédio. O mangue pelo jeito acabou virando o quintal ou melhor o jardim desses moradores que, após a porta começar a ser utilizada, não precisarão enfrentar a barulhenta Engenheiro Santana Júnior para entrar dentro do Cocó e fazerem sua caminhada matinal. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Logo em frente ao prédio mais vegetação invasora e um cano de PVC jorrando uma água clorificada dentro de um lago que não sei se existia antes do cano. Depois desta triste cena veio outra bem pior, um esgoto da Cagece ao lado do prédio dentro do mangue. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Ao voltarmos para a trilha fomos ao caminho da trilha para o rio Cocó. Nas margens do rio isopor, sapatos e chinelos, garrafas, plásticos e diversos outros entulhos, e sem nenhum lixeiro por perto. Os caraguejinhos estavam lá, junto ao lixo. Não sei se já falei, mas o mangue é o grande berçário para muitos seres vivos. E pensando nisto imaginei, num devaneio, milhares de caranguejos, siris e peixes entrando dentro de nossos berçários pisando em cima de nossos berços, acordando nossos recém nascidos. O que parece uma provocação infantil, nada mais do que a nossa atitude dentro daquela trilha. Até que ponto esses seres querem que nós tenhamos este contato com eles e seu habitat.Visitando-os com bicicleta, tenis, comida, enfim, o mangue é um berçário, não preciso falar mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Outra coisa percebida e de certa forma meio ridícula. A maioria das pessoas que andam dentro do mangue cumprimentam umas as outras sem mesmo se conhecerem. Uma educação forçada e fútil, pois sabemos que estas pessoas jamais nos cumprimentaram quando estivermos numa parada de ônibus ou mesmo num shopping dentro do mangue, como o Iguatemi. Após passarmos pelas mulheres e o homem que lavavam a roupa, cumprimentei-os, eles não disseram nada, logo depois um casal passou pela gente e nos cumprimentou, esperei que eles falassem com as mulheres e o homem. Passaram em silêncio como se aqueles pessoas fossem invisíveis, como a fauna e a flora destruída no mangue para o seu bel prazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115202128605156273?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115202128605156273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115202128605156273&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115202128605156273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115202128605156273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/07/bom-dia-cu-bom-dia-sol-bom-dia-mangue.html' title='Bom dia céu, bom dia sol, bom dia mangue!'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115188540794379211</id><published>2006-07-02T21:07:00.000-03:00</published><updated>2006-07-03T08:57:54.606-03:00</updated><title type='text'>O Assentamento Santa Bárbara</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: times new roman; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A distância assusta, a estrada muito mais. Mas vale a pena enfrentar o sol, a areia e a lama. &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:metricconverter st="on" productid="60 km"&gt;60 km&lt;/st1:metricconverter&gt;, aproximadamente, distanciam o Assentamento Santa Bárbara do centro de Fortaleza. Ele fica escondido, no meio de matos literalmente, lá no Sítio Novo, um distrito do município de Caucaia. Em outubro, o local comemora dez anos com muitas histórias para contar, e elas serão narradas pelos moradores e pelas moradoras através de entrevistas feitas entre eles e elas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: times new roman; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O Grupo TR.E.M.A. vem contribuindo nessa empreitada. Estamos produzindo, em conjunto, um vídeo sobre a história do assentamento e das pessoas que o construíram. Atualmente, Rosalba, Betinho, Dezinho e Luzirene – moradores de Santa Bárbara – estão realizando entrevistas, colhendo informações e selecionando personagens para o vídeo. Depois, parte-se para as entrevistas filmadas, aí vem a edição, finalização, exibição no próprio assentamento, debates, comentários. O propósito é levantar discussões. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: times new roman; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;E as coisas vão acontecendo, aos poucos, sem pressa, com diálogo e naturalidade. Na última quinta-feira, dia 29/06, estivemos nas terras amigas. Fizemos as primeiras imagens: as quadrilhas juninas. No total, foram quatro apresentadas. Foi bonito. Nada faraônico, sem muito luxo ou a preocupação de ostentar e disputar o prêmio de quadrilha campeã. A intenção era brincar, dançar, cantar, se divertir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Mas sem romantismos, nada muito daquela visão idílica – algumas vezes preconceituosa – do sertão, do campesinato, da reforma agrária, dos militantes do MST. Os mosquitos ocupavam as quatro lâmpadas instaladas de forma improvisada por cima da dança. As músicas eram de grandes bandas de forró, outras do Luiz Gonzaga, todas tocadas em uma caixa de som com uma boa potência. O grupo (com exceções obviamente) não mostra aquele discurso uníssono de engajamento e conscientização – algo comumente imaginado quando se idealiza comunidades prósperas. Enquanto, isso as entrevistas continuam, o diálogo também. Em breve, mais notícias dessa empreitada conjunta. Os bons frutos estão por vir.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115188540794379211?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115188540794379211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115188540794379211&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115188540794379211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115188540794379211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/07/o-assentamento-santa-brbara.html' title='O Assentamento Santa Bárbara'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115171473437600974</id><published>2006-06-30T21:11:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T12:40:37.090-03:00</updated><title type='text'>Xico Sá ensanduichado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/xico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/xico.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;/span&gt;Já tinha comprado a Revista V antes - talvez de nome mais apropriado WV -, revista da Wolkswagen de diagramação muito boa e bem pautada, apesar de suas capas sempre tratarem de um artista global ou coisa parecida. E claro!, não poderia faltar, matérias sobre o Gol, o Polo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Denise Fraga, capa da edição 18, não atraiu até que eu li na última chamada de capa o seguinte reclame: "McBode: Xico Sá incorpora a tragicômica vida de um homem-placa". Aha! Tudo a ver com nossa proposta do anônimo, da invisibilidade, na escrita desse jornalista, rebento do Cariri, radicado no Recife, irradiado pelo Brasil em jornalões como Folha de SP e hoje freelance em revistas como &lt;a href="http://revistatrip.uol.com.br/"&gt;Trip&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://revistatpm.uol.com.br/"&gt;Tpm&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.vw.com.br/revistav05/ed_018/revista_home.htm"&gt;Revista V&lt;/a&gt;. Além de também ser &lt;a href="http://carapuceiro.zip.net/"&gt;Blogueiro&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.editoradobispo.com.br/"&gt;escritor&lt;/a&gt; e o carai de asa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto que o TR.E.M.A. reproduz integralmente - violando os direitos autorais sem fins lucrativos - é o que Xico Sá faz de melhor: a representação da realidade que trânsita entre o ridículo e o existencial. Tragicomédia que burla o vício da romantização da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.freewebs.com/grupotrema/mcbone.html"&gt;Aqui está&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pedro rocha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115171473437600974?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115171473437600974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115171473437600974&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115171473437600974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115171473437600974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/xico-s-ensanduichado.html' title='Xico Sá ensanduichado'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115144409195216951</id><published>2006-06-27T18:21:00.000-03:00</published><updated>2006-06-27T18:34:51.980-03:00</updated><title type='text'>Cineasta mostra o drama dos sem-teto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Conforme havíamos dito anteriormente, o grupo TR.E.M.A. passa a publicar produções de outros meios de comunicação que levantem questões com afinidades ao nosso perfil. Na entrevista a seguir, feita por &lt;span style=""&gt;Thais Arbex Pinhata e&lt;/span&gt; publicada na edição de número 172 do jornal semanal &lt;a href="http://www.brasildefato.com.br"&gt;Brasil de Fato&lt;/a&gt;, o cineasta Toni Venturi apresenta, por meio de seu ofício, uma problemática extremamente urbana: a questão da moradia e a de vários cidadãos e cidadãs que lutam por um teto. O filme &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Dia de Festa&lt;/span&gt; fala especificamente do Movimento dos Sem-Teto do Centro de São Paulo (MSTC). Aqui em Fortaleza, desconhecemos algum movimento que discuta a especulação imobiliária. Caso você conheça um grupo organizado semelhante, entre em contato conosco: &lt;a href="mailto:grupotrema@gmail.com"&gt;grupotrema@gmail.com&lt;/a&gt;. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Segue a entrevista:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Venturi transformou em registro histórico – e em arte – sete ocupações urbanas, &lt;st1:personname productid="em São Paulo" st="on"&gt;em São  Paulo&lt;/st1:PersonName&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Thais Arbex Pinhata&lt;br /&gt;de São Paulo (SP)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A partir do momento em que a realidade foi para a tela, o Movimento saiu da luta e mostrou para a classe média o que é a vida dos excluídos”. Ivaneti de Araújo, a Neti, de 33 anos, mãe de três filhos e coordenadora geral do Movimento dos Sem-Teto do Centro de São Paulo (MSTC) conduz – ao lado de Silmara do Congo da Costa, Janaína Cristina da Silva e Ednalva Silva Franco – a narrativa do documentário Dia de Festa, co-produção Brasil-França lançada &lt;st1:personname productid="em abril. Resultado" st="on"&gt;em abril. Resultado&lt;/st1:PersonName&gt; da parceria entre o arquiteto franco-argentino Pablo Georgieff e o cineasta brasileiro Toni Venturi, o documentário narra os preparativos das sete ocupações simultâneas realizadas na cidade de São Paulo no dia 1º de outubro de 2004. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em 2003, Georgieff, pesquisador de soluções de moradia para populações de baixa renda em todo mundo, e sua companheira Samantha Longoni, uma das produtoras do documentário, estiveram no Brasil para conhecer as ações do MSTC. Foi dessa experiência que nasceu a idéia de &lt;i&gt;Dia de Festa. &lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:100%;" &gt;Para a direção do filme, Georgieff e Longoni convidaram Toni Venturi. “Aceitei imediatamente. A proposta estava totalmente alinhada com os meus interesses, com os meus filmes, com as minhas preocupações, com o estilo de cinema que eu venho desenvolvendo. Um cinema que aborda questões políticas, sociais e históricas”, diz o cineasta. Nesta entrevista ao Brasil de Fato, Venturi fala de seu filme e das injustiças sociais.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Brasil de Fato – Como o MSTC aderiu à idéia do documentário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toni Venturi –&lt;/b&gt; Nós fizemos contato com eles, antes de começar as filmagens, em 2004. Eles aderiram de cara. Desde o princípio, deixamos evidente quais eram as nossas intenções. Houve confiança recíproca. E o resultado foi feliz para todos – tanto para o Movimento, quanto para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Como se deu essa relação de confiança entre a produção e os integrantes do MSTC?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; À medida que começamos a fazer parte da realidade deles, e eles da nossa, ficamos mais “invisíveis”, e eles mais à vontade. Isso foi uma conquista do filme. E também teve a ver com o jeito com que eram feitas as filmagens: era a câmera, o som e eu; e, às vezes, era a câmera, o som e o Pablo (Georgieff). A gente tinha o mínimo necessário para conseguir alta qualidade de som e imagem. O importante era a autenticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Quando surgiu a idéia de ter as histórias das quatro personagens como fio condutor do documentário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi – &lt;/b&gt;O Movimento dos Sem-Teto do Centro de São Paulo, assim como outros movimentos, são bastante matriarcais. As bases são as mulheres. Existiam outras coordenadoras, naturalmente, mas eu escolhi as quatro personagens – Neti, Silmara, Janaína e Ednalva – por apresentarem características, idades e jeito de ser diferentes, e para dar um aspecto mais amplo do que elas representam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Para quem assiste ao documentário, fi ca evidente que os momentos de maior tensão são os dias das ocupações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; Sem a menor dúvida. Mas a logística disso foi muito complexa. A gente não sabia quando, nem onde iriam acontecer as ocupações. Para que não vazasse e chegasse à polícia – eram, naturalmente, informações secretas, a não ser para alguns coordenadores do Movimento. Nós não conhecíamos também, éramos avisados, a cada dia, para nos prepararmos porque o dia se aproximava. Como nunca havíamos passado por algo parecido, nos organizamos para uma verdadeira batalha campal: compramos botas especiais, mochilas com kits básicos de sobrevivência – comida e cobertor. Em um determinado momento, é claro que o medo e a apreensão tomaram conta de todo o grupo. Ao todo, foram sete ocupações. Mas nós tínhamos quatro equipes de filmagens, por isso escolhemos acompanhar as ocupações em que estavam as nossas personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Como foram os confrontos com a polícia? Em algum momento a equipe do filme sofreu repressão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; Os confrontos foram, com certeza, os momentos mais difíceis da filmagem. Em nenhuma ocasião a polícia teve qualquer atitude de repressão em relação à equipe. Nós usávamos coletes que, mesmo sem ter nada escrito, nos identificavam como pessoas que não pertenciam ao Movimento, mas que estavam apenas registrando. Houve muito medo, muita confusão, muita correria. As balas perdidas e, mesmo as de borracha, podiam cegar. Havia também bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e gás de pimenta: tudo isso apavorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Como se davam as ocupações?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; O MSTC ocupa prédios vazios, públicos ou privados, que estão abandonados há muitos anos, com graves problemas de impostos, por exemplo. Essa é uma estratégia para obrigar as autoridades municipais, estaduais ou federais a lidar com a questão da moradia. Esse é o objetivo das ocupações. Algumas são muito vitoriosas porque obrigam e exigem ações do poder público e, a partir de convênios com a prefeitura, com o Estado ou com a federação, o Movimento faz empréstimos, consegue comprar o edifício, reformar e transformá-lo em uma habitação digna para o morador sem-teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – As ocupações são violentas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; Esse processo não é nenhuma guerra em que homens atacam homens. Os sem-teto ocupam o edifício, a polícia e a tropa de choque vêm proteger a propriedade. Os sem-teto não se jogam contra a polícia e a polícia não se joga contra os semteto – a não ser que eles tentem invadir a propriedade privada. Na verdade, os policiais são povo como eles e tão pobres quanto eles, mas estão defendendo o sistema. É violento, sim, há dor, medo, a polícia tenta dispersar os sem-teto, mas é importante ressaltar que eu não vi nenhuma truculência da polícia contra o ser humano. Na Constituição brasileira consta que qualquer imóvel subtilizado ou não utilizado pode ser colocado à disposição da desapropriação porque o imóvel existe para ter uma função social. O MSTC ocupa imóveis abandonados há 15, 20 anos. Não se pode dizer que esses imóveis têm alguma função na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Dia de Festa pode ser visto como um filme-denúncia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; Acho que não. Ele transcende essa questão. Ele tem, obviamente, uma denúncia a respeito de uma realidade invisível, que a classe média brasileira desconhece. A idéia e a imagem que a mídia faz dos sem-teto é de que eles são um bando de desocupados, desempregados, mulambentos. Na verdade, o que existe é um enorme preconceito. O filme fala disso: do preconceito de classe. A classe média – os que tiveram oportunidades, os formadores de opinião, os que têm um teto para morar e que se alimentam três vezes ao dia – têm um enorme preconceito contra o pobre. Dia de Festa mostra os sem-teto como pessoas reais, humanos sensíveis, de valor, com honra e dignidade. O filme é mais do que uma denúncia, é uma reflexão sobre um país que tem milhares de injustiças sociais e que precisa pensar sobre isso. Todas essas questões sociais, do preconceito, do racismo, da violência têm origem na desigualdade, na pobreza, na falta de oportunidade. Enquanto o Brasil não olhar profundamente para questão social, teremos os PCCs, essa violência rompante das cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – O documentário foi rodado em 2004 e lançado em 2006. Como foi a pós-produção?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; O documentário foi rodado no final de 2004 e, em 2005, o finalizamos. Um documentário desse caráter, longa-metragem com uma proposta não-jornalística e mais narrativa, exige um tempo de pensamento, de tentativa e erro e de reflexão muito maior. Além disso, o lançamento demorou também por causa do financiamento. Com o documentário já na lata, a gente foi atrás de patrocinadores. Conseguimos o apoio do Fonds Sud Cinema – um programa do governo francês de incentivo ao cinema da África, da Ásia e da América Latina – e da Petrobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;BF – Você acabou de voltar do 59º Festival de Cannes. Como o cinema brasileiro é visto pelo mundo?&lt;br /&gt;Venturi –&lt;/b&gt; Para ser bem sincero, o mundo não vê cinema brasileiro. E isso não é nenhuma novidade para quem faz parte do meio. Podemos dizer que estamos começando o ano 1 do cinema brasileiro, em que ele volta a ter uma ação institucional, coletiva e mais abrangente. Até então foram ações pontuais e muito individuais: O Quatrilho, quando foi indicado ao Oscar, em 1996; Central do Brasil, quando foi o vencedor do Festival de Berlim, em 1998; Cidade de Deus, quando indicado a quatro categorias do Oscar 2004. Agora se pensa em ações para levar o cinema brasileiro ao exterior. Esse trabalho, que é de médio prazo, deve surtir efeito daqui a uns cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quem é&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;b&gt; Toni Venturi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; Paulistano, nascido em 1955, Toni Venturi é bacharel em Cinema pela Universidade de São Paulo e &lt;st1:personname productid="em Artes Fotográficas" st="on"&gt;em Artes Fotográficas&lt;/st1:PersonName&gt;, pela University of Ryerson, Toronto, Canadá. Em seu currículo, somam-se nove produções, das quais quatro são curtas-metragens: &lt;i&gt;Under the table, &lt;/i&gt;de 1984; Sem fronteiras, Rio-Leningrado, de 1988; &lt;i&gt;Guerras, &lt;/i&gt;de 1989; e 1999, de 1992. Em 1997, Venturi roda o primeiro longa – &lt;i&gt;O Velho, a história de Luiz Carlos Prestes. &lt;/i&gt;Com o documentário recebe os prêmios de Melhor Filme Brasileiro no 2º Festival Internacional de Documentários – &lt;i&gt;É Tudo Verdade, &lt;/i&gt;SP/RJ, 1997; Melhor Documentário no 5º Festival de Cinema e Vídeo, Cuiabá, 1997; e Resgate Cultural e Histórico da APCA 97 (Associação Paulista de Críticos de Arte). Com o longa- metragem&lt;i&gt; Latitude Zero, &lt;/i&gt;recebe o prêmio de melhor roteiro no 33º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2000; Panorama / Seleção Oficial no 51º Festival de Berlim, 2001 e melhor direção no 5º Festival de Cinema Brasileiro de Miami, 2001. Em 2004, dirige &lt;i&gt;Cabra-Cega, &lt;/i&gt;filme de ficção sobre o Brasil dos 1970. Em 2005, o filme recebe seis prêmios no Festival de Brasília.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115144409195216951?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115144409195216951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115144409195216951&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115144409195216951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115144409195216951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/cineasta-mostra-o-drama-dos-sem-teto.html' title='Cineasta mostra o drama dos sem-teto'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115126157597532529</id><published>2006-06-25T15:51:00.000-03:00</published><updated>2006-06-26T21:01:37.493-03:00</updated><title type='text'>Em festa de barão também se põe a mão</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08418.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/DSC08418.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-STYLE: italicfont-family:verdana;font-size:85%;"  &gt;Por Raquel Gonçalves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Amiga, vamos numa festa bem diferente hoje. Tem coragem de dar? 45 reais mulher, 75 homem. Open bar, tudo liberado, num hotel cinco estrelas na Beira Mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;-É..., caramba, vou não, muito caro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;- Beleza, vou comprar nosso ingresso, te pego na tua casa umas 11 horas, beijo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;-&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;...&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;...&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Em trajes de seda e sandálias douradas, chegamos na ‘festinha’ de barão. Na porta do hotel, o amigo da minha amiga entrega as chaves da L-200.