quinta-feira, outubro 25, 2007

Baixa gastronomia no Ilustrada...

A caderno de cultura do maior jornal do Brasil é um saco. Isso eu penso a um tempo, lendo vez por outra as capas do Ilustrada, da Folha de SP, que cheiram muito pouco a rua. Arte, arte e arte. De fazer careta. Não por acaso, o melhor do caderno definitivamente é a coluna social - isso mesmo! - da Mônica Bergamo. Entre um casamento e um jantar da high society, lê-se sempre alguma coisa interessante, como da vez em que a coluna toda foi uma reportagem em pequenos parágrafos (formato de reportagem curioso) sobre os trabalhadores das futuras linhas de metrô de São Paulo.

De qualquer forma. Hoje, li algo que, se não empolga pela profundida ou pelo texto, vale registro pela pauta e por onde saiu. No meio de um monte de referências musicais do vindouro Tim Festival, a "baixa gastronomia".

***

Fome de bola

Roteiro da baixa gastronomia em estádios destaca tropeiro do Mineirão e sanduíche de pernil de SP

LUCAS NEVES
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DA REPORTAGEM LOCAL

É certo que o futebol, dentro das quatro linhas, é dado a metáforas culinárias, do frango engolido pelo arqueiro desavisado ao chocolate aplicado no adversário. Mas se, na arquibancada, bate a fome no torcedor, o que os estádios têm a oferecer? Na reta final do Campeonato Brasileiro, a Folha foi às arenas dos líderes apurar.

Nas barracas que margeiam o Mineirão (dividido pelo terceiro colocado, Cruzeiro, e pelo Atlético-MG), o protocolar churrasquinho não é páreo para a "pièce de résistance" do "cardápio", o tropeiro -que leva feijão com farinha de mandioca, arroz, bacon, lingüiça, pernil, torresmo, couve, ovo, salsa e cebolinha. Da Barraca da Jaq, saem de 80 a 100 porções por jogo. "Os atleticanos é que gastam. Cruzeirense é chorão!", atiça Jaqueline Ferraz.

Já dentro do estádio, a clientela fiel é a azul, segundo a cozinheira Neusa Madeira, que chega a cozinhar 40 kg de feijão por partida. "Cruzeirense compra mais. O atleticano nem olha para trás se o time perde."

O tropeiro faz sucesso também entre os visitantes. "Os corintianos comem muito. E os paranaenses falam que, se fosse para lá, ganharia muito dinheiro", diz Ivanir Ferreira, da barraca em frente ao portão 13.

Quem bate ponto ali é o vigilante Sérgio Fernandes, 28, que alfineta a concorrência. "Comi o lá de dentro [do Mineirão] uma vez e estava "envenenado"." O advogado Marcelo Coura, 29, discorda: "Hoje, não almocei para vir comer o tropeirão. O de dentro é sagrado."

Pernil paulistano

Em volta do Morumbi (casa do líder, São Paulo), num "centro gastronômico" de 18 barracas, só se vê uma imagem: a da chapa em que repousa um enorme pernil de porco, base do sanduíche que é o hit dos estádios paulistanos. "O povo não muda: sanduíche de pernil é a comida do estádio. Temos de calabresa também, mas não gostam tanto", diz dona Maria, da Barraca do Orlando.

Quando um cliente pede um sanduíche, o pernil é fatiado e a seus pedaços são acrescidos tomate, repolho e cebola picados, além de um molho de limão com alho e, por fim, shoyu.A mistura é saboreada por gente como o gráfico Luiz Carlos Souza, 38, abordado quando dizia a um amigo ir ao estádio mais pela comida do que pelo jogo em si. "O sabor da chapa usada não tem igual", explicou.

Dentro da arena, o Habib's (patrocinador do time) é a única lanchonete licenciada e oferece quibe, esfihas e torta de queijo e goiabada. Há também picolés Kibon e amendoins de todo tipo (japonês, doce, descascado), que vendedores gaiatos anunciam como "Viagra".

Malícia pouco vista nos arredores do Palestra Itália (do vice-líder Palmeiras), onde espetinhos e sanduíches de pernil e calabresa disputam a preferência com a oferta mais "substancial" dos botecos (macarrão, pizza e carnes à parmegiana), degustada e aprovada pelo estudante André Bambino, 18. "Dá para almoçar em casa e fazer o segundo tempo aqui."

No interior do estádio, o grupo Dias detém o monopólio da comercialização de alimentos (hambúrgueres, cachorros-quentes, pipoca, salgadinhos e churros). Com negócios também no Morumbi e no Pacaembu, o sócio-proprietário, Renato Dias, não se compromete: "Torço para qualquer time".

Codorna no Maracanã

Embora nenhum time carioca esteja no topo da tabela, a reportagem abriu uma exceção e visitou o Maracanã em nome da tradição do estádio. Pois foi uma decepção: o local deixa a desejar no quesito "junk food".

Ao redor do estádio, vans vendem cachorro-quente com batata palha e ovo de codorna -mas sem o purê que acompanha o lanche em SP. Barraquinhas com amendoim e coquinho (pedaços de coco) doces também pipocam aqui e ali, além dos churrasquinhos -a calabresa dá lugar ao salsichão.Dentro do estádio, biscoitos de polvilho e o mate gelado são a pedida -que, cá para nós, está longe de encher barrigas cariocas ou visitantes.

7 Comentários

Blogger Marília Camelo said...

Hehehe...legal ó essa matéria!!Gostei demais..mas foi o Pedro mesmo quem escrveu a introdução..? Não pareceu. Gostei da introdução também.

3:58 PM  
Blogger pedro rocha said...

foi mulher, foi eu mesmo.

10:25 PM  
Blogger Simone Lima said...

definitivamente o melhor da ilustrada é a coluna da Mônica Bergamo... é isso aí, Pedro!
= )

9:24 AM  
Blogger Débora Medeiros said...

Matéria interessante. Engraçado ver os repórteres querendo fazer um texto à la Ilustrada, com terminhos estrangeiros aqui e ali, em meio a tropeiro, pernil e muita comida braba, hehehe! O texto podia ter passado sem essa :P

3:38 PM  
Blogger prosaminha said...

Gente, parabéns pelos escritos.
Por favor não deixem de relatar e demonstrar que existe alguém se movimentando aí em Fortal...

12:22 PM  
Blogger Mariana said...

Eu gosto muito do sanduíche de pernil, e o melhor de SP está definitivamente num delivery em itaim perto da minha casa.
Sempre tento experimentar diferentes lugares, mas sempre um vai escolher o que mais gostou.

10:41 PM  
Anonymous Anônimo said...

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5:48 PM  

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