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- O estacionamento é dez reais com manobrista. Preço único da noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- OK, pode levar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na entrada, uma recepção realmente cinco estrelas. A sandália fina mal fixava no chão de granito encerado e escorregadio. Homens engravatados e mulheres cintilantes cumprimentavam os primeiros convidados da festa e indicavam o salão real. “Just on the list”. Na porta, recebemos uma pulseira de livre acesso com o nome da festa. Pronto, aquele ícone que envolvia meu braço permitia comer, beber e usufruir do espaço até as seis horas da manhã. Champanhe, vinho, cerveja, água, refrigerante a vontade. &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;Smirnoff e Red Label também faziam parte do cardápio. No buffet, salgados, canapés, patês, tortilhas em três espaços diferentes da festa, era só chegar e servir-se. Ops! É bom lembrar: só quem estivesse com a pulseira mágica. Afinal, um segurança em cada mesa ali estava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Meia Noite&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;-Eu preferia fazer uma festa na minha casa com 75 reais. Pra vocês até que vale por 45, mas pra gente....&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- Pára de reclamar, agora já ta aqui, vê se se diverte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- É... então..vamos beber... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;O espaço ainda vazio. As poucas pessoas que até então ocupavam o salão iam se amontoando em volta dos três bares. Na pista de dança, as luzes ocupavam o espaço com três ou quatro pessoas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Verde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Batida &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Branca&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Câmera lenta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Azul&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Bola de cores &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Vista lenta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Vermelho, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fecha os olho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Amarelo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Vibração&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Álcool na cabeça &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Uma e meia. Salão lotado. Mesas do buffet ainda quase que intocadas. A elite jovem cearense mostra-se super ‘educada’. Não sei quem era o mais controlado para não ter ainda ido atacar os quitutes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;As horas vão passando e as pessoas cada vez mais “felizes”. O álcool vai tomando conta. A imprensa entra em ação, não pode deixar de registrar as ‘privês’ cearenses. Vários sites registram os jovens. Mas não ao natural do divertimento de uma festa ‘open bar’ e sim, todos muito comportados, sorrindo aos flashes. A Tv União e o Must não podiam ficar de fora. Haidar e Natalia Nara também compõem o cenário.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;A Dj loirinha, maquilada, estrangeira entra em cena... não sei mais que horas eram. As coisas começam a ficar mais lentas e engraçadas... acho que começo a me divertir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Olho para o buffet, mais parecia um formigueiro. Bêbados esfomeados devoravam os quitutes da “Just on the List”. Vejam só.... não disponibilizaram talher. Lindo. Os jovens da elite cearense bêbados devorando comidinhas com as mãos num hotel cinco estrela da Beira Mar. Quanta hipocrisia...&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;No banheiro, conhei Valéria. Seus olhos vermelhos me chamaram atenção. Mas aqueles não eram olhos de bêbadas ou de droga alguma. Valéria estava cansada, trabalhando no banheiro feminino desde as sete da noite. Não sei, mas já devia ser umas quatro e meia da manhã. Olha que engraçado, tanta comida para o povo da pulseirinha mágica e não alimentaram os funcionários. Idéia burra, eles podiam se revoltar contra os patrões e roubar um presuntinho debaixo da blusa. Conversamos uns 30 minutos. Não lembro bem os detalhes. Eu me dirigi ao buffet, enchi meus bolsos de pães finos e tortinhas, sorri para o engravatado, e passei para o banheiro. Afinal de contas, eu tinha a pulseirinha mágica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Volto para a pista e meus amigos já me procuravam... Cenas meio vagas na minha memória desse final sombrio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;- Vamo nessa, já ta amanhecendo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115126157597532529?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115126157597532529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115126157597532529&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115126157597532529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115126157597532529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/em-festa-de-baro-tambm-se-pe-mo.html' title='Em festa de barão também se põe a mão'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115107098156359815</id><published>2006-06-23T10:53:00.000-03:00</published><updated>2006-06-23T13:46:07.883-03:00</updated><title type='text'>[Sem Título]</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;                                                                                                                                          Por Henrique Araújo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fome, sede, pernas bambas. Enegrecidas pelo manuseio diário das páginas de jornais, as mãos deixam marcas nos assentos da van, que segue em frente em seu ritmo alucinado. A ambulância pilotada por Nicolas Cage num filme de... Começa com “F” ou “M”, mas agora não lembro. Me sinto, por instantes, parte de um road movie à brasileira ou qualquer coisa parecida. No lugar dos psicotrópicos, alucinógenos e congêneres, fome. Tontura em vez de glamour. Assim a rotina acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tonturas. Há duas semanas ou mais. Vêm e vão sem maiores explicações. Atribuo tudo à fome. Afinal, já passava das 13 horas. No estômago, nem sinal do longínquo café-da-manhã – modo pernóstico de dizer café com pão e manteiga, por vezes uma fatia de queijo ou presunto. Nada de frutas ou leite. Creme com bolachas. Cereal no pratinho ou iogurte. Apenas café com pão e manteiga. Margarina. Queria Geléia de Mocotó, mas o dinheiro não chega. “Não chega”, digo e repito. Ninguém acredita. Onde a botija?! Na puta que te pariu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avenida Pontes Vieira. Começa quando termina a 13 de Maio. Termina quando começa a Virgílio Távora. Ao longo do percurso: Assembléia Legislativa, Boi do Sertão, Clínica São Mateus, etc. Concessionárias. Padarias. Pela manhã, cheiro do pão quentinho. A contragosto, olho. Gosto. De pãezinhos, quatro ou cinco, embrulhadinhos na sacola. Mamãe feliz, papai mais ou menos. Tudo muito bem temperado em verde e amarelo. Que é Copa do Mundo. Brasil na cabeça. E na barriga? Gooooooool, grita seu Tavares, antes de cair de braço no cabo da enxada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na Pontes Vieira. Muito bonitinha, a avenida, lhe faltando somente algumas árvores. Lugar fantástico, sempre passo olhando: Revistas e Cia. Coisa de quando ainda era menino. Tem também uma pastelaria com cara de lanchonete de terminal. Gosto dela assim mesmo, terminal. Um pastelzinho terminal para um jovem terminal. Um pouco mais adiante, o shopping center Iguatemi. Órgão implantado e rejeitado pelo ecossistema manguezal. Se me perguntassem, seria cáustico: não parece mesmo com um siri anabolizado? Ganhou vida e engoliu o mangue, doravante descartável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corte pra van, à mil comendo o asfalto ondulado da Pontes Vieira. Comendo. Alguém tem que fazê-lo. Pelo menos estou sentado. Se desmaiar, pensarão “dormindo, o pobrezinho”, ou, simplesmente, coisa alguma dirão. Prefiro assim. Inaudito. Desdito. Não desmaio ou durmo. Sempre bem acordado, mesmo dormindo. Em volta, cenário made in Monet: rostos bonitos, brancos. Porte esguio, atlético. Marcas do bronzeado custoso. No final das contas, tudo vale a pena, cada centavo investido nas curvas ou no bíceps bem-aquinhoado. Cada centavo. Modéstia à parte, somos bons no que fazemos de melhor – ou seríamos melhores no que fazemos de bom?! O fato é um só: rapazes e garotas, meninos e meninas, tudo não passa duma grande curtição, e Deus, claro, um grande gozador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrupto, final de linha. O cobrador pergunta: esquerda ou direita? Embora, na prática, não faça tanta diferença, digo moro à esquerda, em seguida salto com os olhos pregados no chão. Evito todos. Não olho nos olhos. Todos os dias o mesmo trajeto. A mesma fome acompanhada de tonturas, suor e pernas bambas. A mesma fome. Por vezes, a barriga cheia, ainda assim persiste, faminta, a fome. Sou um prato cheio, sei muito bem disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115107098156359815?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115107098156359815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115107098156359815&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115107098156359815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115107098156359815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/sem-ttulo.html' title='[Sem Título]'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-115090179198917667</id><published>2006-06-21T11:53:00.000-03:00</published><updated>2006-06-21T12:01:12.706-03:00</updated><title type='text'>Vai mudar...</title><content type='html'>Depois de um processo de reformulações, feito menino com frivião na bunda, o TR.E.M.A. se mexe mais uma vez daqui pra lá, de lá pra aculá, nessa cadeira justa que ainda é o blog pra gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretensões têm muitas e depois a gente vai mostrando aos poucos o que o grupo tá pensando e começando a executar nas próximas semanas. Pra não se fazer de difícil, a gente apresenta a proposta de um blog diferente, que continua sendo o principal veículo de escoamento da produção do grupo, mas de forma diferente, mais dinâmica, já meio enciumado com um site -uma cômoda cheio de gavetas e outros paramentos - que virá nos próximos meses, coisa pra se contar nos dedos de uma mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O blog agora abrigará, além das reportagens, posts menores, mais dinâmicos e de freqüência quase diária. Espaço para percepções inquietantes sobre o dia-a-dia de Fortaleza, comentários sobre a convulsão passiva dessa cidade, sua poética, sua brutalidade... Espaço também para produções não jornalísticas, mesmo ficcionais, que reflitam sobre a cidade e que tragam outros olhares sobre o mundo anônimo que o TR.E.M.A. propõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que terá abrigo no blog, essa marquise nesses dias nublados de existência urbana, é a difusão de produtos culturais produzidos por outras pessoas e veículos que não o grupo. Sempre com o olhar obsessivo da cultura e suas problemáticas. É daí que a gente convida aos leitores desta espelunca de tom poético refinado em alguns casos, vulgar em outros tantos, que se tornem colaboradores e que a gente pense em conjunto - como a de ser o caminho para uma transformação – essa selva de pedra, fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudar também aos chegados de poucos dias no grupo: Clarissa, Bruno, Angélica, Débora e Davi. Este último estudante de filosofia, o primeiro não-estudante-de-jornalismo a se integrar ao grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu pessoal, o reforço é essencial. Vamos conspirar em público.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-115090179198917667?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/115090179198917667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=115090179198917667&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115090179198917667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/115090179198917667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/vai-mudar.html' title='Vai mudar...'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114951545164413358</id><published>2006-06-05T10:39:00.000-03:00</published><updated>2006-06-16T15:46:13.450-03:00</updated><title type='text'>Espiritismo e Frangos Abatidos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Img_1229.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Img_1229.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Texto e fotos: Henrique Araújo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era madrugada. Sendo ou não a primeira vez, a verdade é a mesma: a faca desliza pelo pescoço fino, e eis o sangue a correr viscoso e quente através das penas. Há outra alternativa, esta mais espetacular: torcer-lhe o pescoço com as próprias mãos. Depois é só assistir às piruetas e volteios do animal. Mas, no caso de dona Socorro, não havia tempo suficiente para desfazer-se em considerações acerca da vida e da morte ou mesmo deliciar-se com a capacidade de matar da qual somos dotados. Eram dezenas de frango na fila de espera, todos aguardando pacientemente o contato suave de suas mãos. Dona Socorro, uma senhora de olhos azuis e rosto amável, era uma amadora quando começou. “Nunca tinha matado um frango na minha vida”, uma ponta de culpa nas palavras. Depois de mortos, arrancava-lhes as penas, mergulhando-os em água fervente. As vísceras eram retiradas através de um corte profundo na base do frango. À espera delas, gatos. Roçando-se nas pernas de dona Socorro ou empoleirados nos muros, acompanhavam, toda noite, o desenrolar do abate.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O nome completo é Maria do Socorro Carneiro de Moraes. Tem 63 anos e há 43 mora na Parquelândia, bairro de Fortaleza cuja história se confunde muitas vezes com a dela. Dona Socorro, como é conhecida de todos, não se surpreende quando, numa quarta-feira de dezembro de 2005, entre livros folheados ao acaso e perguntas desconcertadas, revelo a finalidade da visita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Vim entrevistar a senhora”, pensamento logo seguido da pergunta, verbalmente expressa, “posso dar uma palavrinha com a senhora?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A tarde apenas começava e dona Socorro, apontando um banquinho de madeira, pediu-me que sentasse. Foi relembrando um pouco esses dias de ontem e hoje que deu início a uma conversa que se entendeu por quase toda a tarde, somente interrompida, em alguns momentos, por clientes à procura de livros e catadores de lixo que lhe traziam pilhas de Cláudia, Veja e Caras esfarrapadas. “Se não fosse por mim, estas revistas iriam pro lixo. Também compro pra ajudar”, explicou-se depois que um negro esquálido, curvado sobre um carrinho-de-mão cheio de papelão, foi embora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E foi também numa quarta-feira, a última de maio de 2006, que a visitei novamente. Desta vez, fui recebido como um velho amigo a quem dona Socorro há muito não via. Sentamos nos mesmos bancos de madeira, agora à esquerda da banca de novos e usados. “É que de manhã o sol bate lá daquele lado”, explicou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há 15 anos à frente de Antiquário, banca de livros e revistas que fica na Praça da Igreja Redonda, dona Socorro é dessas que fincam pé quando querem alguma coisa. Quando pensou em trabalhar, foi como se tivesse entrado em rinha de cachorro grande. E foi realmente desta matéria-prima que dona Socorro tomou para modelar a própria vida: teimosia. De um lado, o pai e sua carranca; do outro, o noivo cuspindo reprimenda às aspirações da futura mulher. No meio, a aparência frágil de dona Socorro. Premida pelas circunstâncias, casou e foi cuidar da casa, dos filhos e do agora marido, Sr. Walter. Tudo, a bem dizer, calculado. Queria mesmo era fugir do jugo familiar, encarnado na figura paterna. Acabou esbarrando na figura não menos rígida do marido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Sempre quis trabalhar, o pai é que nunca permitiu. Mulher para ele era da cozinha pro quarto, e só. Quando casei e vim morar aqui na Parquelândia, em 1962, a cabeça do marido era a mesma; a discriminação contra a mulher, também. Queria estudar Direito, mas acabei me submetendo”, diz entre risos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Img_1193.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Img_1193.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, pergunta recorrente, como chegou mesmo a vencer as resistências e conseguiu trabalhar?! Dona Socorro esclarece rápido: “necessidade”. Entre uma atividade e outra, ela garante que fez de tudo um pouco, um bocado: foi costureira, sacoleira, proprietária de uma agência de publicidade e transportou, ainda, alunos de escolas da vizinhança. Catou alimentos em feiras livres da capital. Nesta época, a cabeça, segundo ela, “já tinha parado de funcionar”. Tudo por causa dos frangos abatidos ao longo da madrugada no quintal de casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Fornecíamos frangos ao Hospital Antônio de Pádua, que hoje nem existe mais. Nunca tinha matado um frango na minha vida. Comecei mesmo por necessidade. Foram quase dez anos abatendo frangos. Como tínhamos de entregá-los de manhã muito cedo no hospital, passava quase toda a madrugada abatendo”, relembra emocionada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Foi quando a senhora entrou em depressão...” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Foi. A partir de certo momento, percebi que morria a cada animal abatido. Foi a pior coisa que já fiz em toda a minha vida”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dona Socorro esclarece. Após cerca de dez anos trabalhando como açougueira, caiu em uma espiral de crises: financeira, psicológica, religiosa, emocional. “Minha vida era um conflito. O Walter, meu marido, foi embora pra São Paulo no final dos anos 70. Fiquei sozinha”. O episódio funcionou como uma espécie de divisor de águas em sua vida. Mudou radicalmente os seus hábitos alimentares, passando a não comer mais carne animal, e descobriu na doutrina Espírita um refúgio. A banca, encontrou-a pouco depois, quando estava à procura de trabalho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Era o que eu precisava. Depois de conseguir a concessão para trabalhar na banca, fui para lá sem nada, porque as distribuidoras não queriam fornecer revistas para outro estabelecimento, sendo que já havia um na praça. Então comecei só com as revistas que tinha em casa, e foi quando descobri a verdadeira razão da minha vida: os livros”. Os primeiros livros foram recolhidos na vizinhança mesmo. “Saí pedindo de casa em casa, e todo mundo contribuiu com alguma coisa”, relembra. A partir daquele instante, segundo dona Socorro, sua vida transcorreu sobre dois eixos: “a necessidade de trabalhar e, antes de tudo, a paixão pelo que fazia”. E assim continua até hoje, quando completa, em meio a dificuldades financeiras, quinze anos de “Antiquário”. Entre as razões do aperto, dona Socorro aponta a recessão que vive o País. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Infelizmente, livro não é artigo de primeira necessidade. As pessoas passam em frente à banca e apenas olham. Seguem direto para a Frangolândia, um supermercado logo ali. A comida é mais importante”, brinca. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes de ir embora, uma grata surpresa. Dona Socorro enfurna-se em um compartimento da banca que eu não sabia existir. Em poucos minutos retorna com um exemplar de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, escritor que lançou os princípios basilares da doutrina Espírita. “Este livro me salvou”, diz olhando-me demoradamente. Agradeço, recebendo ainda um abraço materno. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114951545164413358?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114951545164413358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114951545164413358&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114951545164413358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114951545164413358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/06/espiritismo-e-frangos-abatidos.html' title='Espiritismo e Frangos Abatidos'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114860338267623193</id><published>2006-05-25T21:26:00.001-03:00</published><updated>2006-05-25T21:29:42.680-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold;"&gt;Olá leitores e leitoras do Grupo TR.E.M.A.,&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;estamos há três meses no ar, embora a existência do nosso grupo date de pouco mais de seis meses. Hoje, apresentamos aqui, uma pequena avaliação e análise do material produzido por nós. Trata-se de uma autocrítica no sentido de compartilharmos um pouco das nossas perspectivas com as pessoas que vêm acompanhando o grupo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gostaríamos de agradecer aos leitores e às leitoras que vêm comentando nosso trabalho, esta participação vem sido encarada por nós sempre na perspectiva de estarmos integrados na construção de uma comunicação mais humana, menos opressora, na qual haja maior respeito e compreensão. O nosso maior objetivo é compactuar para a construção de uma outra sociedade. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Antes de inserirmos críticas, podemos nos elogiar rapidamente. Consideramos que nosso maior mérito esteja na capacidade de conseguir manter uma periodicidade razoável. Estamos com um intervalo médio de quatro dias entre uma publicação e outra. Internamente, estamos sempre em processo de discussão de nossas produções, analisando-as nos quesitos: linguagem, informações, angulação, contato com as situações retratadas. Isso nos faz constantemente repensarmos nossas atividades. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No entanto, quando fazemos uma rápida passagem por todos os nossos textos, podemos, sem muitos esforços, diagnosticar que nosso enfoque tem se voltado principalmente para as relações de trabalho de nossos personagens. Aparentemente, isso não se trata de um problema, pois estamos em um contexto no qual realmente somo vítimas do trabalho, responsável pelo anonimato oriundo, principalmente, da modernidade. No entanto, não podemos nos limitar a representar as relações de trabalho e sim, ao abordá-las, extrapolarmos as perspectiva a fim de defender que, dentro desse universo da produção, existem seres humanos, com experiências e narrativas interessantíssimas que inconscientemente ajudam a pensar e questionar essas amarras. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Falta-nos esse enfoque. Isso acontece, possivelmente, por dois motivos. Primeiro por uma questão mais pontual: nosso tempo é escasso. Os integrantes e a integrante do Grupo Trema possuem outras demandas do mundo do trabalho também. No entanto, a ausência de experiência e vivência da situação retratada contribui para que não possamos extrapolar os olhares acerca do que se escreve. Apesar disso, tivemos alguns textos que conseguiram minimante representar de forma mais honesta a experiência, como, por exemplo, os textos sobre o Bom Jardim, o Orçamento Participativo e a Viagem em Salvador – embora ainda estejam longe do que almejamos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Outra questão meio problemática, principalmente na questão metodológica, é com relação às condições de nossas personagens. Estamos estabelecendo contato com realidades distintas da nossa. Isso por um lado poderia ser muito bom, pois nos permitiria dar e ter uma maior perspectiva sobre o mundo. No entanto, nesse contato, falta-nos a bendita experiência. Estamos caindo em um dos mesmos erros da mídia hegemônica: burocratizando e canalizando informações. Ou seja, nossas entrevistas, pela pressa, reproduz a mesma relação antidialógica, rotineiramente, vivida nas grandes redações. Não estabelecemos nenhum vínculo com os grupos trabalhados. Ao invés disso, deveríamos narrar experiências, ou mais, compartilharmos e construirmos em conjunto com os grupos escolhidos nossas narrativas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Embora, haja aproximação com a mídia burguesa, é importante frisarmos, que nos diferenciamos principalmente por estarmos detectando nossas limitações temporárias e estamos dispostos a transpô-las, construindo nossas alternativas. E se cometemos os mesmos equívocos, isso acontece por fragilidade do grupo que ainda busca uma maior certeza de seus objetivos, que aos poucos, sejamos otimistas, estarão mais sólidos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por fim, não poderíamos deixar de enfatizar a nossa experiência com os terminais no período da madrugada. Esta talvez seja a nossa mais feliz “descoberta” e que nos permita executar e nos aproximar dos nossos projetos iniciais. Nos terminais, podemos sim, encontrar um mundo realmente anônimo e, ao mesmo tempo, cheio de narrativas, de experiências. As poucas vezes em que nos pautarmos por isso provaram esse fato. Os terminais nos permitem viver as experiências de fato, por isso, esses tipos de texto são difíceis e estiveram ausentes. Além disso, a possibilidade do dialogo é muito forte nesses espaços. Muito em breve, estaremos retornando com essas atividades, mas com uma novidade. Estaremos hospedando nossa experiência nos terminais em um novo endereço: &lt;u&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;color:blue;"  &gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/blogs/blog.php?blog=19"&gt;http://www.overmundo.com.br/blogs/blog.php?blog=19&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No mais, ansiamos por mais críticas ao nosso trabalho para podermos firmar um projeto participativo e transformador de valores e atitudes.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Até a próxima,&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114860338267623193?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114860338267623193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114860338267623193&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114860338267623193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114860338267623193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/ol-leitores-e-leitoras-do-grupo-tr.html' title=''/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114808217845223944</id><published>2006-05-19T20:41:00.000-03:00</published><updated>2006-05-20T11:07:26.666-03:00</updated><title type='text'>Meninos do Coco</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08303.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC08303.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sol quente de rachar o asfalto, rostos suados sombreados pelo boné, correria entre os carros na disputa pelo próximo cliente sedento. “É nesses dias de sol que a gente vende mais água de coco no sinal”. Av. Treze de Maio com Av. Carapinima. “OOOlhaaa o coco coco coco gelado olha o coco gelado olha o coco...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanhece e Solano começa sua rotina de trabalho engarrafando águas de coco diariamente no Montese. “Tem que ser todo dia, porque se não a água estraga”. A matéria prima é vendida pelos caminhoneiros que trazem os cocos de Paraipaba, região mais rica em coqueiros no Ceará. Cinco meninos, que logo mais estarão nas ruas da cidade, ajudam Solano no processo de engarrafamento. “A gente usa um equipamento que funciona pelo mesmo princípio do gelágua. A gente abre o coco coloca na máquina e ela já sai na temperatura adequada para o conservamento. Imediatamente colocamos nas garrafas, lacramos e colocamos no isopor com gelo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das nove da manhã, lá vai Solano, deixando seus funcionários e isopores nos cruzamentos da cidade. Av. Treze de Maio com Carapinima: aqui ficam dois, Edilson e Alexandre. “Em dia de sol, a gente vende mais ou menos 70 garrafinhas de água de coco. Tristeza é quando chove. Não chega nem a vender 10.” Os meninos, enquanto conversam comigo, ficam ligados no trânsito para não perder nenhum consumidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio dia! Hora de almoçar. A quentinha está incluída no contrato verbal. Solano compra os cocos dos caminhoneiros por 15 e 30 centavos, depende do tamanho do coco. Depois de engarrafá-las, passa para os meninos por 75 centavos. Edilson e Alexandre revendem por 1 real. Logo, um ganho de 25 centavos por garrafinha. Toda a negociação entre os meninos e Solano é por consignação. Se ganha, o quanto se vende. “No final do mês, se for bom de sol, chega a uns 600 reais, da pra ajudar lá em casa.” &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC08304.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 10 vendedores que trabalham para Solano no momento. “Mas no verão, meses de setembro a dezembro, chega a dobrar esse número de vendedores, a saída é bem maior”. Bela Vista, Centro, São Cristóvão, Montese, Serrinha. Tem vendedor de todos os bairros. Edílson já trabalha no ponto em frente ao Shopping Benfica a 1 ano e meio. Está há três anos com Solano vendendo coco. Antes, ficava ali, em frente ao Pão de açúcar, no cruzamento da Av. Aguanambi com a Rua Soriano Albuquerque. “Mas ali começou a ficar devagar o movimento, ai eu preferi vim pra cá.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem alguns lugares que a concorrência é grande e nem sempre a venda é tão tranqüila assim. “Às vezes, quando tem vendedor de outro fornecedor, tem alguns que brigam pelas vendas, mas eu mesmo nem me meto”. O magrelo Edílson, apesar do sol escaldante e torturante de duas horas da tarde, mostrava-se calmo e sereno ao conversar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final de tarde, os meninos vão embora junto com o sol. Solano passa nos pontos de venda, recolhe o isopor e a grana. Calcula o lucro diário dos meninos do coco. De imediato, já os paga. “Trinta e cinco reais pra nós Alexandre, maravilha, o sol nos ajudou hoje”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114808217845223944?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114808217845223944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114808217845223944&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114808217845223944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114808217845223944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/meninos-do-coco.html' title='Meninos do Coco'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114774732832304411</id><published>2006-05-15T23:31:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T23:43:38.123-03:00</updated><title type='text'>Maratona dos questionários</title><content type='html'>Aconteceu em &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;05 de maio de 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dava pra ler na pasta que o professor segurava “Destaques de &lt;st1:metricconverter productid="2005”" st="on"&gt;2005”&lt;/st1:metricconverter&gt;. Ele respeitava o convite. O cabelo estava partido, parecia um ratinho caricatural, com os dentes para fora, uma testa grande. Era um desenho animado? Provavelmente, ele comprou um sapato e uma roupa nova para aquela solenidade de grande importância, mas que não conseguia escapar do atraso. A festa era para os estudantes da escola, mas só podia começar depois que o diretor do colégio aparecesse. Enquanto o ilustre não chega, um desfile de elogios, abraços, beijos, desavenças.   &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Ratinho-cerimonialista:&lt;/b&gt; Boa Noite, senhoras e senhores. É com muito orgulho que hoje apresento esta solenidade, no qual nosso colégio tem a honra de homenagear os seus destaques de 2005, que se esforçaram ao longo do ano, estudaram e dão orgulho demais à nossa escola, fazendo acreditarmos, cada vez mais, no nosso papel enquanto educador. Antes, no entanto, de começar a dizer o nome das estrelas do ano passado, passaremos a palavra ao nosso querido diretor, que incentiva tanto atividades desse tipo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Diretor-atrasado: &lt;/b&gt;Boa Noite! É com muito orgulho que o Colégio 7 de Setembro realiza todos os anos esta solenidade. Nós acreditamos que através deste momento estamos incentivando cada vez mais os nossos alunos a se destacarem nos estudos e assim estudar cada vez mais. Nossa escola tem como objetivo não apenas dar informações nem preparar os jovens para os desafios da vida. Acreditamos que a nossa principal função é a de educar nossos jovens, dando ensinamentos cristãos. Eu gostaria de pedir aos pais, que após a homenagem de seu filho não se retirassem, pois é importante que se incentive os demais destaques e inclusive sirvam de exemplo para que seu filhos continuem querendo sempre mais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Aviso desnecessário, porque todo mundo já tinha visto no corredor o ensaio de um coquetel. Começa logo, pra gente comer. A clack mecânica funciona, mas omite as risadas e reforça as palmas. O local é sério. O momento mais esperado começa. As estrelas do saber responder questões estão ansiosas para poder subir ao palco com a mãe ou o pai, mostrar a roupa nova e, claro, receber das mãos do diretor uma medalha de honra ao mérito, podendo, inclusive, tirar fotos com aquele bondoso homem. Porra nenhuma! Eu quero mesmo é saber se eles vão dar alguma grana ou de quanto vai ser a minha bolsa de estudo. Não fala muito alto, garoto! Assim estraga a festa. E não demora muito. Vamos chamar agora, os alunos do grupo III. Cada nome era lido seguido de um mini-currículo e depois as palavras chaves. Eles vão receber uma bolsa integral. E vejam bem! Com o dedo apontando para a platéia. Muita atenção! É uma bolsa integral para o ano inteiro. Não é mesmo uma maravilha? E se tivesse passado no vestibular, saído do colégio, ganhava era uma caderneta de poupança, para os alunos investirem no seu futuro, guardando 500 contos para a festa do casamento. Agora que terminou o colégio, já dá pra pensar nisso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E aquele grupo? O oitavo... não recebeu nada. Apenas a medalhinha no peito e o certificado. Nada de bolsa, cheque, caderneta de poupança. Olha ali, macho. Esse povo passou nos primeiros lugares, mas foi na FA7. Faculdades particulares não entram na parada das homenagens, porque não é tão concorrido... É diferente né? Tirar primeiro lugar numa federal ou passar no ITA, IME. Povo que passa também depois do 3º lugar não é destaque, né? É... digamos assim... sei lá. Só sei que não é destaque não. Ah, e só tão chamando o povo da FA7 porque enfim, né? É da Faculdade 7 de Setembro, que forma excelentes profissionais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E apareceu animal pra tudo. Mas atenção senhoras e senhores. Vou me demorar um pouco mais nestes garotos. Eles merecem a nossa atenção. Prestem atenção. Fulano, cicrano e beltrano estudam no 7 de setembro, desde quando nasceram. Ano passado, eles terminaram o ensino fundamental. E eles conseguiram nada menos do que conseguir média geral 10,0 durante a quinta, a sexta, a sétima e a oitava série. Eu disse 10. Não foi 9,9. Foi 10. Como prêmio, eles irão receber bolsa integral durante todo o ensino médio. Vejam bem. Não é só no primeiro ano. É uma bolsa de três anos, mas é merecido. Mais uma vez, a clack é acionada, mas um ishhhhhhhhh, antecede as palmas. Podem bater palmas, eles merecem. E terminamos aqui mais uma edição de nossos destaques de 2005. Vi que estiveram presentes muitos estudantes que não foram destaques ano passado. Acho isso importante para incentivo e quem sabe, ano que vem vocês estarão aqui de novo, mas recebendo homenagens. Agora, gostaria de convidar a todos para um pequeno coquetel oferecido por nós. Muito obrigado. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Corre ligeiro, menino, porque senão não pega comida. Macho, tu é doido, tem comida que só uma porra. Eu sei lá. Quero logo é garanti o meu. E no afago e nas proximidades dos corpos por um copo ou um salgadinho, ou um copo cheio de salgadinhos. Eis que escuto a pérola: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Puta merda, eu não consigo pegar um pãozinho. Passei esse tempo todinho nesse auditório chato e vou ter que jantar fora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Acho que vai mesmo, viu mamãe! &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114774732832304411?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114774732832304411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114774732832304411&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114774732832304411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114774732832304411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/maratona-dos-questionrios.html' title='Maratona dos questionários'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114738553038136890</id><published>2006-05-11T19:09:00.000-03:00</published><updated>2006-05-12T10:22:58.716-03:00</updated><title type='text'>Cultivando e Cantando</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;"Aqui estou, mais um dia. Sob o olhar sanguinário do vigia. Você não sabe como é caminhar com a cabeça na mira de uma HK. Metralhadora alemã ou de Israel. Estraçalha ladrão que nem papel." dispara um menino enquanto o outro toca o tambor, a batera e remixa só na boca. Começa assim a Assembléia Deliberativa do seguimento dos Jovens no Orçamento Participativo de Fortaleza.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ramon Cavalcante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Sábado, dia 6 de maio, 14 horas - quadra do CEFET-CE&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;No fim das assembléias, juntamente com a do segmento de portadores de deficiência, que aconteceria&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;*&lt;/span&gt; do Centro Presidente Médici, a assembléia da juventude mobilizou a maior participação entre os segmentos (mulheres, negros, idosos, portadores de deficiência e GLBT), 363 jovens cadastrados, fora as dezenas de menores de 17 anos (enquadrados no OP criança) que foram só pra assistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cada detento uma mãe, uma crença. Cada crime uma sentença. Cada sentença um motivo, uma história de lágrima, sangue, vidas e glórias, abandono, miséria, ódio, sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo. Misture bem essa química. Pronto: eis um novo detento” quando o menino termina de cantar começa a Assembléia. A galera do Lagamar, inclusive o cantor e o pitbox, veio em peso, no mínimo 100 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Assembléia Preparatória de Juventude o líder comunitário do Lagamar, Dei, defendeu que só participasse da Assembléia Deliberativa quem já viesse acompanhando o processo. A proposta foi recusada pela maioria – Tá certo então, pois eu vou trazer todo mundo do Lagamar. E assim ele fez. Um terço da Assembléia era do bairro. E defenderam as suas propostas. A proposta de criar um CuCa no Lagamar foi mais votada do que a proposta de criar um CuCa em cada regional, na verdade a proposta foi a mais votada da Assembléia, ganhou mais de 250 pontos, ficando em segundo lugar a do passe livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As propostas foram as mais diversas: construção de pistas de skate, criação de um fundo para jovens, agenda 21, passe livre, construção de uma gibiteca, criação de um CuCa na Serrinha, CuCa no Lagamar, CuCa em todas as regionais, preparação dos profissionais da área de saúde ao atendimento de mulheres em situação de aborto, quadras poli-esportivas, programa profissionalizante para jovens ex presidiários e rátátátá... mais e mais propostas na área de cultura, esporte, saúde, meio-ambiente e nenhuma proposta foi feita na área de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação do Lagamar e a intervenção do Dei mostram o quanto o processo ainda está verde, o quanto a participação efetiva e consciente ainda é limitada. Mas eu não tenho como negar a alegria de ver propostas claramente elaboradas pelas pessoas que precisam, defendendo, votando e aprovando dentro de um espaço tão desacreditado como é o Estado. E faço minhas as palavras da coordenadora do Orçamento Participativo, Neiara de Morais – “Eu espero andar pela cidade no próximo ano e ver em várias placas escrito ‘Esta é uma obra feita pelo povo, através do Orçamento Participativo’”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;*&lt;/span&gt; Inclusive, vale dizer, a Assembléia dos portadores de deficiência não aconteceu porque, de ultima hora, a assembléia foi transferida para uma sala que tinha dois degraus.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114738553038136890?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114738553038136890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114738553038136890&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114738553038136890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114738553038136890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/cultivando-e-cantando.html' title='Cultivando e Cantando'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114704146645661413</id><published>2006-05-07T19:34:00.000-03:00</published><updated>2006-05-07T22:19:55.276-03:00</updated><title type='text'>Dizem que existe um tal de brasil</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pelourinho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/pelourinho.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b style=""&gt;Dizem que existe um tal de brasil&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;impressões forasteiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Pedro Rocha, Salvador, abril de 2006.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;E quando se chega de mala e cuia ali na Praça da Sé&lt;/b&gt;, um pouco antes dos becos enviesados do Pelourinho, lá se vem de fitas na mão André, preto de andar apressado, morador da Baixa do Sapateiro, 25 anos de olhar seguro do que precisa fazer, de fala rápida e desenrolada, sotaque baiano, voz rouca, barba rala, de fitas na mão. Oferece ali para o turista que chega lembranças coloridas de salvador, de graça, e já vai amarrando no braço, enquanto desenrola o papo e dispensa outro concorrente que azucrina para levar os visitantes a algum albergue que lhe dará 10 ou 15 por centro de comissão pelo serviço. Dispensa na manha, dando confiança, “Aqui não é otário não, é nordestino, não é gringo.” &lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;Depois que a fita tá no braço&lt;/b&gt;, não custa nada comprar mais umas 10 por 1 conto. E daí que não tem trocado, tira de dois... na verdade ele ia cobrar era 3, mas vai pelos dois mesmo. E vai meu primeiro dois conto da viagem, rápido e confuso. Dois reais que interou naquela hora os 16, metade André do que vai apurar no fim daquele dia.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;A Solange é uma moradora de rua desengonçada&lt;/b&gt;, dos dentes tortos, das pontas dos dedos mal formadas, poetisa, de olho rápido, aguçado, de temperamento volátil, um tanto agressiva. Sincera demais para turistas que querem ser apenas viajantes. E daqui a pouco o que era uma conversa despretenciosa, vira meio que uma visita guiada pelo Pelorinho, até o nosso albergue.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;Ali, ela brincava&lt;/b&gt;, acompanhava Olodum, as batucadas, antes daqui virar um centro turístico cultural, limpo, bem guardado, recheado de galerias, restaurantes, ateliês, albergues, pousadas, gringas, gringos, baianas na função de posarem para fotos. Tudo muito bonito. No meio da conversa se levanta, pega dois canudos no lixo, os trança e deles faz e me entrega um laço vermelho. Solange tem aids, fala minha namorada chorosa depois, confirmando a sensibilidade da poetisa de olhar entre-linhas.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;Quando lhe vier na cabeça de entrar em um beco escuro&lt;/b&gt;, de bares fim de carreira, só pra ver qual é, e conhecer algo que não seja um postal, se ponha no seu lugar de classe média, turista, opressor e legitimador do que vem atrás do consumo de massa, do modelo de vida globalizado e do turismo. Talvez você evite perder 30 reais e os documentos para um cara que depois de balançar o pau no fim de uma mijada, coloca a mão dentro da camiseta e leva sua carteira.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;Depois do BO&lt;/b&gt;, a postura é de se dar uma folga frente conflitos sociais, comer uma ótima moqueca de marisco para três pessoas por 35 reais, em um daqueles restaurantes transados do pelô. Claro que o mais barato. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Outra opção para sua viagem pode ser um tira-gosto de piabas fritas, Pititingas, de pé na areia, ante o mar, na praia de Ponta de Areia, acompanhado de pimentinhas e farofa branca. 5 reais, fora o ferry boat para chegar na ilha de Itaparica e a topic até a praia. Quem sabe o grande shopping open mall Aeroclube Plaza, ou uma tarde em Itapuã, um Acarajé da Dinha... &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114704146645661413?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114704146645661413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114704146645661413&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114704146645661413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114704146645661413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/dizem-que-existe-um-tal-de-brasil.html' title='Dizem que existe um tal de brasil'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114657414834943008</id><published>2006-05-02T09:36:00.000-03:00</published><updated>2006-05-02T10:05:26.030-03:00</updated><title type='text'>Estrada da Vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08269.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC08269.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08269.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="right"&gt;Texto e Fotos: Raquel Gonçalves&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teresina, sete horas da manhã de uma quarta-feira. Paulo e Jorge estão prontos para mais uma jornada de trabalho pelas estradas do Brasil. O destino é Palmas, no Tocantins. Com a rota das estradas em mãos marcada no mapa, partimos. 1238km a serem percorridos até chegarmos ao destino. “Eu não conheço Palmas, mas essa estrada eu passei por ela há um ano, quando peguei a Belém-Brasília para ir à Goiás.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já parceiros em outras viagens, o rodízio funcionava mais ou menos de 6 em 6 horas entre os motoristas, para fechar as 26 primeiras horas de viagem: a ida. Éramos 31 estudantes, entre cearenses e piauienses, seguindo para um encontro estudantil. Paulo e Jorge se apresentam e iniciam a longa viagem. Afinal, era necessário o bom convívio, já que eles eram responsáveis pela nossa condução e estariam conosco pelos próximos seis dias. (Quatro do encontro e dois de viagem).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esperando o tempo passar, o banco disforme e acolchoado do lado do motorista sempre me parecia um belo convite ao aconchego. Assim o fiz. Entediada já da viagem, sentei-me ao lado de Jorge e puxei um bom papo. A bela paisagem do cerrado que já surgia no sul do maranhão e a chuva forte da estrada me distraía, enquanto Paulo agora descansava em um longo sono pesado, mesmo trepidando sobre os buracos da estrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Viajar pelas estradas do nosso País é sempre um grande risco. Já passei por experiências terríveis. Tenho muito medo. “Eu dirijo desde 1975, moça. Nunca sofri nenhum acidente, nem presenciei nenhum assalto. Graças a Deus!” Como deve ser passar a vida na estrada, tantos dias viajando... tantas pessoas, tantas experiências... “Eu amo a minha profissão. Há mais ou menos um ano, eu estava fazendo uma revisão debaixo do ônibus e o macaco arriou. Cortei gravemente minha cabeça, mas nem isso me fez desgostar da profissão de motorista.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Maria Oneide Bezerra Lima, sua musa. Casados há vinte anos. Filhos? “ao todo mesmo são onze espalhados pelo Brasil, tem no Pará, Maranhão, Brasília, mas minha mulher é tudo de bom, tenho dois filhos com ela e ela ainda me ajuda a criar meu caçula, que a mãe é de Oeiras, interior do Piauí.” Cada qual tem seus valores. Alguns, às vezes, meio incompreensíveis para mim. “Ou coisa boa é mulher. A gente tem que aproveitar enquanto pode. Sempre aparece umas oportunidades quando a gente viaja.” Relações amorosas: cada qual com a sua. Bem contraditória, às vezes. “Meu maior lazer é estar nos finais de semana com a minha família e tomar uma cervejinha com a minha mulher de frente para televisão. Não sou de sair para bar com os amigos e se embriagar não.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/DSC08107.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/DSC08107.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Existe amor de todo tipo. A realidade de Oneide é algo tão distante na minha cabeça que acho difícil de imaginar eu cuidando do filho da mulher que um dia foi amante do meu marido. Mas... enfim, como diziam alguns filósofos, o amor é uma troca de favores. Em alguns casos, eu até posso enxergar dessa forma também. “A gente se dá muito bem. Às vezes a gente briga, ela me insulta, mas aí eu fico calado, porque sei que ela tem razão. Aí ela diz que eu não sirvo nem pra brigar. Aí logo a raiva passa e ficamos bem novamente.” Jorge é muito família Jorge Fonseca Lima, 51 anos. Enxerga nos sogros, os pais que ele perdeu muito cedo. A família de Oneide adora Jorge. Eles todos compõem uma família bastante harmoniosa, da forma deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A renda familiar é bem variável, depende muito das viagens de Jorge. Oneide trabalha no Estado. É secretária do PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento de Agricultura Familiar. Há dois anos Jorge trabalha de carteira assinada para a Transferraz. “Nosso salário depende das comissões por viagem que varia entre 400 e 450 reais se forem curtas (quatro ou cinco dias). Se fizermos três viagens dessas por mês já ultrapassa o nosso salário fixo.” Três viagens de cinco dias por mês. Soma metade do mês distante da família. E a saudade? “A mulher da gente sente mais né... fica com os filhos e ela tem que ficar dizendo pro caçula: seu pai tá chegando”. Legítimo de Oneide são dois: uma moça de 19 anos que estuda enfermagem e um rapaz de 17 anos que sofre a maior pressão de Jorge. “Arruma um trabalho rapaz. Você já tá mais que na idade de trabalhar.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois dos quatro dias de encontro, tomamos novamente o ônibus da Transferraz com nossos motoristas companheiros de viagem. 1238km novamente. Agora o percurso é inverso: a volta. Palmas-Teresina. A noite cai numa terça-feira última e agora Paulo anuncia: “Estamos a hora e meia de Teresina”. Alívio nos estudantes de uma viagem cansativa que chega ao fim e mais um sentimento de dever cumprido dos empregados da Transferraz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu me despeço do grupo e dos responsáveis pela nossa condução. Saio daquele ônibus com a sensação de que o aprendizado se estendeu muito mais do que os espaços programados no encontro. Experiências de vida com valores tão distintos dos meus que me fizeram refletir. Chego na rodoviária de Teresina, sigo em direção à Expresso Guanabara, quem realmente me conduzirá de volta para casa. “Boa noite, por favor, passagem para Fortaleza.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114657414834943008?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114657414834943008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114657414834943008&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114657414834943008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114657414834943008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/05/estrada-da-vida.html' title='Estrada da Vida'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114583381613855073</id><published>2006-04-23T19:58:00.000-03:00</published><updated>2006-05-24T15:42:24.336-03:00</updated><title type='text'>Lugar de repórter é na rua</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/IMG_0625.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/IMG_0625.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Fotos e Texto: Henrique Araújo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;"Eu acredito é na rapaziada&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Que segue em frente e segura o rojão&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Eu ponho fé é na fé da moçada&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Que não foge da fera e enfrenta o leão"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gonzaguinha&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Lugar de repórter é na rua”. Só faltou dizer: junto com a molecada, jogando bola ou contando uma piada na esquina, enquanto toma uma cerveja e aguarda, qual animal de instintos apurados, o momento certo para dar o bote.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E é assim que deveria ser a profissão; assim era feita quando, há bastante tempo, o jornalismo não capengava ou morria de inanição nas redações pouco ventiladas, mesinhas justapostas e distantes do corre-corre do dia-a-dia. Se tudo isso não passa de romantismo, aí é outra história. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas, pra voltar ao mote dessa nossa conversa, devo dizer que foi na rua que encontrei os meninos do Henrique Jorge. Melhor dizendo: no auditório do Centro de Cidadania Governador César Cals, que abriga, hoje, uma meninada esperta e ligeira no verbo e nas manobras de skate. Aprenderam a andar de skate juntos, há cinco anos, e até hoje um não larga o pé do outro com medo de cair. Como disse um deles, Vinícius Farias, 23 anos e skatista desde os 18.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“A gente é mais ou menos como um tripé. Uma santíssima trindade com outros propósitos. Se um cair, os outros não se sustentam”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E olha a heresia do garoto, chamar Santíssima Trindade a um grupo de rapazes – na verdade, são apenas três – que teimam em seguir um caminho diferente, se embrenhar numa vereda que, por exemplo, outros amigos não viram ou, simplesmente, não estavam preparados para ver. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Assim a história de Vinícius, Fábio e o ausente Gleison. Não, o rapaz não é autista, não. Apenas viajara a Pacoti quando, na sexta-feira, topei com o restante do grupo casualmente e decidi entrevistá-los para um site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Falem de tudo um pouco”, cartão de visitas pouco comum, mas que, quando dá certo, sai de baixo. “A gente tem um projeto. O nome é &lt;em&gt;Esporte Radical e Educacional&lt;/em&gt;”, adiantou-se Vinícius. “A gente pegou umas crianças do Autran Nunes e tamo ensinando a andar de skate. Mas não é só isso, não. Têm também palestra, vídeos educativos e campeonatos”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/IMG_0624.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/IMG_0624.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Resumo da ópera: os meninos moram no Henrique Jorge, mas têm um projeto no Autran Nunes, o famigerado &lt;em&gt;Alto do Bode&lt;/em&gt;. Ensinam uma reca de moleques entre 5 e 16 anos a andar de skate e a se respeitar. Não é, Fábio?! Fábio parece ter um pouco de preguiça em falar, mas, com as cutucadas que dou e a energia que se desprende de Vinícius, vai ganhando coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente também resolve as rixas da meninada do bairro”, corroborou Fábio Moura, 22 anos. “Quando tem alguém querendo brigar, a gente resolve a parada na hora, e fica tudo bem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do projeto educacional levado a cabo através do skate, uma coisa pra se ver e repetir em outras comunidades da cidade de Fortaleza, os garotos também são: promotores de evento; montadores de palco e agitadores culturais. O Vinícius também quis ser o “melhor funcionário” na empresa onde trabalhou, a &lt;em&gt;Smolder&lt;/em&gt;, como auxiliar de serigrafia. Nunca saiu de auxiliar, segundo ele, “porque o gerente resolveu fuder com ele”. Pra ser mais preciso: o gerente não foi com a cara dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E tu?”, dirigi-me a Fábio, que quase tomava um susto. O menino era mesmo muito calado, só ficava lá sentado em cima do skate escutando, como que hipnotizado, o Vinícius falar. Não nego que, em alguns instantes, me pegava escutando e escutando as palavras saídas da boca daquele &lt;em&gt;marginal&lt;/em&gt;, educado na barra quente do cotidiano do lado pobre da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Comecei a trabalhar pra tentar ganhar algum e também porque a família não admitia um cara que só queria andar de skate. Consegui um emprego na &lt;em&gt;Vicunha Têxtil&lt;/em&gt;. Entrava na empresa às 14 horas e só ia largar às 23. Isso de domingo a domingo, sem folga. Tive de largar os estudos, tudo. Quando tava no trabalho, batia aquela saudade da família, dos amigos, do skate. Tinha parado de praticar, não fazia mais nada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase ficava cansado só de ouvir falar sobre a rotina do menino. Façam as contas: entrava às 14 e saía às 23 horas: 9 horas de chibata. Agora multipliquem isso por 30 dias, o equivalente a um mês. Resultado: 270 horas/mês. O cabra ainda ficou por lá três meses: 810 horas!!! Só pra contrabalançar: vocês sabem qual a carga horária de um profissional empregado na Contax, empresa do grupo Telemar-Norte/Leste e que presta serviço serviço à mesma Telemar? 432 horas. Sabem como são tidos os meninos e meninas da Contax? Como “semi-escravos”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E dinheiro, que é bom, nada. Os caras, para participarem de uma etapa do brasileiro de skate que acontecerá no próximo final de semana em Sobral, tiveram de comer o pão que o capeta amassou e depois cuspiu em cima. Mas conseguiram, novamente, saltar sobre os obstáculos, e vão competir. Alguém duvida que essa gentinha nascida de qualquer jeito vá conseguir alguma coisa na vida?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu duvido! Nossa capacidade de afundar na lama é, lamentavelmente, infinita, nunca se esgota, e meninos como Vinícius, Gleison e Fábio são os que mais sofrem com toda essa esculhambação generalizada. Não preciso nem dizer do que estou falando. Ou preciso?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocamos, ao final da entrevista, telefones. Em seguida, apertamos as mãos uns dos outros, como se fôssemos velhos amigos ou futuros parceiros em algum empreendimento exageradamente rentável. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114583381613855073?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114583381613855073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114583381613855073&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114583381613855073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114583381613855073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/lugar-de-reprter-na-rua.html' title='Lugar de repórter é na rua'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114562751341685235</id><published>2006-04-21T10:49:00.000-03:00</published><updated>2006-04-21T10:55:59.806-03:00</updated><title type='text'>Fibra Ótica</title><content type='html'>&lt;em&gt;Apenas a um quarteirão da minha casa, todos os dias eu acompanho um fluxo de centenas de pessoas entrando e saindo por catracas, de vez em quando um rosto conhecido, uma conversa apressada. Quase toda semana eu escuto uma lenda dessa empresa, desde atendente que não agüentava mais as reclamações e transferia a ligação para o telefone publico do lado de fora da empresa até funcionários que tinham pesadelos com os clientes e os supervisores. Depois de uma semana de tentar barrar as pessoas na entrada e saída de seu trabalho para entrevistá-las escrevi esse texto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Ramon Cavalcante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;E Dona Rita desce outra cerveja que é pra conversa fluir, quem fala agora é a Daniely, 24 anos (vai fazer 25), funcionária da Telemar desde os 17, quando a Contax nem existia ainda, que já foi operadora, monitora, supervisora e agora é do planejamento.&lt;br /&gt;- Eu sou obrigada a dizer? – referindo-se a pergunta que eu fiz quanto ao seu salário.&lt;br /&gt;- Não, claro que não.&lt;br /&gt;- Então eu não vou dizer.&lt;br /&gt;Perpetua, Thiago, Suelen, David, Diego, Arle, Maria, todos operadores, espalhados nos mais diversos setores da empresa, falam na hora, quatrocentos e seis reais por mês, por sei horas e quinze minutos por dia (cinco horas e quarenta e cinco – corrige discretamente a Daniely, já que tem dois intervalos de quinze minutos), seis dias por semana.&lt;br /&gt;- Rapaz, você senta na sua divisória, que é o PA (ponto de atendimento) de frente pro computador e pronto – fala quase calado Thiago que trabalha no setor micro-empresarial da contax (onde atende quase exclusivamente clientes de pontos telefônicos comerciais).&lt;br /&gt;- Ah, no teu setor é tranqüilo né?&lt;br /&gt;É sim, quando você trata com o povo de empresa...&lt;br /&gt;- Mas na retenção é quente o negócio... – Maiara Raquel, que trabalhou quase dois anos no setor e há seis meses está desempregada... mas nem por isso deixou de vir na quinta (véspera de feriado) beber uma cervejinha com os amigos.&lt;br /&gt;- Tem as histórias das metas né?&lt;br /&gt;- É, cada setor tem várias baterias (grupos de trabalho), que disputam entre si quem atinge as maiores metas... só que na retenção a meta é não deixar o cliente cancelar a linha, quando ele quer cancelar...&lt;br /&gt;- E se não alcançar a meta?&lt;br /&gt;- Assim, a maioria das vezes ninguém nem diz nada... mas a gente sente a pressão.&lt;br /&gt;Os setores são o “103” ou “Atendimento Geral” (a porta de entrada da Telemar, lá encaminha para todos os setores), “contas” (verificam as contas dos clientes, atendem a reclamações de contas erradas), “micro-empresarial” (que o Thiago já explicou), “técnica” ou “CNS” (centro nacional de soluções – resolvem os problemas técnicos), “retenção” (o pesadelo dos operadores), “cobrança” ou “RC” (recuperação de crédito).&lt;br /&gt;Com mais de 5.000 funcionários espalhados em cinco andares (além do térreo) em cinco anos de existência a Contax (empresa terceirizada que é da Telemar) é referência na possibilidade do primeiro emprego, assim como é referência num trabalho desgastante e degenerativo m que as pessoas pedem pra sair.&lt;br /&gt;- Se eu pudesse receber meu dinheiro ficando em casa eu achava melhor – Daniely me respondendo se gosta do emprego – mas eu não tenho muito do que reclamar não.&lt;br /&gt;- E essas histórias dos problemas de saúde?&lt;br /&gt;- Bom, eu, em oito anos, nunca tive uma tendinite, nunca tive problema de garganta. O trabalho é desgastante, você digita direto, fala direto, mas a empresa lhe instrui, “mude o fone de ouvido de hora em hora”, “postura correta”, mas aí se você não faz a culpa é da empresa?&lt;br /&gt;- A cada duas horas de trabalho na frente do computador a pessoa tem que descansar aproximadamente vinte minutos. A cada dez minutos olhando pra tela do computador a pessoa tem que parar ao menos um minuto, olhar para outro lado (a divisória?) e piscar bastante os olhos – Doutor Edson Muniz, clinico geral e ortopedista – e isso nós estamos falando numa perspectiva de produção mesmo, que a pessoa tem que render o máximo sem causar seqüelas ao seu corpo.&lt;br /&gt;- Mas tu vai ter que convir comigo Daniely que o funcionário é visto numa perspectiva de produto.&lt;br /&gt;- Sim, mas qual é o produto da Contax? O produto é a pessoa, é isso que nós vendemos, a gente tem que investir nele. Existe uma coisa chamada capitalismo.&lt;br /&gt;E a Dona Rita desce mais uma, agora também um queijinho no espeto pra segurar mais um pouco. Dona Rita essa que há três anos tira o sustento, junto com o irmão Mário, num carrinho de churrasco com algumas caixas de isopor cheias de cerveja gelada. Abre todos os dias, mas quinta e sexta é melhor, dá pra tirar até R$ 1.500 numa noite. E foi por causa dela (obrigado Dona Rita) que eu consegui entrevistar mais pessoas, porque o povo tá sempre entrando e saindo atrasado, de vez em quando um rosto conhecido.&lt;br /&gt;- Eu nem me assusto quando, de férias, atendo meu celular dizendo “Telemar bom dia em que posso ajudá-lo” – Arle do 103.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114562751341685235?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114562751341685235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114562751341685235&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114562751341685235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114562751341685235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/fibra-tica.html' title='Fibra Ótica'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114495433236352831</id><published>2006-04-13T15:44:00.000-03:00</published><updated>2006-04-13T15:52:12.363-03:00</updated><title type='text'>Que merda!</title><content type='html'>Ei, como é que a gente pode debater jornalismo, comunicação e os temas da cidade que abordamos nesse espaço, sem uma intervenção crítica da galera, você, que tá lendo? Esse post é apenas para levantar a sua saia e ver o que tem por baixo disso. Comentem, critiquem, vamos debater as representações e narrativas que estão sendo postas aqui. Elogios são sempre bem vindo - como estão nos incentivando! -, mas a crítica e o debate vão além. Isso aqui se pretende a ser muito mais que textos bonitinhos. Os autores, mais que egos que inflam a cada novo comentário elogioso. Pode arrochar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114495433236352831?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114495433236352831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114495433236352831&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114495433236352831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114495433236352831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/que-merda.html' title='Que merda!'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114495354891815112</id><published>2006-04-13T15:30:00.000-03:00</published><updated>2006-04-18T17:13:21.773-03:00</updated><title type='text'>CADEIRAS COM RODAS (cap. 4)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/monica-de-cima.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/monica-de-cima.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Capítulo 4: &lt;b style=""&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;...Carlos vai apontando, avisa que daqui a pouco chega uma lôra que toda noite tá aqui tentando arrumar um namorado entre motoristas e trocadores...&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color:black;"&gt; E lá está. &lt;/span&gt;Branca, quase albina, o nariz avermelhado, os olhos meios repuxado por cima de olheiras. Rodando pelos terminais, conversando com fiscais, motoristas, trocadores... O sorriso rebenta sem mais nem menos, deixa ela com cara de coelha, olhar faceiro de cúmplice de alguma traquinagem. A voz fina, espontânea, de contar histórias como viu e sentiu. As unhas com um esmalte marrom ruído e o cabelo mestiço, feito menino novo que ainda está escurecendo os pelos, preso por uma liga verde, fazendo um cocozinho caprichoso. &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;“&lt;/span&gt;Mônica Monteiro Cavalcanti, deixa eu escrever,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;é que Cavalcanti no final é muito complicado. Cavalcanti com i é de algum pais de fora. Eu perguntei pro meu pai, ai ele começava a me dizer que era de Itália. Pelo entender dele, a história da família do meu avô tem um descendente que é da Itália, um negócio de Itália assim sabe. Ai ele dizia: ‘coisa chique importada dos Estados Uunidos.’” Na Itália?, não, não, ali mesmo no Conjunto Ceará, segunda etapa, um dos maiores conjuntos habitacionais da América Latina. Na época, 1979, uma casa da Cohab.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Roda pelos terminais há 10 anos, desde quando o pai, sua companhia, saiu de casa. Conhece de tudo, mas roda mais pelos terminais da Lagoa, Conjunto Ceará e Papicu, onde a gente tá agora sentado nesse banco de concreto conversando, pra se contar de forma mais certa, deixando ela falar.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Acorda 9 e meia. Toma café, abre a televisão, já deixa no canal de 17 pra escutar um musiquinha, gosta mais de escutar spispi. Britney Spi? É. Ai aperreia a mãe pelo café. 4 bolachinhas com um suco. Ou de maracujá ou de goiaba. Quando não tem suco é chá de capim santo ou sidreira. Às vezes aparece bolo em dia de festa. “Não me convite pra festa não que eu levo só a barriga”. No final da tarde parte, faz escala no terminal do Conjunto, joga conversa fora com os amigos. É nesse terminal que tem os amigos mais antigos. Depois parte para o do Papicu, onde tem uns gatinhos só o filé. O supervisor é bem bonitinho... Lá no conjunto só tem peba.&lt;/p&gt;                             &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;― Tu é muito vaidosa Mônica?&lt;br /&gt;― Mais ou menos, isso quando quero arrumar um gatinho.&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EL"&gt;― &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Pois me diz ai. As histórias que eu sei é que você anda atrás de um namorado aqui.&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EL"&gt;―&lt;/span&gt; É mermo?! Quem que escarrou?&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EL"&gt;―&lt;/span&gt; Eu ouvi assim...&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EL"&gt;―&lt;/span&gt; Ah! O irmão. Eu mato o irmão.&lt;br /&gt;― Quem é o irmão?&lt;br /&gt;― É o vandame ali... ô... o &lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas.html"&gt;Paulo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;― E o &lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas-continua.html"&gt;Luiz&lt;/a&gt; ai?&lt;br /&gt;― Aquele ali, eu fui ajeitar uma loirinha, queixei a menina e disse que ele trabalhava de fiscal. Cheguei pra ele, ai ele disse “mulher não era pra ter dito que eu trabalhava de fiscal não, era pra dizer a verdade que eu era zelador”.&lt;br /&gt;― Porque que ele queria que tu falasse que era zelador mesmo?&lt;br /&gt;― Porque ela já sabia que ele era zelador, mas ela não sabia que ele tava afim dela. Ai eu fui dá os toque...&lt;br /&gt;― Ai ela se tocou e saio fora...&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="EL"&gt;―&lt;/span&gt; Foi.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/monica-de-cima2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/monica-de-cima2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sabe do nome do motorista da linha Conjunto Ceará/Papicu, até a lista dos números das empresas de ônibus. De empresa por empresa. Já foi de sentar do lado do motorista novo na linha e ir ensinando o rumo que tem que ser decorado. Aprendeu só olhando. Pegando aos poucos. Porque tem aquele ditado “É na experiência da vida que o homem se evolui”.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De rodar, conversar aqui e ali, não paga passagem, mas de vez em quando pede os dois conto a mãe pra não dar cabimento aos usuários. “As vezes eu peço, pra não ficar entrando pela frente, pra não dá cabimento ao passageiros, ai eu falo mãe me dá dois reais pra pagar a passagem, ai ela pensa que eu to raparigando , ai ela me bota pra baixo, mas eu não tô raparigando, ela me bota mais pra baixo ainda, ai eu fico mais pior ainda. Uma dia eu disse assim, ‘mãe vai vê&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;se eu tô raparigando, vai olhar o que eu tô fazendo no terminal, chega qualquer dia desses lá no terminal e me olhe, se eu tiver raparigando você vai deixar de ser minha mãe.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Às vezes minhas amigas me arranjam dois reais ai eu chego lá em casa ela pensa que eu to roubando. Ela pensa que eu to roubando, é assim, a minha vida é assim lá em casa. Eu só me sinto bem por aqui mesmo, só me sinto bem entre meus amigos”.Gaguejando, olhos vermelho, cena de close nos olhos, mas o mais fiel seria na boca salivando com os fios de saliva ligando os dentes, enquanto fala.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Educação rígida&lt;/span&gt; a da dona Francisca. O avô batia na avó mesmo grávida de 8 meses, dava pesada na barriga. A mãe de dona xica abortou 5 filhos, ficou com deficiência, teve que tirar o ultero, “ficou como um vegetal, tudo morto dentro”, fala Mônica em um tom poético e ingênuo que parece não dá conta da&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;imagem brutal.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Não é difícil entender porque nos terminais. Com uma passagem de R$1,60 você roda por várias partes de Fortaleza, diversifica as companhias e depois de um tempo parte pra outro, e outro, até chegar em casa cansada, dormir e acordar com mais um dia de passeio por Fortaleza.&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não tão fácil. Mônica é de uma simplicidade que suas palavras parecem bem um menino correndo atrás de uma bola quando faço as perguntas. Fala, chora, a voz vai afinando, se misturando com alguma outra coisa que lhe pára no meio da garganta dela. Da minha. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;(segue no próximo capítulo)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas.html#links"&gt;Capítulo 1 e 2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas-continua.html#links"&gt;Capítulo 3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114495354891815112?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114495354891815112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114495354891815112&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114495354891815112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114495354891815112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/cadeiras-com-rodas-cap-4.html' title='CADEIRAS COM RODAS (cap. 4)'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114472698196863348</id><published>2006-04-11T00:40:00.000-03:00</published><updated>2006-04-12T17:51:40.833-03:00</updated><title type='text'>Romeiros do inverso</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;texto: tiago coutinho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- Menina, cadê a Lúcia, hein? Ela ainda não chegou? – gritou uma senhora sentando no banco da praça.   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tou aqui deitada, mulher! Não agüentava mais meus pés doendo... Ainda bem que não tá chovendo...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Deus não é vingativo! Já pensou, passar esse sufoco todo e ainda tomar banho de chuva?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Canindé, 1996, uma hora perdida em um dia desconhecido: &lt;/b&gt;Alguns amigos de Célio, ao voltarem de Fortaleza, o convencem de que o negócio na capital valia a pena. Ele toma uma decisão. Iria testar no próximo mês.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Fortaleza, 12 de março de 2006. 23h45: &lt;/b&gt;Marluce espera sentada, com os braços e as pernas cruzadas, no banco da praça, que o pau de arara chegue com suas mercadorias. Olha constantemente para o lado de onde deve chegar o carro. Ela sabe que não dormirá um único minuto da noite.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Canindé, em um dia da semana qualquer, ao meio-dia: &lt;/b&gt;Naira, 15 anos, se prepara para ir à escola. Desde as oito da manhã, estava na loja da sua mãe, situada na Galeria Frei Lucas Doll, uma homenagem feita ao Frei que mais demorou &lt;st1:personname productid="em Canid￩. A" st="on"&gt;em Canindé. A&lt;/st1:personname&gt; cena se repete diariamente, com exceção dos sábado, quando ela trabalha até às 17 horas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Fortaleza, 12 de março de 2006, 23h15: &lt;/b&gt;Movido pela curiosidade de saber por que as pessoas que vendem artigos religiosos todos os dias 13, em frente à Igreja de Fátima, passam a noite na praça, espero meu amigo Pedro chegar com a máquina fotográfica para começar a nossa pauta. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Canindé, 12 de abril de 2006: &lt;/b&gt;Marluce fica &lt;st1:personname productid="em Canid￩. Os" st="on"&gt;na cidade. Os&lt;/st1:personname&gt; demais amigos arrumam as peças para levarem à Fortaleza. Neste mês, ela não vai. No mês de abril, não há a missa de lavar os pés, o movimento é menor, por isso, não vale a pena.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;***&lt;br /&gt;Enquanto parte da classe média de Fortaleza se encontrava acolhida em seus lares, preocupada em saber quem seria o indicado para o paredão pela líder Mara no 6º Big Brother Brasil, Célio parecia ignorar o programa que há pouco passou na televisão da lanchonete ao lado. Ele arrumava, calado, sua barraquinha de miudezas e santinhos, em frente à Igreja de Fátima. A sua expectativa era outra: quanto venderia no dia seguinte?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter passado três horas em um pau de arara, ele ainda encontrava disposição para arrumar com cuidado seus objetos e ainda responder às perguntas de um carinha que, talvez, ele nem lembre o nome. Possui 42 anos e vive, há mais de 20, da fé no comércio. Assim como quase todos os amigos próximos, ele se desloca uma vez por mês de Canindé para Fortaleza com suas caixas de mercadoria. Na companhia, a esposa Isabel.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;Ele já está quase terminando de arrumar. Depois de pronta, Célio cobre toda a barraca com saco plástico preto. Mas não é por medo de roubo. Só há gente conhecida, pode confiar. Mas pode chover e, pra dormir na praça, é melhor ficar no escuro com o colchão dentro da barraca. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;O companheiro ali do lado, cujo sono não se perturba com o barulho dos carros, armou sua rede entre os dois ferros de base de sua barraca. A fadiga serena antecipa o intenso dia de trabalho. As missas, na Igreja de Fátima, começam cedo, a primeira, segundo Célio, já se inicia às 5h30. Muita gente chegando para rezar. Por isso, ele arruma logo suas peças, para tentar ainda tirar um cochilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;A companheira Marluce, de umas quatro barracas ao lado, não teve a mesma sorte. Ela veio antes num carro fretado. O pau de arara, onde viria seus santos, deu prego no meio do caminho. Atrasou tudo. Mas ela não fora a única, outros se encontravam na mesma situação. Não podia nem dormir, tinha de esperar a mercadoria chegar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;Conversava com Naira. Mas o pensamento era recorrente. Essas coisas que não chegam. A preocupação é justa. Sendo as peças de Marluce santos de gesso, quando mudasse de carro, poderiam se quebrar. Marluce faz, ela mesma, suas mercadorias. Isso lhe dar uma liberdade maior, para faltar alguns dias de trabalho quando se encontra cansada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;As peças são baratas. O preço mais caro, uma estátua de &lt;st1:metricconverter productid="60 cm" st="on"&gt;60 cm&lt;/st1:metricconverter&gt;, custa aproximadamente R$ 8,00. Mesmo assim, Marluce, nos dias 13, apura cerca de quinhentos reais. Vale a pena o investimento. A passagem de pau de arara com a mercadoria fica em média de R$ 30. Com alimentação, ela gasta próximo de R$ 15,00. Sempre tem umas quentinhas ali por perto. O pior mesmo é passar o dia em pé, vendendo suas peças. Ao longo do dia, Marluce não assiste a nenhuma missa, porque não dá tempo tomar banho, nem traz de casa uma roupa decente.  Ela, assim como todos, só volta para Canindé, depois da última missa. Às 20 horas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;Por causa disso, Naira nunca vai à escola nos dias 14 de cada mês. Apesar de estudar pela tarde, chega em casa, em Canindé, próximo das duas ou três da madrugada, precisa descansar. Ela faz o segundo ano do ensino médio. Gosta de Química e namora com José, um garçom de pizzaria em Canindé. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;Mas Naira já está com o dia ganho. A barraca de sua mãe, Lúcia, está toda montada com santos comprados dos artesãos de Canindé e com miudezas fornecidas por catálogos de revendedores paulistas. Ela, deitada em seu colchão, tenta dormir, mas faz companhia à Marluce, que deve ainda manter essa preocupação por algumas horas.&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:130%;"  &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando essas coisas vão chegar, meu São Francisco? Mas pelo menos a chuva não veio. Teve alguns respingos, é verdade. Mas Deus não foi muito vingativo com eles naquela noite. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114472698196863348?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114472698196863348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114472698196863348&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114472698196863348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114472698196863348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/romeiros-do-inverso.html' title='Romeiros do inverso'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114444770731576709</id><published>2006-04-07T18:23:00.000-03:00</published><updated>2006-04-07T19:21:12.400-03:00</updated><title type='text'>Parafernália</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Sep02_19.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Sep02_19.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Texto: Raquel Gonçalves&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Fotos: Arquivo da Parafernália&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Eu sempre quis ter um site ligado a arte, principalmente a poesia. Aí, eu criei o Putz Piz Parafernália em 1996 e fui procurar pessoas que quisessem compartilhar da minha idéia...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Mardônio França&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Conheci o Gleizer e ele me levou até o laboratório de computação do Itaperi pra me apresentar um cara da computação que sacava de poesia &amp; artimanhas em geral e estava formando um grupo junto com os pintores. O cara era o Mardônio, falou sem parar durante uma hora misturando física, matemática, Oswald de Andrade, movimento estudantil, puteiros, bebidas e uma porrada de coisas mais. Era um coquetel molotov explodindo. Fiquei tonto mas sabia que já estava dentro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nuno Gonçalves&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pessoas juntas, criatividade fervilhando, pessoas pensantes, os nervos inquietos, pessoas atuantes. Não há definição exata para o que foi a Parafernália, mas durante 4 anos ela existiu e ocupou muitos espaços em Fortaleza. “Nunca conseguimos uma auto-definição coerente, creio que não queríamos isso”, diz Nuno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No início, um site de poesias. Com o decorrer do tempo, a história foi crescendo e tomando várias formas e linguagens. Primeiramente, a Parafernália não se propunha como um grupo. Eram apenas jovens que já faziam a sua arte e de repente se encontraram juntos, discutindo conceitos poéticos e possibilidades de atividade conjunta. As artes plásticas, as pinturas também ocuparam seu espaço na nova formação que surgia. Como aconteceria essa integração dos membros se havia tanta disparidade entre os integrantes e suas próprias produções? O site agora era apenas mais uma das formas de expressão do já então Parafernália. Gleizer e Mardônio brincavam com as possibilidades computacionais, elaborando poesias animadas e dando vida digital aos desenhos do papel. Pinturas, recitais, zines, permormances também cumpunham o arsenal parafernaliano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As poesias de Nuno e Mardônio se assemelhavam num detalhe: ambas tinham uma identidade performática muito forte. Denis Diderot, um integrante no mínimo estranho. Apaixonado por Nova Yorque, também gostava de escrever poesias finas. Poesias mansas e tênues foram surgindo e se contrapondo com o lado ácido e rebelde também de outros integrantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A contradição era uma das melhores coisas que a gente pôde viver”, recorda nostalgicamente Mardônio. O grupo se configurava entre grandes contradições. Sem nenhuma sistemática ou metodologia de reunião, se encontravam sempre em bares para discutir conceitos, experimentos, recriar significações, brigarem e beberem muito. A idéia do primeiro zine veio com a idéia de se fazer a primeira festa da Parafernália. Dia 17 de julho de 1997, no Cidadão do Mundo (atual comitê da Luiziane, na Av. da Universidade). “Era uma casa antiga dupex, bem tradicional do Benfica que funcionava como bar. Tinha só umas mesas e uma televisão lá, tocando The Doors, Pink Floyd”, explica Ayla. Foi nesse cenário que aconteceu a primeira festa e que circulou o primeiro zine. Com um público punk-rock, bem undergound, foi nessa primeira festa quando também aconteceram as primeiras performances, as exposições dos quadros pintados, recitais de poesia e a distribuição do zine. Tudo ao mesmo tempo. “Eu chorei quando, ao fim da festa, vi muitos zines espalhados pelo chão”, relembra Ayla. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir daí, a Parafernália desbravejou por Fortaleza. Produção, discussão, festas, performances por toda parte. Haviam grandes conflitos internos na Parafernália, não só nos embates conceituais, mas também nas vivencias, nas afinidades de cada um sobre o palco. Nuno e Mardônio, por exemplo. Um, a intensidade em pessoa, vida, ação, emoção, sentimento. Outro, a teorização da vida, das palavras, dos conceitos. O mais fascinante era que eles conseguiam juntar as duas coisas numa só. Levavam ao público nas apresentações um pouco do que foi discutido, conceituado e teorizado nas mesas de bar com muito álcool e muita droga. As divergências internas da mesa de bar era a incoerência real nas apresentações sobre o palco, na rua, onde fosse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um conceito que foi utilizado nos trabalhos da Parafernália foi o da antropofagia cibernética. Baseava-se na reutilização de meios e equipamentos para uma reconstrução de uma arte transformadora como um espaço de expressão da arte subversiva e da própria literatura. Conceito pescado na literatura do tempo de Oswald Andrade. Era o que estava se fazendo com as máquinas, os chips, com a tecnologia computacional. A Poesia Parametrizada, que era no mínimo questionável, também foi incorporada não só nos textos, mas nas artes performáticas. Essa tal de poesia parametrizada era uma tentativa de, a partir de um parêntese aberto no meio da palavra se gerar outra possibilidade de leitura de reconstrução da nova palavra e de uma outra interpretação poética. Para Mardônio, nas pinturas ela era utilizada de forma a gerar também duas interpretações da obra de acordo com o ângulo e da distância a ser observado. Já para Ayla, que produzia as pinturas, não atribuía esse conceito a suas produções plásticas. “Eles tinham muita influência do concretismo, eu não gostava muito”, afirma Ayla se referindo à Mardonio. Enfim... inúmeras contradições e concretizações das longas discussões sobre conceitos e mais conceitos. &lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/TECIDO-8.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O espírito libertino da Parafernália extravasava pelos poros dos integrantes. Era como se a Parafernália fosse uma grande miscelânea de vários gritos engasgados que resolveram ruir, todos ao mesmo tempo e no tempo certo. Não existia lugar nem hora quando estavam reunidos a fim de fazer qualquer coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por volta de 1998, já tendo sido matéria do jornal ‘O Povo’ e tendo sido convidado para se apresentar no Dragão do Mar, sendo reconhecido nos mais diversos espaços culturais de Fortaleza, a Parafernália chegou no ápice do seu sucesso e reconhecimento. “Estávamos ‘pop’ em Fortaleza”, afirma Mardônio. No mesmo ano, foram convidados para se apresentarem no palco alternativo do show da Cássia Eller e Arnaldo Antunes, no Itacaranha Park Hotel. Segundo Mardônio, nenhum dos membros necessitava dos cachês que lhes eram concedidos pelas apresentações. Por isso, eles tinham total liberdade para quebrar regras e protocolos dos contratos de apresentações. E assim faziam com muito prazer: liberdade total, improvisação, pouco ensaio. Sobreviviam sobre o palco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Lembro de uma apresentação no Dragão do Mar que foi incrível. O Alisson sendo tatuado sobre o palco, as costas do Nuno sendo pintada na hora pelas meninas (Júlia Manta e Ayla Andrade), eu na performance com poesias intercalando com algumas recitadas pelo Nuno, imóvel”, relembra Mardônio se referindo às apresentações constantes no projeto Roda de Poesia, do Dragão do Mar. “Foi mais ou menos a partir daí que a Parafernália foi coagida a se denominar como grupo”, diz Ayla sobre os constantes convites que começava a surgir pela cidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eram convidados para se apresentarem em algum lugar, o principal critério que a Parafernália analisava era se tinha um lugar bacana para todos beberem e, depois da apresentação, curtirem a festa. Eram totalmente desprendidos de valores materiais. Tudo era muito fugaz e autônomo. Tudo meio que se atropelava e de repente, passava. Era vivido o intenso momento da hora e... já foi. Do mesmo jeito rápido e fácil que as coisas aconteciam, elas também se desfaziam e já estava se pensando no novo, na construção do diferente ou não. Horas a Parafernália estava morta, oras ela ressurgia das cinzas com todo gás. E essas inconstâncias acompanharam o grupo até o fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parafernália na mídia, mas o ânimo não era mais o mesmo. A fama não era o objetivo do grupo. E o tesão foi morrendo. “Lembro de uma outra apresentação no Dragão do Mar, tão decadente que, ao final, nos apresentamos dizendo nossos nomes” lembra Mardônio. Uma marca forte da energia pulsante do grupo era nunca dizer os nomes dos integrantes que estavam ali, se apresentando. Era sempre unicamente Parafernália, mas o tempo foi passando e cada qual seguindo seu caminho. “A Parafernália tinha que acabar mesmo, ela já estava muito estigmatizada, ela ia acabar virando os ‘Rollins Stones’(risos), e não era isso que a gente queria” diz Mardônio. “A história foi se desfazendo, a gente não conseguia saber mais o que a Parafernália queria, não conseguia dar uma resposta pra gente mesmo, muito menos pros outros, fomos perdendo nossa identidade. A gente também cansou da própria fórmula que criamos”, diz Ayla se referindo a própria dinâmica de apresentação, sempre com muitos gritos, sem ensaios e chocando o público. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/Sep02_55.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/Sep02_55.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 2000, foi celebrado vários enterros da Parafernália, onde bares e mais bares foram cenários da seguinte frase: “Hoje está oficializado a morte da Parafernália.”&lt;br /&gt;Completam-se 10 anos de seu surgimento. Foram 4 anos de Parafernália. Um grupo “inconstante e porra-louca”, como diz Ayla, mas com um espírito mútuo de troca de experiência, conhecimento, discussão, produção e realização.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- No fundo, a Parafernália funcionou como uma terapia para todos nós, foi um tratamento - Mardônio França. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Qual a importância da existência do grupo para você, Júlia? - Jogar pedra no fundo do rio, turvar a água, movimentar os quadris dos caquéticos, ruborizar até a cachoeira das eras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114444770731576709?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114444770731576709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114444770731576709&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114444770731576709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114444770731576709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/parafernlia.html' title='Parafernália'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114411408121596736</id><published>2006-04-03T21:55:00.000-03:00</published><updated>2006-04-04T01:59:48.346-03:00</updated><title type='text'>Homem Sol</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pitomba%20sol%20baixa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/pitomba%20sol%20baixa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;texto: Eduardo Martins&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Evanilson é, ou só parecia, uma pessoa tímida, recatada. Um típico trabalhador. Concentrado no serviço. Talvez um pouco enrijecido pela indiferença de muitos clientes com os quais, ao longo de sua experiência, Evanilson foi obrigado a conviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um domingo ensolarado na Lagoa do Cauípe, Evanilson parecia ser o único a vender pitombas à beira. Desviando das barracas, ora por dentro da terra fofa e pesada, ora molhando o mocotó na margem, Evanilson enxugava a testa suada pondo a franja meio comprida para o lado. Queria tomar banho na lagoa, mas não podia.&lt;br /&gt;Evanilson morava “na Caucaia” e provavelmente passava os finais de semana no Cauípe. A pele muito bronzeada e os cabelos queimados do sol denunciavam uma rotina, e emolduravam o sorriso pouco maroto de Evanilson, talvez já castigado demais pelo trabalho. Confessava, desconfiado, torcer pelo fluminense, e sabe Deus o motivo da desconfiança, já que ostentava a camisa tricolor do clube, acompanhada de um calção encardido e de uma chinela de dedo tipo “havaianas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evanilson sempre preferiu animais à números. Os cálculos para a venda eram meio confusos para ele, embora o preço fosse sempre um valor “redondo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela vida difícil da areia fofa, entre o calor febril do meio dia e a refrescante lagoa cheia de banhistas, na qual Evanilson queria entrar e não podia, ele ainda suportava o barulho ensurdecedor dos sons de carros, estacionados quase em cima da beira. Andava entre as caixas de som, e de cada uma levava um cascudo, às batidas que zuniam no ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evanilson até aquele momento não havia vendido um cacho de pitombas se quer. Pitombas são baratas, um real o cacho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pitomba%20sol%20dois%20baixa.4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/pitomba%20sol%20dois%20baixa.3.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era experiente naquela vida, percebia-se por sua postura naquele lugar. Além disso, ele trazia o sol consigo, identidade forte de quem vende pitombas na praia, e que também revela experiência. Experiente, mas àquela idade Evanilson não sabia ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendeu dois cachos de pitombas. Precisava continuar. Disse que cansava do trabalho. E partiu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Evanilson, depois da conversa, ainda passou algumas vezes por mim. Vendeu mais pitombas. A última vez que o vi faltava só um cacho. Não o vi depois e não o achei banhando-se na lagoa. Evanilson é um homem forte e Deus abençoa os homens fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que vem Evanilson vai ser mais forte, vai aprender a ler. Vai ficar mais velho também, vai fazer sete. E tomara que a mãe dele deixe tomar banho na lagoa, mesmo se não tiver vendido tudo, só pelo motivo de que Evanilson traz o sol consigo ou que, muitas vezes, o sol daqui é de rachar a cabeça dos Evanilsons.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114411408121596736?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114411408121596736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114411408121596736&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114411408121596736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114411408121596736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/04/homem-sol.html' title='Homem Sol'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114316289336785136</id><published>2006-03-23T22:12:00.000-03:00</published><updated>2006-03-29T20:47:48.000-03:00</updated><title type='text'>Conversa de Jardim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/lucia.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/lucia.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;texto e foto: Tiago Coutinho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela já estava lá, mexia em alguns detalhes seu jardim. Naquela manhã, as flores não estavam expostas sobre uma pequena mesa, apenas alguns arranjos perdidos. Os imensos ursos de pelúcia hibernavam recolhidos no lado de dentro da casa. O duende, como sempre, apontava para o alto. As letras orientais penduravam-se na parede, assim como as imagens do japonês. A dama de preto e ereta, mais tarde soube ser o símbolo de uma bruxa, dividia, hoje, as atenções com a face esbelta de uma garota do cabelo azul. Esta eu nunca tinha visto por ali.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Oi, bom dia! A senhora é a Dona Lúcia?&lt;br /&gt;- Sou. E você é o rapaz que já veio aqui duas vezes e não conseguiu falar comigo.&lt;br /&gt;- Exato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava descalça. Vestia um vestido na mescla entre o preto e o vermelho. Cada orelha carregava dois brincos. Não largava a carteira de cigarros. Foram cerca de seis em menos de uma hora de conversa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que você quer mesmo saber?&lt;br /&gt;- Queria entender a arrumação do seu jardim. Sempre passo aqui e vejo esses bonecos e flores – disse meio que gaguejando.&lt;br /&gt;- Me diga uma coisa... Você pretende fazer Comunicação?&lt;br /&gt;- Sou estudante de Comunicação, tou terminando.&lt;br /&gt;- E como é que você quer ser jornalista, falando inseguro. Você tem uma preguiça mental, já percebi. Tem que trabalhar isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começou então a confusão: seria eu ou ela o assunto da conversa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/pauta%20l??cia"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/pauta%20l%3F%3Fcia%20-%20blog2.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lúcia Regynn. O primeiro nome vem do batismo. O segundo, por determinação da numerologia. Já vive nessa encarnação e no corpo presente há 44 anos. Desde os sete, quando os portais se abrem para um ser humano, já manifestava diferenças. Nessa idade, parou de falar – hoje, parece tirar o atraso. Sentia dores de cabeça muito fortes. Quando brincava de baralho, ao invés de ver números, lia as histórias das mães de suas colegas. Ouvia vozes. Parecia normal. Mas os outros não possuíam as mesmas habilidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois da falta de voz, ela passou por três mortes clínicas, no início da adolescência. A medicina não conseguiu explicar o fenômeno. Decidiu estudar, ela mesma, a alma humana e compreender as suas complexidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Guiada pelas energias cósmicas e pelas forças das vibrações – ela não consegue explicar –, Lúcia arruma seu jardim diariamente de forma diferente. Deixa os objetos artesanais expostos para rua. O que haveria por traz daquilo que para mim seriam meros enfeites? Seria um bazar? Não obtive as respostas. Falou vagamente dos objetos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinham uma razão de estarem ali ser. Concentram energias para o mundo externo de sua casa. Cada elemento possui simbologias. Mas as explicações não me convenciam. As flores fecham o ciclo da morte, os ursos remetem a infância, a bruxa negra à condição eremita, a boneca de azul a nostalgia, os coelhos a prosperidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A conversa decepcionava. Ela tinha receio de abrir o jogo mesmo. Não abriu a porta da casa. Possivelmente, teria mais relatos. Ela representava para um jornalista. Tentei conversar mais sobre sua vida. Ela desviava o rumo. Ao invés de responder, questionava-me. Eu insistia. Ela repetia as informações. Estava perdido. Minha materia sobre o jardim morria. Até que.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como é mesmo o seu nome?&lt;br /&gt;- Tiago.&lt;br /&gt;- Tiago... Me diga uma coisa.. Quando você se olha no espelho, o que você vê em você que não gosta?&lt;br /&gt;- Não costumo me olhar no espelho. Apenas o uso para coisas práticas, tipo, escovar os dentes, tirar a barba.&lt;br /&gt;- Por que você não gosta?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Esse seu “não sei” é revelador. Você não quer enxergar seus problemas... Vamos lá. Bote aí a data de seu nascimento nesse caderno.&lt;br /&gt;- Certo. – escrevi em letras garrafais 14/11/1984.&lt;br /&gt;- Vamos... Me dê aqui o caderno...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A crônica de quando o repórter se sente desarmado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De repente, ela fazia as perguntas. Perguntou sobre minha vida. Dos números do meu aniversário, fazia milhões de questionamentos. Não me sentia confortável. Ela tinha em mãos minhas armas: o caderno e a caneta. Anotava palavras sobre mim. Exatamente como costumo fazer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembrava do meu julgamento ao considerar que ela escondia informações para mim. Eu tentava esconder um pouco da minha vida. Como anda sua teimosia? Você se acha covarde? Eu ia respondendo. Ela tecia idéias a respeito da minha personalidade. Com muita propriedade, afirmou besteiras, mas apresentou questões verdadeiras. Disse que sou inconstante, que a rotina me assusta, que um trabalho burocrático para mim seria uma tormenta. Ao mesmo tempo, possuía um lado que exige de mim independência financeira e autonomia familiar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esse dilema te assusta. Você carrega consigo nessa encarnação uma covardia intensa. Mas há um lado aventureiro, eu diria quase doido. Mas só tem coragem de topar as próprias loucuras, quando encontra alguém... Até o momento vem dando certo, mas vai chegar um momento em que suas loucuras serão tão complexas que você se encontrará sozinho e precisará trabalhar a covardia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Traçou minha personalidade. Fez mais perguntas. Teceu comentários... Quando ela dizia “me diga uma coisa...”, eu me temia o que vinha depois. Eu teria coragem de responder tudo? Não sei. Ela dizia que o 84 me trazia vários problemas. Viajo e penso se todos os meus amigos nascidos nesses anos são problemáticos? Não sei. O mesmo 84 exigia de mim a objetividade, a organização e conflitava com o 14. Você tem o espírito aventureiro, mas um medo muito grande.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Terminou a conversa. Ela quem me conduzia agora. Marcou o horário das fotos e disse que talvez eu não a veria com constância, apesar de quase nunca sair de casa. “Nem sempre você poderá entrar na minha casa e falar comigo. Algumas vezes, eu não deixarei”, diz num tom de mistério. De fato, a noite, quando voltei para fotografar, ela não estava lá. Por fim, disse-me para observar meu guarda-roupa e comparar com a minha mente. A organização do guarda-roupa se assemelha a das nossas idéias. Chego a minha casa, vejo meu guarda roupa: uma bagunça, como sempre. Minhas idéias também.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114316289336785136?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114316289336785136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114316289336785136&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114316289336785136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114316289336785136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/conversa-de-jardim_23.html' title='Conversa de Jardim'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114303050097809546</id><published>2006-03-22T09:26:00.000-03:00</published><updated>2006-04-05T12:28:59.900-03:00</updated><title type='text'>Eu e o Bom Jardim</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color:#999999;"&gt;Entre os meus 13 e 15 anos eu morei no Bom Jardim, uma época em que minha mãe ficou desempregada e se obrigou a baixar o nosso "estilo de vida". Foi uma época muito importante pra mim, pois foi o tempo em que eu mais fiz amigos próximos da minha casa. Toda noite nos encontrávamos na esquina pra conversar, mesmo com os pedidos de minha mãe. Eles foram muito importantes pra mim, mas perdi completamente o contato desde que me mudei. Hoje decidi visitá-los.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ramon Cavalcante &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;21 de março de 2006, 18 horas, quase seis anos depois...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     "O Eugênio taí?" a menina ficou desconfiava, não lembrava que ele tinha uma irmã, não respondeu, gaguejou tudo que me mostrou foi sua silhueta por trás das portinholas. "Ele não chegou ainda não" veio a mãe por trás, vindo da rua, respondendo por sua filha.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - A senhora lembra de mim?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Lembro sim&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - E o Eugênio? Sabe onde ele tá?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Não voltou do trabalho ainda- Ah, ele tá trabalhando?- Tá, no juizado móvel. Tá quase casado. Deixe o seu telefone e o endereço que agora ele tem uma motinha, é bem capaz de ir bater lá...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     O Eugênio foi o meu melhor amigo daqui, meio pra baixo, meio desiludido, mas sempre foi um companheiro. Lembro das palavras dele no dia em que me mudei: "É meu chapa, só vai se for assim, isso aqui é um inferno, ninguém cresce aqui dentro não, agora bastou o cara sair, se mudar, pronto, arranja emprego, uma namorada que preste". No dia achei muito exagerado, mas voltando lá depois de tanto tempo eu vejo o quanto ele acertou. Ainda lembro dos olhos dele... os olhos de quem tava vendo tanta coisa errada que não tinha o que fazer, era se jogar pra dentro e tentar agüentar.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - O Dezim engravidou uma menina, taí o filho nasceu, a mulher passa o dia trabalhando de costureira e ele aí sentado jogando dominó, num quer nada, trabalhou uns tempos de trocador, mas essas coisas têm que ter pontualidade. – meu primo Alexandre começou a apontar com um gesto e duas frases o rumo que cada um tomou.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Tão morando onde?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Ali por trás do canal, rapaz ali o negócio é pesado viu... faz pena&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Como é o nome mesmo daquele bicho alí que montou um salão?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Naim. Tá se fazendo, montou aí esse salão e daí já fez uma moto, tá terminando a casa... só que aí começou a aparecer um monte de salão por perto...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - E o Cícero cadê?- Rapaz... o Cícero tá um caso sério... desde a história lá do pai dele...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Sim como é que foi essa história do pai dele?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Macho um tio dele tava marcado de morte por uns marginais aí, no dia o pai dele tava andando com o tio aí já era, os caras pegaram os dois e foi sem pena... dois tiro na cara... queima de arquivo né? Fui com o Nathan nos hospitais tudim fomos achar lá no IJF, fazia uma meia hora que tinha morrido... os dois tiros foram no olho, o primeiro entrou e ficou alojado... o segundo bateu no primeiro e espatifou o cérebro por dentro...&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - E quem é que sustenta a mãe e as irmãs agora? Só o Nathan?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - De vez em quando o Cícero arranja um emprego, mas aí dá uma doida, passa uma semana bebendo, falta, sai quebrando tudo dentro de casa... quem ainda discola uns serviços pra ele, por consideração ao pai, é a galera da padaria aí. Mas eles ainda tão recebendo uma aposentadoria aí que o pai dele tinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - E o Chiquim? Vai casar mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     - Rapaz....&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     A história vai longe. Vou conhecer o filho do Dezim, procuro o Cícero, a mãe diz que ta pelos bares. É estranho imaginar sem ver seu rosto, ele era um dos caras mais centrados de nós... talvez tenha sido exatamente isso. Eduardo cuidando do irmão, matando frango e agora indo pros forrós, Walney desenhando, desenhando bem. Gabriel nunca descolou do vídeo-game, Jacinto desempregado, só ajudando o pai... e assim vai. Meu primo me dá uma carona de volta, quando percebe o meu interesse pelo rumo que a nossa galera tomou fala "É, por aqui as coisas não mudam muito não, vai assim mesmo, parece que parou no tempo".&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;     Saio de lá com o peito pesado. Aquela esquina vazia, nenhum menino de 16 anos, nenhuma roda de amigos. Não consigo esquecer o olhar do Eugênio - É meu chapa, só vai se for assim, isso aqui é um inferno, ninguém cresce aqui dentro não, agora bastou o cara sair, se mudar, pronto, arranja emprego, uma namorada que preste... isso aqui parece uma doença, se vacilar e ficar de lero aqui na calçada passa um doido pra assaltar e tome bala... – quase não consegui escrever esse texto... só consegui depois de me voltar aquela imagem, aquela de todos nós na esquina, todo dia conversando, jogando conversa fora. Refletindo agora de fora eu vejo que talvez as coisas não tenham piorado lá nesses seis anos (apesar de não ter melhorado em nada), o problema é que nós crescemos, chegamos aos 23, 24, 27, quando o peso cai em cima de nós... e como esse peso é grande.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114303050097809546?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114303050097809546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114303050097809546&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114303050097809546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114303050097809546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/eu-e-o-bom-jardim.html' title='Eu e o Bom Jardim'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114294871039776145</id><published>2006-03-21T10:17:00.000-03:00</published><updated>2006-03-22T10:46:46.143-03:00</updated><title type='text'>"Nao trocaria essa minha vida por nada"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/jangadeiro.0.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/jangadeiro.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Raquel Gonçalves,&lt;/strong&gt; em viagem por Pernambuco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Maré seca: hora de trabalhar. Jangada Jaênia no rio aguarda sua primeira viagem. Apaixonado por onde mora e pelo seu trabalho, é no mangue que Ênio José, 29 anos, compartilha suas experiências com as pessoas, faz novas amizades e ainda trabalha tranqüilamente na melodia do mar, misturada ao grande encontro com rio. A sua harmonia com o lugar desperta admiração por sua forma de viver, tão simples mas com uma qualidade de vida invejável. É dessa forma tranqüila e sossegada que 30 por cento da vila de Maracaípe sobrevive e sustenta suas famílias nos arredores do mangue em Pernambuco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma casinha localizada a 100m da praia, imersa no mangue, onde só se chega a pé, na maré baixa, ou de barco. Localizada a cinco minutos de jangada do seu local de trabalho. Uma mulher e dois filhos para alimentar, amar e sustentar. A jangada leva o nome de sua filha mais velha: Jaênia, 3 anos e 8 meses. Ênio nasceu em Ipojuca, morou em Sirinhaém, mas vive a sete anos no Pontal de Maracaípe. Todas cidades próximas ao Pontal. “Eu sou um homem muito feliz aqui com minha família” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O passeio de jangada pelo Pontal esclarece aos visitantes a respeito da vida no mangue. Os jangadeiros puderam se aperfeiçoar nos conhecimentos com um treinamento oferecido à Associação dos Jangadeiros pelos estudantes da Universidade Federal de Pernambuco. Biodiversidade: Cavalos Marinho, Pepino do mar, Chiér, Aratu, siri. Marrom, vermelho, amarelo. “O cavalo Marinho se camufla de acordo com o ambiente, no mangue ele fica marrom, sabiam?” Indefeso e delicado, os bichinhos parecem deslizar sobre as mãos de Ênio, que não nos deixa tocá-lo. “Eles são muito frágeis, é melhor não tocá-los”. Parece que a intimidade entre eles é muito maior que qualquer relação humana. Logo lá vem ele com um Pepino do Mar. “È por essa mesma cavidade que ele se alimenta e elimina seus dejetos”. Ênio nos mostra a forma de defesa do Pepino, esse estranho animal que transita entre o mar e o mangue. “É iagual ao Polvo, quando se sente ameaçado solta essa substância lilás para se esconder e fugir”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/cavalo%20marinho.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/cavalo%20marinho.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ao chegar perto das ilhas que se formam no meio do mangue, devido a maré seca, Ênio nos mostra várias espécies de caranguejos transitando na superfície. “Eles estão de ‘andada’, época do acasalamento”. Por isso eles ficam tão elétricos correndo e se movimentando no meio da vegetação do mangue. Chico Science utilizou-se dessa metáfora quando compôs Risoflora para falar dos instintos e do amor. O mangue é apaixonante quando se estabelece um contato profundo e íntimo com os seres que compõem esse local. Mais na frente, assistimos a dança dos Chiér, mais um tipo de caranguejo, com um pouco mais de 3cm, que se locomovem de forma rápida e escondem-se em seus pequeninos buracos na areia pouco permeável do mangue. Mesmo mangue que foi cenário de clipes alucinados do finado Chico tão apaixonado pelo mangue pernambucano.Ênio José: assim como muitos ali no Pontal, brincam a vida levando a sério, conversando com os bichos e conhecendo gente nova. Integrando cada vez mais a vida do mangue, é também responsável pela harmonia necessária entre homem e natureza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Risoflora&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chico Science e Naçâo Zumbi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um caranguejo e estou de andada só por sua causa, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;só por você, só por você &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e quando estou contigo eu quero gostar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e quando estou um pouco mais junto eu quero te amar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e aí te deixar de lado como a flor que eu tinha na mão &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e a esqueci na calçada só por esquecer &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;apenas porque você não sabe voltar pra mim &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora! vou ficar de andada até te achar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;prometo meu amor vou me regenerar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora! não vou dar mais bobeira dentro de um caritó &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora, não me deixe só &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou um caranguejo e quero gostar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto estou um pouco mais junto eu quero te amar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E acho que você não sabe o que é isso não &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se sabe pelo menos você pode fingir &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E em vez de cair em tuas mão preferia os teus braços &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E em meus braços te levarei como uma flor &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pra minha maloca na beira do rio, meu amor! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou ficar de andada até te achar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prometo meu amor vou me regenerar &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vou dar mais bobeira dentro de um caritó &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oh Risoflora, não me deixe só &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114294871039776145?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114294871039776145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114294871039776145&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114294871039776145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114294871039776145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/nao-trocaria-essa-minha-vida-por-nada.html' title='&quot;Nao trocaria essa minha vida por nada&quot;'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114248778006541991</id><published>2006-03-16T02:21:00.000-03:00</published><updated>2006-03-17T23:26:24.560-03:00</updated><title type='text'>Seu Alves, o sapateiro.</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/seualves5.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/seualves5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;texto e fotos: Pedro Rocha.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Ei menino. Leva esse bilhete na casa do Zé Pereira que na volta eu te dou um pedaço de rapadura e uma mão chêa de farinha...” Honorato era menino véi, coisa de 8, 9 anos. Saiu rodando Flecherinha na cata do destinatário. “Né aqui não viu... É bem ali” E tome Honorato a andar debaixo do sol quente, o suor descendo e da pueira da piçarra subindo, indo e voltando feito besta , “ta bem pertim...”, e mais um apontava tangendo Honorato. Na porta da casa de uma senhora de idade é que o bilhete chega ao dono: “Meu filho, vá simbora pra casa que aqui tá escrito: ‘bote esse burro pra andar’.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Honorato Alves Pereira&lt;/span&gt; nasceu 1930 em Tauá (349 km de Fortaleza), mas ainda nos braços da dona Maria chegou em Flecherinha, onde passou infância. Menino aperriado, com 12 já tava em Fortaleza, no ofício de engraxar sapato. Aperriado é pouco, dizem por aqui que essas pessoas têm um frivião no cú, e é bem capaz dele aos 76 anos se espalhar numa risada quando ouvir isso. Com 20 e poucos, tava no Rio de Janeiro, trabalhando no Aeroporto Santos Dumont, pra mais na frente tá carregando peso na tal da Brasília de Kubitschek, o JK. Goiânia, Anápolis, Fortaleza – só de passagem! – sobe! que o pau de arara tá saindo, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas, construção civil, ajudante de topógrafo, na roça plantando feijão, arroz, milho... Pra depois voltar fastiado, porque “quem anda só no mundo não tem valor.” Saudade da mãe. 1962. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ali sentado na calçada, passando cola no solado, costurando bico, remendando uma sandália, pitando outra, Seu Alves, o sapateiro, conta os anos que se passaram. Toim, filho mais novo e herdeiro do ofício do pai, avisa: “rapaz, você vai dormir, acordar, e ele ainda ta falando.” Deboche de filho. De história em história, virou reportagem, dessas de televisão, jornal, rádio, até a tv a cabo, mas essa ele não assistiu, “é tv de gente rica.” Mas não foi o navio clandestino que fez ele virar reportagem. O navio que pegou pro Rio, onde escapou fedendo de uma baldeação. “Num sabe o que é? Era quando os homi iam checar de um por um quem tava clandestino no navio.” Pois nessa, ficou na terra mesmo, nem tentou subir de novo. Ouviu das margens de Recife o navio apitando rumo a capital do Brasil daqueles tempos. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/seualves2.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/seualves2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/seualves2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não foi o navio, nem foi o pandeiro tocado nos forrós ou as tantas mulheres em que ele “passou o pavil”. O que fez Seu Alves, o sapateiro, reportagem, foi a arrumação de sair pintando a calçada do seu ponto, ali na beirada da Av. Engenheiro Santana Junior, perto do Terminal de ônibus do Papicu. É “Feliz Natal!”, “Feliz Ano Novo”, declaração de amor: “ti-amo mãe”, poesia: “Este... domingo é meu: ti-amo”, pregação: “A porta que Deus abre ninguém fecha.”. “Seu Alves, amigo do pobre, conhecido do rico”. Mas quando a Cherokee pára do lado ele sabe, o preço vai ser maior um pouquinho. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Explica o ocorrido. Fala que quando chegou naquele ponto, há 12 anos, não tinha cliente, ai foi começando a pintar, colocar uns banquinhos, plantou esse castanhola onde estamos sob a sombra, ai foi indo... Começou a chegar cliente, mais um aqui, outro aculá. O certo é que o homem é notícia e não pára de chegar gente de pé ou no carro que encostar rapidinho pra deixar o serviço. Veio a prefeitura também, pra botar pra fora que não é coisa de se admitir a privatização de uma calçada pública!, mas um vereador que passava por lá, na intenção de recauchutar o calçado, resolveu os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/seualves6.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/seualves6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;“Traga o pandeiro”.&lt;/span&gt; Magnaldo, que tá aprendendo a transformar sapato velho em novo, corre na casa do seu Alves, ali pertinho, na Travessa Paredes, pra buscar o instrumento. Mal chega a morena com o cabresto da sandalha rebentado, ele já vai se aprumando, mete a mão no pandeiro, galanteador, malaca... Canta Morena Dengosa de Roberto da Silva. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando começa a cantar, ele encarrilha uma, duas, três músicas. Alegre, canta pra quem passa indiferente na avenida. Sem problemas, o que vale é ele o pandeiro... a morena... quando tá triste é isso que faz pra consolar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;De mulher e música ele entende, pelo menos é o que diz. É bruto, “minhas mulher é tipo táxi, eu pego e mando sair fora.” Mas na verdade é muito é mole., “música que esculhamba mulher eu não gosto não, dô valô a música que baba mulher”. Sem falar nos 19 anos e 10 filhos que ele passou rodando no táxi da dona Francisca Ferreira Alves, mãe do Toim. Pra ficar com a comparação dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O burro rodou anos&lt;/span&gt;, aprendeu a ler e escrever ainda no Rio, na sua passagem por lá. O bilhete? Na época, um envelope pelo correio com um tanto de C$ cruzeiros pra mãe. “A letra é uma comunicação oculta sabe. O caba pode ser calado, falar nada, mas escrevendo ele diz o que quer”. Não fale muito não seu Alves, que é capaz de um dia o senhor encontrar um rapaz bem parecido, de paletó e sapato impecável, querendo carregar o senhor pra ir dar palestra de marketing pelo mundo. Olha que o senhor já tem 76, não ta mais em tempo ficar com essas putarias.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;* &lt;a href="http://www.freewebs.com/grupotrema/fotosalves.html"&gt;mais fotos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114248778006541991?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114248778006541991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114248778006541991&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114248778006541991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114248778006541991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/seu-alves-o-sapateiro.html' title='Seu Alves, o sapateiro.'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114225944648773856</id><published>2006-03-13T11:07:00.000-03:00</published><updated>2006-03-13T11:41:46.620-03:00</updated><title type='text'>Mosquito no Zine-se</title><content type='html'>Depois da primeira divulgação oficial do grupo, no último Zine-se, em 11 de março de 2006, onde distribuímos um pequeno fanzine sobre a morte do Lead. Esperamos que nossos e nossas visitantes leiam e comentem os textos aqui apresentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em tempo:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estamos ainda pensando um novo designer para este blog. Enquanto isso, vamos postando sem muitas preocupações textos sobre assuntos diversos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Advertência:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As matérias a respeito dos terminais de ônibus estão sendo publicadas avulsas, sem uma ordem lógica. Seria interessante, no entanto, para a leitora ou o leitor, tentar acompanhar a série desde o primeiro capítulo, postado em 06 de março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.imageshosted.com/uploadimages/8839mosquito.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.imageshosted.com/uploadimages/8839mosquito.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Adeus, Sr. Lead...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia amanhece triste para o jornalismo cearense. Hoje pela manhã, a senhora Pirâmide Invertida, esposa do senhor Lead Demócrito Queiroz, aos prantos, informou á nossa redação do falecimento do homem que marcou a história do jornalismo mundial: o senhor Lead. Segundo a viúva, suas últimas palavras foram: “não estou mais me entendendo”. Ela ainda comenta que nos últimos dias suas perguntas mais feqüentes eram: “quem sou eu, onde estou indo, quem me acompanha, porque faço isso, quando tudo começou”.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/mosquitoverso.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/mosquitoverso.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/mosquitoverso.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Segundo o diagnóstico da Dra. Objetividade, o senhor Lead sofria, há alguns anos, distúrbios psíquicos. “Lamento o trágico fim. Mas racional-mente, foi o melhor. O senhor Lead já não dava mais conta de si”, sentencia friamente. Segundo Ramon Cavalcante, integrante do grupo Trema: “eu num tou nem vendo. Acho é pouco”. O presunto do Sr. Lead será desovado no endereço &lt;a href="http://www.grupotrema.blogspot.com"&gt;www.grupotrema.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;TR.E.M.A. comemora o fato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;MENTIRA] Morrer num morreu não, mas se depender da gente...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Deixando de mungango e falando de coisa séria, seríssima, o mosquito em suas mãos se trata da divulgação do blog do grupo TR.E.M.A. - Território de Expressão do Mundo Anônimo. O zumbido é de um grupo que se propõe a conhecer Fortaleza em seus vários antros e meandros, escrevendo um jornalismo literário que lhe conta de uma por uma, assim mesmo sem fim, suas histórias.&lt;br /&gt;VISITE, COMENTE E PROPONHA IDÉIAS: &lt;a href="http://www.grupotrema.blogspot.com/"&gt;http://www.grupotrema.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114225944648773856?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114225944648773856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114225944648773856&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114225944648773856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114225944648773856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/mosquito-no-zine-se.html' title='Mosquito no Zine-se'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114225723021565923</id><published>2006-03-13T10:30:00.000-03:00</published><updated>2006-03-16T15:05:20.283-03:00</updated><title type='text'>Bossa nova ‘engaitada’</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Raquel Gonçalves,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;em viagem a trabalho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quarta-feira de cinzas com direito a muito sol e sabor. Maluco Beleza não saiu nas ruas de Olinda, mas Geová tocou sua gaita no Passo Alfândega, nas ruas do Recife Antigo espalhando a boa melodia dos encantos da Bossa Nova. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gaitista, artista, Geová. Idade? Não sei, por volta dos 60, talvez. Artista? Uma coisa é certa: os verdadeiros produtores de arte nunca se consideram artistas. A humildade e a intensidade com que essas pessoas se relacionam com o seu trabalho são as principais virtudes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Casa do tio da namorada do meu amigo. Encontrava-me na casa de Geová. Com muito wisk na cabeça, ele estava bêbado. Voltando do Passo Alfândega, rememorava seus colegas mestres da Bossa Nova: Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Dessa vez, trazia uma gaita nova raríssima, que havia ganhado de um amigo. Assistíamos a um DVD do Toquinho quando adentrou a sua sala. Falante, sugeriu uma fita com um documentário gravado na globo em 1994 (segundo ele, uma das poucas produções globais de qualidade) sobre a vida de seu companheiro amigo Antônio Carlos Jobim. Antes mesmo que respondêssemos, ele já tirou o DVD e introduziu a fita nostálgica, narrada por Cid Moreira ainda de cabelos grisalhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muito emocionado e envolvido, tomou a cena deixando vir à tona as lembranças de um tempo que não volta mais e a angústia de ver que depois da morte, o conhecimento de Jobim é tão mal aproveitado e pouco reproduzido pelos seguidores e perpetuadores da arte. Mais de 200 versões de Garota de Ipanema. Pouco? “Ele fez muito mais que Garota de Ipanema e Águas de Março”, diz Geová enquanto coloca sua próxima dose de Wisk, agora trasbordando euforia, esparramado em seu sofá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cotidiano do velho é rememorar o tempo inteiro os tempos da Bossa Nova. “Eu vivi e acompanhei tudo isso de perto”. Foram três anos convivendo intensamente com Jobim no Rio de Janeiro. “Bebemos, cantamos, tocamos, conversamos juntos...” Cirrose: bar símbolo da boemia carioca acolheu e abençoou essa amizade poética, alcoólica e musical. Hoje aqui tocando na sua gaita, as lembranças musicais deixadas pelo amigo nos bares de Recife, sempre regado com muito wisk, é claro. “Nos bares sempre alguém pede alguma música dele.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Geová: muito expansivo, não temeu ser inconveniente ou mesmo intolerante. Foi a cachaça? Tenho certeza que somente ela, não. Sua personalidade traduz muito mais que isso: intensidade. Pode até ser que alguns wisks já façam parte dessa construção pessoal, porém a atribuição de algumas características devem ser dadas a sua personalidade e não justificadas pela bebida. Em sua sala, onde encontrava-se sua sobrinha alagoana, o namorado e uma amiga cearense conversando e assistindo Toquinho ainda de ressaca em uma quarta-feira de cinzas, exteriorizou, transmitiu e contagiou a todos com sua musicalidade vital. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vinicius de Moraes dizia assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Se o cão é o melhor amigo do homem&lt;br /&gt;O wisk é um cão engarrafado”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114225723021565923?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114225723021565923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114225723021565923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114225723021565923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114225723021565923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/bossa-nova-engaitada.html' title='Bossa nova ‘engaitada’'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114187001542889142</id><published>2006-03-08T23:01:00.000-03:00</published><updated>2006-03-11T15:06:15.273-03:00</updated><title type='text'>CADEIRAS COM RODAS (continua)</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/luiz-vert.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/320/luiz-vert.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 3: Luiz Mendes, 30 anos. Ser humano e profissão gari.&lt;/strong&gt; No sorriso, faltam-lhe dentes. Nas palavras, falta-lhe voz. No convívio, sobram-lhe histórias. Um dia. Uma narrativa e alguns capítulos. O terminal também o acolhe. Não existem milhares de Luiz como este. Não. Ele é único. Ele é Luiz, o Mendes. 30 anos. Marido. Pai de três filhas e dois filhos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tiago Coutinho &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da porta de sua casa dá até para ver a parada de ônibus. São apenas 40 metros. Mesmo próximo, Luiz precisa sair o mais cedo possível de casa. O medo de ser assaltado continua. 22h. Ele espera calado com a farda azul claro. O céu está meio cinza e esconde as estrelas. Talvez chova. Precisa logo arrumar dinheiro e ajeitar as goteiras do teto. Esses dois últimos anos São Pedro tem sido até generoso. Poucas foram as chuvas fortes. De longe, ele avista os faróis de ônibus. É o Grande Circular, esse aí? É sim. Lá vem ele. Levou sorte, chegou na hora. Vazio, ele se acomoda em um banco. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;É começo de mês. Parece que amanhã o dinheiro já sai e haja contas para pagar. Algumas prestações estão atrasadas. Outras vão vencer logo. A Casa Pio, os óculos da mulher, as roupas da Riachuello. Mas se pagar tudo de uma vez, não sobra nada pro resto do mês. É foda. Mas se aperta em algo acolá, pode ser que dê certo. E se faltar dinheiro na metade do mês, faz os bico, ora mais. Cata e recicla. Tem problema não. O melhor mesmo é rezar pra num faltar nada. Já tá com um ano que as coisas melhoraram. Só de pensar na tranqüilidade de agora. O trabalho atual nem se compara com o reciclagem, sem ganho fixo. O horário da noite é mais calmo, tranqüilo. É perigoso, mas ele é homem e pelo menos a mulher conseguiu ficar de manhã... &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O ônibus pára. Chegou ao terminal. Lá está a Maria de Fátima. Ele o cumprimenta. Ela logo avisa:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;– Hoje, tá só nós dois. Nem o Nonato nem a Mazé vieram. Aí eu tava pensando em dividir assim. Tu fica com os pavilhões das ponta e eu limpo o resto. Certo? &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;– Tá certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Antes, um caldo. Antigamente havia até um mais gostoso, agora só tem esse de R$ 1,20, mas pelo menos vem com uns pedacinhos de pão. Dá pra forrar a noite. Hora de trabalhar. Uma vassoura, uma pá, alguns sacos pretos, um camburão, e o tempo não demora a passar. É a conta certa. Quando termina de limpar tudo, já ta na hora de ir. Óbvio que ele mesmo programa seus intervalos. Hora conversa com Carlos, por outros minutos senta numa lanchonete. Fala com a Mazé. Brinca com a doida que sempre o perturba. Nisso o tempo passa. Ele observa aquelas pessoas ao seu redor. Assim como ele, elas vão ali todos os dias. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 4: A história de Luiz vira pauta&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oi, boa noite! Posso falar com você?&lt;br /&gt;– Pode – Luiz continua a fazer seu trabalho.&lt;br /&gt;– É porque eu e alguns amigos estamos fazendo umas matérias sobre o terminal de madrugada. Aí eu queria saber se você poderia me dar algumas informações.&lt;br /&gt;– Eu?&lt;br /&gt;– É o senhor. A propósito, como é seu nome?&lt;br /&gt;– Luiz.&lt;br /&gt;– Luiz de que?&lt;br /&gt;– Luiz Mendes.&lt;br /&gt;– Pois é seu Luiz, posso te entrevistar.&lt;br /&gt;– Rapaz....&lt;br /&gt;– Eu não quero atrapalhar o seu serviço. Se o senhor quiser, eu vou acompanhando seu serviço e vamos conversando, pode ser?&lt;br /&gt;– Tá certo, então...&lt;br /&gt;– Alguém já lhe entrevistou, Luiz?&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;– Mas as pessoas vêm falar com o senhor aqui de noite?&lt;br /&gt;– Vem.&lt;br /&gt;– E o que elas falam com você?&lt;br /&gt;– Ah, vem perguntar como é o emprego.&lt;br /&gt;– É? E o que você diz?&lt;br /&gt;– Eu digo qual é a firma que tem que deixar o currículo.&lt;br /&gt;– Ah, as pessoas vêm te perguntar como consegue esse emprego?&lt;br /&gt;– É.&lt;br /&gt;– E além disso, elas falam o que com você?&lt;br /&gt;– Nada não. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;***** &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/luiz-hor.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;As perguntas faltam por alguns momentos, e o silêncio pede licença. As respostas são certeiras, rápidas, objetivas e fragmentadas. As falas contrastam na dimensão e são costuradas no enredo da memória. Depois da conversa, que vai e volta sem uma lógica precisa, um caderninho de anotações difusas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A família:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É ajuntado com Joelma, cujo sobrenome ele não sabe. Possui cinco filhos. Todos são registrados. Joyce tem oito anos e é filha de criação – o irmão da esposa a deixou aos cuidados de Joelma quando ela ainda era bebê. Hugo e Igor, os filhos da primeira mulher, não moram com ele. Luiz engravidou a primeira mulher quando tinha apenas 16 anos. Sua mãe lhe deu uma cagaço, mas já não tinha mais jeito. Hoje é órfão de pai e mãe. Quando morrera, sua mãe deixou de herança uma casa. São 40 m². Um quarto, uma sala, um banheiro e a cosinha. No quarto, apenas uma cama grande. Onde dormem ele, Joelma e as duas filhas mais nova Larissa, 3, e Júlia, 5. As meninas estão crescendo. Logo, não será mais possível dividir a cama. Aí, Luiz construirá, no terreno de sua mansão, um quarto para as meninas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A rotina:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5h –&lt;/strong&gt; O terminal já se encontra lotado. O expediente se encerra. Volta para casa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6h –&lt;/strong&gt; Chega em casa e toma o café pronto, deixado por Joelma. Esta, desde às cinco da manhã, já trabalha no terminal, onde também faz limpeza. Café bebido, ele deixa as filhas nas escolas. As duas mais velhas estudam em escola mesmo. A mais nova passa o dia na creche.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7h30 –&lt;/strong&gt; Volta para casa. Conversa com alguém no meio do caminho. Vai dormir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12h30 –&lt;/strong&gt; É acordado pela esposa. O almoço já está pronto, pode ser carne ou frango, ele não tem frescura para comida. Na televisão, passa o Cidade 190. Ele gosta de assistir o programa durante a refeição. É importante ver as reportagens. Só gosta desse tipo de programa. A TV Jangadeiro é o melhor canal. De bucho cheio, volta a dormir.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;20h –&lt;/strong&gt; Janta. A mesma variedade do almoço. Brinca um pouco com as filhas. Se prepara para o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;22h –&lt;/strong&gt; Sai de casa para o terminal. O expediente começa às 23h. Da parada de sua até o terminal, demoram-se em média 30 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Curiosidades:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Luiz mora no Jangurussu, zona sul de Fortaleza, numa rua chamada Paraíso. Nas proximidades de sua casa, há três cabarés, os quais ele costuma freqüentar com o irmão e um grande amigo, ambos vizinhos. Joelma às vezes se chateia e até chora por conta da situação. Mas aceita, porque é assim mesmo. Com a soma dos salários dos dois, eles tiram por mês R$ 600,00. Com esse dinheiro, eles dizem viver muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Última frase:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Luiz varre e junta, diariamente, vários sacos de lixo e os deposita no maior depósito do terminal, mas ele não sabe qual é o destino do lixo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114187001542889142?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114187001542889142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114187001542889142&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114187001542889142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114187001542889142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas-continua.html' title='CADEIRAS COM RODAS (continua)'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114174259170137785</id><published>2006-03-07T11:27:00.000-03:00</published><updated>2006-03-16T12:59:55.383-03:00</updated><title type='text'>Como comprar quadrinhos em Fortaleza</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;em&gt;As pessoas têm vários motivos pra não despertar o mínimo interesse por histórias em quadrinhos, preconceito, dinheiro apertado, desconhecimento de obras que vão além das crianças e dos adolescentes espinhentos. As que chegam a despertar algum interesse também têm que enfrentar vários obstáculos até o seu destino que é a obra que o satisfaça. Tentando reduzir tanto quanto possível essa distância resolvi deixar um pouco a preguiça de lado e visitar os estabelecimentos da cidade pra fazer esssa pequena matéria.&lt;br /&gt;O problema é que em todas as lojas eu acabo comprando alguma coisa... eu quebrei meus obstáculos até demais.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Ramon Cavalcante&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrar uma boa história em quadrinhos não é uma tarefa muito simples. Se você vive em Fortaleza, não tem profundo conhecimento bibliográfico na área e nem pode pagar os olhos da cara por um exemplar de 100 páginas, eu chego a ter vontade de aconselhar que desista.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Os quadrinhos podem oferecer uma leitura sublime, momentos de envolvimento que em vários aspectos podem superar mídias como o cinema, teatro e a própria literatura. Difícil é achar. A produção local é ínfima, a nacional é agonizante (apenas pontualmente se encontra obras muito boas, o que se torna mais difícil quando se busca uma periodicidade) e a internacional chega aqui em pequenas fagulhas quase totalmente ofuscada pelo super-herói americano e pelos guerreiros lacônicos do mangá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Podemos contar nos dedos de uma mão os nomes das grandes lojas de quadrinhos: &lt;strong&gt;Revista e Cia.; Fanzine; Ravena&lt;/strong&gt;... mesmo se adicionarmos à lista as grandes livrarias que destinam uma seção aos quadrinhos e as bancas que disponibilizam um bom acervo na área não passaríamos de duas mãos. Sim, nas suas duas mãos você tem mais dedos do que boas opções para comprar quadrinhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A loja &lt;strong&gt;Revista e Cia&lt;/strong&gt;. com certeza é a que tem o melhor acervo, tanto de clássicos, raridades até os lançamentos (é também aonde os quadrinhos chegam mais rápido), com mais de 350.000 exemplares guardados em 4 depósitos além da loja. Silvio Amarante, o proprietário em sociedade com a mulher, Regina Lúcia, diz que começou o seu negócio aos 6 anos quando começou a ler. Desde criança comprava já revistas antigas, hoje aos 53 anos se diz, sem dúvida, o maior colecionador de quadrinhos do Brasil. Porém são freqüentes as reclamações de mau atendimento, preços exorbitantes, o proprietário já virou lenda entre os leitores assíduos da cidade, por sua fama de empacotar e alterar o preço de qualquer quadrinho com algum grau de raridade, esconder exemplares para vender como raro e até mesmo de separar edições que são vendidas juntas para vendê-las mais caras.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;A &lt;strong&gt;Fanzine&lt;/strong&gt;, como o seu nome sugere, tem um caráter mais popular, não tem os mesmos problemas da &lt;em&gt;Revista e Cia&lt;/em&gt;., mas tem outros, o acervo é bom, mas volátil, a organização é precária e a sustentabilidade é suspeitável já que recentemente o dono fechou uma das lojas, na avenida 13 de maio, ficando apenas com a do centro que tem menor visibilidade e ainda divide espaço com representação de maquinário industrial para costura no mesmo ambiente. A loja destina uma seção exclusiva para a venda de fanzines locais, algo que não acontece nas outras lojas e apenas em poucas bancas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Ravena&lt;/strong&gt; durante muito tempo foi uma banca com ótimo acervo em quadrinhos (ótimo acervo para bancas, nem se comparava ao das duas lojas), o negócio foi fundado em 1993, conseqüência da coleção de Josélio Lopes, colecionador de histórias de terror, e Sérgio Cavalcante, colecionador de super-heróis. Hoje eles já contam com duas bancas e uma loja recém aberta. O acervo ainda é bem pequeno e divide espaço com dvds, romances, pornografias e afins. Mas se você tiver boas referências você acha obras fantásticas por um ótimo preço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Além das três lojas vale citar também algumas livrarias como a &lt;em&gt;Lua Nova&lt;/em&gt; que, apesar de ter um acervo bem pequeno, disponibilizam algumas obras que nem mesmo as lojas especializadas oferecem, principalmente se o quadrinho em questão é um álbum importado de alguma editora não habituada aos quadrinhos que pontualmente lançam alguma obra (geralmente muito boa).&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Mesmo nesse cenário praticamente desesperador ainda pode-se encontrar obras de qualidade invejável, aqui na nossa cidade, que não caberiam no meu quarto, talvez até na minha casa. Resta saber onde e por quanto. O porém é que mesmo obras renomadas além da mídia do quadrinho, como obras adaptadas para cinema, podem muito bem não estarem disponíveis em lugar nenhum da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Para quem quer se arriscar nesse ambiente cheio de obras medíocres, títulos desanimadores, estereotipos cansativos, cronologias infindáveis, exploração financeira e vendedores antipáticos, eu recomendo, mas desejo boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Telefones e Endereços:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Revista e Cia – Av. Pontes Vieira Nº 1843 – Telefone: 3257-1057&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Fanzine – Rua Pintes Vieira Nº 583 – Telefone: 3252-3660&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Gibiteca Ravena – Rua Sólon Pinheiro Nº 279 – Telefone: 3231-8202&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114174259170137785?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114174259170137785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114174259170137785&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114174259170137785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114174259170137785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/como-comprar-quadrinhos-em-fortaleza.html' title='Como comprar quadrinhos em Fortaleza'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-114165069785309655</id><published>2006-03-06T10:08:00.000-03:00</published><updated>2006-03-16T14:39:55.290-03:00</updated><title type='text'>CADEIRAS COM RODAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/terminal4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="334" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/terminal4.jpg" width="240" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;E&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;xperiência-apuração: Ramon Cavalcante, Pedro Rocha e Tiago Coutinho &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fotos: Ramon Cavalcante&lt;br /&gt;Texto: Pedro Rocha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E de tanto passar, descer e subir, se fez reportagem o cotidiano. O grupo TR.E.M.A. conta em uma seqüência sem começo nem fim, o que e quem passa pelos terminais de Fortaleza, enquanto a cidade transa, se embriaga, dorme... CADEIRAS COM RODAS contará em capítulos* as histórias ao leu de quem passa, trabalha ou mora por lá, ai, bem ai, debaixo das venta de quem passa apressado no pico das 18. Esperamos encontrar você num dessas viagens do corujão Grande Circular, assim, só charlando mesmo, pra gente conversar um pouco, contar histórias e tentar mudar alguma coisa. Parada Solicitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*Os capítulo serão publicados sem periodicidade, mas com um intervalo máximo de 15 dias.&lt;br /&gt;**O blog terá outras reportagens além dessa série.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 1: e na guarita do terminal do Papicu às 2 horas da madrugada de uma quinta-feira...&lt;/strong&gt; Paulo tira um saquinho de pó de guaraná e despeja nos dois copos de café, um pra ele, outro para o Carlos. Bebem como remédio. No rádio da guarita, forró; o trocador do terminal passa o tempo ouvindo FM 93 e Liderança, quando não, conversando com o segurança Carlos e dando uma volta sem largar o olho da roleta. Nessas madrugadas mais lentas, como as de uma quinta-feira, ela roda de 100 a 170 vezes. Um movimento mais calmo, mas que diz tanto do urbano, quanto o pico caótico das 18 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terminal é decadente e silencioso no que tem de mais urbano essas palavras, no que tem de silêncio o olhar e o ruído. Marquise segura para pedintes, moradores da rua que se espreguiçam nos bancos talhados em concreto. Nessas horas em que os dias rebentam em fim e começo, o percurso vai de uma ponta a outra, dos restaurantes da beira do mar à periferia. Quem passa nas madrugadas pelo terminal, descendo e subindo em corujões, são os mesmo que servem caipirinha, cerveja, lagosta grelhada, e principalmente, nesta quinta-feira, caranguejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos é um preto de 41 anos, gordo de cabelo ralo e bigode escuro que guarda desde setembro com mais dois colegas as madrugadas do Terminal do Papicu. Seu escudo amarelo e preto da Thompson Segurança contrasta com sua fala simpática, nada da frieza dos homens de preto. Sabendo do assunto, introduz o tema enquanto aponta para uma mulher que anda com os seios pro lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tem muito é isso aí aqui de madrugada... tem droga, aí é complicado, porque se você pega e toma, eles endoidam, faz escândalo... pior são os homossexuais do banheiro, caba chega aqui às 19 horas e fica até 3, 4 horas só de tocaia no banheiro... quantas vezes tive que ir lá, tirar de quatro viado fazendo as coisas... se comendo...&lt;br /&gt;— E ai, faz o que?&lt;br /&gt;— E o pior que eles são cheios de razão, um dia desse eu tive que ir lá por causa de reclamação de usuário, tirei ele de lá e trouxe bem praqui [apontando para o meio da plataforma vazia] aí ela saiu gritando que tinham mantido ela em cárcere privado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que dormem ele deixa pra acordar às 5 horas, quando o movimento aumenta, fica um tanto constrangido, e quando o terminal tá mais calmo deixa os sonhos se espicharem mais um pouquinho. Moradores do terminal, como aquele deitado no banco com uma cadeira de rodas ao lado, que na história contada por Carlos é um velho que tem casa, família e aposentadoria, mas vive no terminal com direito a visita das suas filhas. Aquela outra ali vem toda noite, só dormi sentada... Margarida Marques Fernandes de Lima, dita ela pausadamente. Pergunta de que família sou, pede referências, tenta adivinhar a linhagem. Quantos anos? “Vou fazer 57, não, fiz 57 em novembro.”, mas bem poderia ter feito 70 antes de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo 2: Dona Margarida espera sentada...&lt;/strong&gt; dorme nos bancos cinza-industrial, sempre sentada, “durmo não, cochilo”. Uma mochila no colo, olhar cansado, voz baixa, enrolada até a testa com panos que encontrou no lixo, bem a imagem de uma retirante que fez o caminho ao contrário, nascendo em Brasília, passando pelo interior do Ceará até Fortaleza, ainda com 18 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quatro anos dorme ali no terminal, abancada a espera do filho, que nessa alturas deve tá com uns 16 anos diz ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Eu ouço ele... ele diz... estuprado.. .&lt;br /&gt;— Tão estuprando ele?&lt;br /&gt;— Eu num já disse... Os malandro tão com meu filho, ai eu ouço, o menino.&lt;br /&gt;— Que malandros?&lt;br /&gt;— Os malandros tão com meu filho, seqüestraram... eu vou já já cobrar da policial porque tão matando o meu menino e não fazem nada, nada, eu vou lá cobrar dela, ela tá recebendo, tem que fazer o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/margarida.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/400/margarida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4403/1978/1600/margarida.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mal dá pra ouvi-la, fala com sono, colocando o pano na frente da boca como a bocejar. Conta uma história enrolada, confusa, em tom confessional, conspirando alguma coisa. Como assim, não entendi direito? “Eu num já disse...” Começa tudo de outro ponto. Ouve o filho e volta todas as noites para espera-lo, não pode voltar para Brasília sem o menino. Junta dinheiro pra vê se compra uma televisão e o filho volta. “Fui pro interior, ai mangaram muito dele porque não tinha televisão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormiu uns tempos na casa da madrasta, mas o ouvia reclamar que estava só na rua e voltou para cá. Dorme curvada sobre a mochila, coberta pelos lençóis achados. Na mochila traz panos e roupas velhas, que também enchem uma sacola de plástico branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu num já disse...” e lá se vai a conversa pras banda da Igreja Universal, do marido que fez trabalho pra afastar o filho dela, “foi até pra África parece...” Era obreira e evangelizadora junto com o filho quando o marido fez essa arrumação. Trabalhou também de doméstica, lavando e passando. “Eu trabalhei com um senhor que falava que a situação de Fortaleza nunca seria resolvida. Mas tem que ser resolvida”. Fala a velha, no limiar entre acordada e sonolenta, lúcida e louca. E dorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;...E Carlos vai apontando, avisa que daqui a pouco chega uma lôra que toda noite tá aqui tentando arrumar um namorado entre motoristas e trocadores. Aquele ali é o irmãozim doido, prega quase toda madrugada no terminal, aquele... &lt;em&gt;(segue no próximo capítulo)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-114165069785309655?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/114165069785309655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=114165069785309655&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114165069785309655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/114165069785309655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/03/cadeiras-com-rodas.html' title='CADEIRAS COM RODAS'/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-20903648.post-113711593232662257</id><published>2006-01-12T22:30:00.000-03:00</published><updated>2006-01-12T22:35:47.150-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Grupo TR.E.M.A.&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;território de expressão no mundo anônimo.&lt;/em&gt; Mundo anônimo este de difícil acesso e complexa definição, que ainda não está muito clara para nós mesmos que a propusemos decifrar e enveredar. Queremos experiências e ousadias, textuais, visuais e, ainda mais, de relacionamentos. A reflexão vem primeiro e abre este blog. Mais a frente o ensaios e textos teóricos se misturam em espaço e em essência com as entrevistas, reportagens, crônicas... Estando tudo sempre abertas para questionamentos. Para assim, pisar neste mundo com cautela, respeito e abertura, sempre com perspectiva de mudança do ser humano, conseqüentemente, da mente e da realidade humana. Alguns pontos, algumas reflexões introdutórias e iniciais. Uma pausa de três compassos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::Comunicação::&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Forma de expressão para legitimação e surgimento da cultura. Uma forma de combate a hegemonia vigente, seja cultural e/ou econômica. Cultura que extrapola a idéia de produção artística e percebe, muito mais, as relações humanas como forma de expressão de um grupo que, embora autônomo, muitas vezes não possui visibilidade midiática. E quando a tem, discordamos da maneira como a maioria vem sendo apresentada. Queremos humanizar a relação entre as formas de midiatização e os grupos que são matérias-primas para a construção da realidade virtual. Nossa comunicação prentende entender o ser humano como detentor de grandes narrativas, como pessoas, que embora anônimas, são expressivas, com riquezas culturais e de conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::Território e Mundo Anônimo::&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Local onde os erros, os paradoxos e as inovações são permitidos. Por um lado, buscamos a expressão, algo próximo da motivação da fala, da ação direta, do reconhecimento de autonomia. Entendemos que todos esses elementos são fundamentais para a garantia da formação de um sujeito tanto pela perspectiva individual, quanto pela coletiva. Somente com o auto-conhecimento de emancipação pode-se iniciar alguma mudança concreta, através de organizações de grupos que ajam de forma orgânica na sociedade. O termo “expressão”, a priori, pode ser confundido com algo incompatível com o termo “anonimato”, o silêncio. A pertinente preocupação pode ser pensada de várias formas. Há, sim, incompatibilidade quando entendemos que o anônimo apenas age, sem almejar nenhum mecanismo de expressão. No entanto, se percebermos que qualquer atitude, até mesmo a omissão, pode ser entendida e compreendida como forma de externar sensações, sentimentos, angústias e felicidades, a incompatibilidade se desfaz. Nada impede que as duas formas de expressão se convirjam em ações com fins específicos. Mas para isso, precisamos – mais do que compreendermos e entendermos o anonimato – reverter a omissão em autonomia, nos reconhecendo como sujeito político e agente, com capacidade de modificar a situação vigente que se mantém hegemônica às custas do anonimato e da ausência da expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;::Grupo::&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, enquanto agentes comunicadores e produtores de mídia, nos sentimos anônimos dentro do arsenal econômico das grandes corporações midiáticas e dos grandes veículos de comunicação. Encontramo-nos também dentro desse paradoxo do anonimato e da expressão. Por um lado, reconhecemos que a mídia seja um campo fundamental onde há o espaço para a construção e transformação da realidade. Este espaço, porém, acreditamos, encontra-se regido por leis industriais, mercadológicas e capitalistas e, por meio desses interesses próprios e egoístas, constrói e legitima outros campos formadores de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos sermos minoria no campo midiático, anônimos. Mas reconhecemos que a nossa permanência neste campo se faz essencial para podermos revertê-lo e deixarmos de entender a realidade apenas como mediatização e virtualidade, para também deixarmos de acreditar que merece consideração apenas aquilo que é legitimado pelo campo midiático. Desconstruindo essa lógica – uma realidade ainda utópica, sabemos –, estaremos sim, formando novos paradigmas de relações sociais, menos opressora, com mais autonomia, visibilidade e organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso objetivo maior, portanto, talvez seja o nosso fim, juntamente com o esgotamento e superação deste mundo anônimo. Quem sabe, também, ultrapassamos nossas origens, e vislumbramos a manutenção de nosso nome, nossa sigla. Mas, ao invés de sermos um território de expressão no mundo &lt;em&gt;anônimo&lt;/em&gt;, almejamos ser um território de expressão no mundo &lt;em&gt;autônomo.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/20903648-113711593232662257?l=grupotrema.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://grupotrema.blogspot.com/feeds/113711593232662257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=20903648&amp;postID=113711593232662257&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/113711593232662257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/20903648/posts/default/113711593232662257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://grupotrema.blogspot.com/2006/01/grupo-tr.html' title=''/><author><name>TR.E.M.A.!</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14296438108817898866</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
